NOTAS ANALÍTICASTecnologia

[:pt]“Internet+”, o programa de digitalização da economia chinesa[:]

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O Governo chinês implementou o Internet+”, programa de desenvolvimento, por meio da integração de tecnologia da informação às atividades manufatureiras. Na prática, é uma ordem de inclinação estratégica da economia da China para serviços com a Internet como peça-chave do crescimento.

Também conhecido como “Internet Plus”, é a aplicação da Internet e outras tecnologias da informação às indústrias convencionais, para completar a equação onde a Internet móvel, a computação em nuvem, o big data e a Internet das Coisas (IoT) serão integradas às demais indústrias para o desenvolvimento de negócios na China. Em suma, a robotização e a digitalização para a promoção do crescimento econômico. Analistas dão conta que isso significa impressoras 3D de tecnologia-de-ponta.

A China quer redesenhar seu parque industrial para incliná-lo mais para uma economia criativa de produção de design e serviços, ao invés de ser simplesmente reprodutiva de manufaturas de outros países. É uma inclinação estratégia de serviços, mais coerente com o fenômeno da digitalização dos meios de produção, onde muitas empresas líderes mundiais não produzem absolutamente nada tangível, senão informação ou conexão entre produtores e consumidores por meio da Internet, como Google, Facebook, Alibaba, Uber, AirBNB etc. É a ampliação da economia em áreas como turismo, pensão, saúde, educação etc. Menos poluente, a economia de serviços dependeria menos de petróleo e infraestrutura de transportes e provou catapultar a economia de vários países, dentre eles, Israel, Alemanha e Singapura.

Um dos Atores fundamentais dessa nova economia chinesa é uma mulher: Xiaojing Huang. Ela é diretora de estratégica do Yang Design e fundadora do Design Strategy Institution. Tem formação em Design de Produtos na Academia de Belas Artes de Guangzhou e design da experiência, pela Universidade de Design Kunsthochschule Berlin-Weissensee da Alemanha, uma parceira estratégica da China, conforme foi apresentado em outra Nota Analítica de minha autoria, publicada pelo CEIRI NEWSPAPER.

Com uma vasta lista de clientes de consultoria em design e estratégia de negócios na China, Xiaojing Huang passou a ser paradigma dessa tendência depois que publicou os premiados relatórios “China Design Trends”; “Lifestyle Aesthetic Business Trend”; “China Home Trend” e “China Sub-culture Lifestyle” (“Tendências de Design na China”, “Tendências de Estilo de Vida, Estética e Negócios”, “Tendência Domésticas na China”, “Subcultura e Estilo-de-vida na China”, respectivamente, em tradução livre) e ministrou palestra na conferência internacional ZOOM Smart Cities sobre cidades inteligentes em Lisboa, Portugal.

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Imagem (Fonte):

http://www.zoomsmartcities.com/2016/02/19/internet-e-peca-chave-na-estrategia-chinesa/ 

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ANÁLISE - Sociedade InternacionalANÁLISES DE CONJUNTURA

O futuro das Cidades Globalizadas

Na atualidade, existem diferentes nomenclaturas e fórmulas para classificar as cidades, seu desenvolvimento e respectivo peso no cenário internacional. Com a globalização e o aumento dos atores internacionais, existe uma maior distribuição do poder, o que promoveu um enfraquecimento da atuação dos atores clássicos – como o Estado – em detrimento de novas dinâmicas e novos atores, assim como uma nova distribuição dos centros de poder e decisão, proporcionando às cidades uma maior representatividade no panorama internacional.

Embora a importância dos centros urbanos seja um processo existente desde a Revolução Industrial, nunca antes o processo foi tão acelerado e perceptível, alcançando praticamente todos os países do mundo e promovendo a urbanização maciça da humanidade.  À raiz desse processo surgiram as chamadas Cidades Alfa, ou centros de poder mundial, posteriormente, emergiram as cidades inteligentes, que buscam soluções aos problemas decorrentes da elevada urbanização e da nova dinâmica de poder.

A desigualdade no processo de urbanização é proporcional ao grau de desenvolvimento de um país, diferenciando assim a Cidade Alfa da Cidade Inteligente (SmartCity), pois uma cidade emergente pode atuar como Cidade Alfa – por exemplo, a cidade de São Paulo – sem possuir um projeto avançado de Cidade Inteligente.

Além do mais, pequenas cidades podem se transformar em espaços inteligentes sem necessariamente aspirar ao posto de Cidade Alfa, havendo, assim, duas realidades em relação as cidades e sua inserção internacional, tendo em comum apenas a necessidade de integrar as mesmas no atual cenário.

Essa necessidade de integrar o espaço urbano dentro de uma realidade global e de uma dinâmica financeira praticamente pós-moderna reforçou o conceito de Cidade Inteligente, a qual não estará inserida no contexto mundial unicamente pelo seu poder financeiro, ou sua capacidade de gestão e utilização de recursos, mas por participar ativamente na dinâmica mundial.

A cidade globalizada e inteligente pode ser desde um importante polo financeiro, como Londres, a um centro de distribuição e comércio, como a cidade de Itajaí (que possui um dos maiores portos do Brasil); pode ser um importante centro produtor agrícola, como a cidade argentina de Mendoza; um polo turístico importante, como Saint Tropez, na França; uma pequena cidade produtora de um bem específico, como Macaé; ou um importante centro cultural e histórico, como a Meca, na Arábia Saudita. 

Sua inserção na dinâmica internacional estará ligada à sua realidade como cidade, sem forçar, dessa maneira, uma busca constante pela transformação dos espaços urbanos em polos financeiros, nem marginalizar cidades, cujas atividades econômicas sejam divergentes dos grandes centros de poder, ou pela formação demográfica da mesma.

À diferença do processo de urbanização do século XIX, quando as cidades imitavam a expansão urbana da Europa, as cidades inteligentes devem aprender a se inserir na dinâmica internacional, potencializando seus atributos e sua competitividade. Sabe-se que nem todas as cidades de um país podem se transformar em um polo financeiro de primeira linha, mas todas podem formar parte de uma rede inteligente e integrada que aumente a competitividade em conjunto de sua região.

Países como o Brasil têm um excelente potencial para desenvolver uma rede integrada de cidades inteligentes.  O país possui importantes centros urbanos ou megacidades como São Paulo ou Rio de Janeiro, além de metrópoles importantes a nível nacional e grandes cidades no interior, mas, historicamente, houve uma concentração da população e das atividades econômicas numa faixa do território próxima do litoral, promovendo uma desigualdade persistente entre os diferentes Estados e dificultando o desenvolvimento homogêneo da sua sociedade.

Com as novas tecnologias é possível fomentar a inserção internacional de diversos municípios através de suas vantagens competitivas e da correta utilização dos recursos disponíveis.  Sendo assim, é possível alavancar internacionalmente tanto municípios como Santos, pelo seu potencial logístico, quanto municípios como Ilha Bela, pelo seu potencial turístico, da mesma forma que já ocorre em nações da Europa, onde cidades pequenas gozam do mesmo prestígio e fama que outras metrópoles europeias, sendo esta a melhor forma de promover um desenvolvimento homogêneo da região e controlar os efeitos negativos da concentração urbana em grandes cidades, tal qual podemos observar em algumas urbes como Lagos, ou Bombaim.

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Imagem (Fonte):

http://www.ncpbrussels.be/images/energy_efficiency_city.jpg