NOTAS ANALÍTICASTecnologia

OTAN busca expandir suas capacidades militares no espaço cibernético

Durante os dias 30 de maio a 3 de junho ocorreu a “9a Conferência sobre Conflito Cibernético” (CyCon), em Tallin, na Estônia. O general brigadeiro Christos Athanasiadis, Chefe de Gabinete do Quartel General dos Poderes Supremos Aliados da Europa (SHAPE, na sigla em inglês), o braço cibernético da OTAN, declarou que “a segurança cibernética é agora parte da principal tarefa de defesa coletiva da OTAN. A aliança considera o ciberespaço como um domínio operacional no qual precisa se defender tão forte quanto no ar, na terra ou no mar”.

Brasão da SHAPE

Além de interpretar que as leis internacionais também se aplicam ao ciberespaço, desde julho de 2016 a OTAN passou a considerar o espaço cibernético como um domínio de guerra, em paralelo aos tradicionais, a terra, o ar, o mar e o espaço. Como parte desse esforço, foi criado o SHAPE, a ramificação da OTAN responsável por ofensivas e defensivas cibernéticas.

O posicionamento da Organização no ciberespaço busca construir capacidades em áreas chaves, como aprimoramento do processo de reconhecimento, avaliação e resposta a ameaças, além do compartilhamento de informações para o combate a ameaças cibernéticas, tanto para alvos militares quanto infraestrutura civil. 

A preocupação contra ataques à infraestrutura estratégica é decorrente de avanços em armamentos cibernéticos capazes de cortar o fluxo de energia em usinas elétricas, como foi o caso do malware Crash Override, recentemente publicado aqui. Outro episódio, que atingiu computadores ao redor do globo, foi o ReasomWare Wannacry, afetando hospitais, sistemas de transporte e comunicação em vários países; também reportado aqui.

A criação da SHAPE e os esforços da OTAN para defender o ciberespaço decorrem ainda do grau de sofisticação dos ataques cibernéticos na atualidade. A respeito, Brad Bigelow, o principal assessor técnico da equipe CIS / Cyber ​​Defense (Communications Information Systems / CD) da SHAPE, argumenta que “uma lição que aprendemos de muitas outras áreas de defesa coletiva é que, se você esperar uma crise, talvez seja tarde demais para se organizar e responder. Precisamos começar a operar de forma coletiva agora, e não apenas quando nos deparamos com uma ampla crise ou ameaça”.

De fato, a iniciativa da OTAN acompanha as tentativas de militarizar a defesa do espaço cibernético por parte de diferentes Estados Nacionais, decorrentes das crescentes ameaças por parte de outros países e/ou grupos independentes, como o Estado Islâmico. Recentemente, objetivando a defesa cibernética, a França lançou a ramificação cibernética de suas Forças Armadas, conhecida como Quarto Exército, também reportado no CEIRI NEWSPAPER; e a Alemanha estabeleceu o seu “Comando de Ciberespaço e Informação”, em paralelo com o Exército, a Marinha, a Força Aérea, o Serviço Médico Conjunto e o Serviço de Apoio Conjunto.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Logo da OTAN” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=18466386

Imagem 2Brasão da SHAPE” (Fonte):

https://enseccoe.org/en/newsroom/workshop-in-shape/97

About author

Mestrando em Ciências Militares pela Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME). Formado em Licenciatura e Bacharelado em Geografia pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Desenvolve pesquisa sobre o Ciberespaço, monitoramento, espionagem cibernética e suas implicações para as relações internacionais. Concluiu a graduação em 2015, com a monografia “A Lógica Reticular da Internet, sua Governança e os Desafios à Soberania dos Estados Nacionais”. Ex bolsista de iniciação científica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), período no qual trabalhou no Museu Nacional. Possui trabalhos acadêmicos publicados na área de Geo-História e Geopolítica.
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