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NOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Pacote de Medidas dos EUA para a Palestina

A política externa dos EUA para o Oriente Médio neste momento tem focado no que já foi chamado de “O Acordo do Século”. A iniciativa é coordenada por Jared Kuschner (genro do Presidente, casado com Ivanka Trump; assistente de Donald Trump e Conselheiro Sênior da Casa Branca) e setores do Departamento de Estado. Ao que inicialmente se sabe, foi gestado um plano que visa investir bilhões de dólares, primordialmente na Cisjordânia e na faixa de Gaza.

A provável data oficial para o anúncio do pacote de medidas é o próximo dia 15 de maio. A apresentação coincide com a celebração do Nakba, quando Israel comemora sua independência e criação enquanto Estado.

Até agora, a administração Trump tem enfrentado as consequências de sua política externa para a região. Após a mudança da embaixada em Israel para Jerusalém, o embaixador palestino retirou-se de Washington e os Estados Unidos promoveram corte de boa parte da ajuda e apoio que já foi fornecido à Autoridade Nacional Palestina, incidindo na autonomia da organização.

O apoio que os Estados Unidos aportavam para agências internacionais garantiam provisão de serviços básicos, infraestrutura e educação para os refugiados palestinos, como os feitos à Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA, na sigla em inglês). Foi a primeira vez, desde a fundação da Agência, que o país se recusou a manter o apoio e em não assumir este papel na manutenção da paz no Oriente Médio.

O investimento que virá por meio do novo Acordo seria estendido também a outros países da região, como a Jordânia, o Líbano e o Egito, desde que os mesmos cumpram com exigências pré-determinadas que devem ser reveladas juntamente com o plano.

A Palestina receberia por meio deste acordo um investimento de US$25 bilhões (Em torno de 98,13 bilhões de reais, conforme cotação de 18 de abril de 2019). Os demais países árabes participes do acordo, teriam um investimento em torno de US$ 40 bilhões de dólares (aproximadamente, 157 bilhões de reais, também de acordo com a mesma cotação). A quantia ainda não é certa, tampouco quem pagará por ela.

O presidente dos EUA, Donald Trump, cumprimenta o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu

As negociações preliminares envolveram não somente os EUA, mas também os países considerados mais estáveis na região. Estes esperam atrair Estados como a Arábia Saudita para investir no acordo. Até agora, somente a Turquia pronunciou-se veementemente contra algumas das medidas, como considerar as colinas de Golã território israelense.

Um acerto que busque estabelecer um ponto final para um dos conflitos mais complexos existentes envolve distintos fatores. Para além do cenário positivo de um ambiente economicamente saudável que Kushner ressalta, está a ausência de uma solução para a autonomia palestina. A proposta de “eliminar fronteiras” antevê que as ambições políticas dos palestinos não estão incluídas na agenda.

Ainda que falte mais informação sobre os detalhes que serão oferecidos, analistas consideram que concretizar tal feito envolve uma série de impedimentos. O primeiro, e talvez mais imediato, é convencer os palestinos a abandonar suas bandeiras históricas e o reclamo sobre autonomia da terra em troca de investimentos. Por outro lado, ainda não deixa claro como vai equilibrar as demandas já existentes.

De acordo com o Middle East Monitor, Mahmoud Abbas, Presidente da Autoridade Nacional Palestina, definiu que o chamado “Acordo do Século” se apresenta como um dos maiores desafios para o governo recém-eleito. Também declarou que os palestinos irão observar os avanços das propostas, mas salientou a dificuldade do diálogo com Donald Trump e afirmou que rejeitam um acordo que não inclua Jerusalém, porque os palestinos não querem “um Estado sem Jerusalém e sem Gaza.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Os presidentes de Israel (Yitzhak Rabin), dos EUA (Bill Clinton) e da Organização para a Libertação da Palestina (Yasser Arafat), cumprimentamse durante as negociações dos Acordos de Oslo, 1993” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/Israeli%E2%80%93Palestinian_conflict#/media/File:Bill_Clinton,_Yitzhak_Rabin,_Yasser_Arafat_at_the_White_House_1993-09-13.jpg

Imagem 2 O presidente dos EUA, Donald Trump, cumprimenta o primeiroministro Benjamin Netanyahu”(Fonte): https://commons.wikimedia.org/wiki/File:President_Trump_at_the_Israel_Museum.Jerusalem_May_23,_2017_President_Trump_at_the_Israel_Museum._Jerusalem_May_23,_2017(34460980460).jpg

About author

É bacharel em Relações Internacionais pela Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, atualmente é mestrando em História, Política e Bens Culturais no Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC) da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Integrou o Grupo de Estudos de Segurança Internacional (GEDES) na condição de pesquisador, onde também colaborou como redator do Observatório Sul-Americano de Defesa e Forças Armadas. Como pesquisador da Rede de Segurança e Defesa da América Latina desenvolveu trabalho na área de segurança pública, defesa e manutenção da paz. Atualmente desenvolve pesquisa sobre a reconstrução do Estado no Iraque. Como colaborador do CEIRI Newspaper escreve sobre a política e dinâmica regional do Oriente Médio.
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