ANÁLISE - FÓRUNS INTERNACIONAISANÁLISES DE CONJUNTURAEUROPA

Nacionalismo catalão continua e vira tema em Davos

Um mês após as eleições na Catalunha convocadas pelo Governo Central de Madri, a crise política e territorial continua e ganha novos episódios que vão além de suas fronteiras, mesmo depois da destituição do governo catalão e a dissolução do Parlamento regional, graças à aplicação do Artigo 155 da Constituição espanhola.

Os partidos nacionalistas voltaram a formar maioria no Parlamento regional, embora o partido centralista Ciudadanos tenha saído vitorioso nas urnas de forma individual, com a candidatura de Inés Arrimades. Sem embargo, não alcançou a maioria necessária para ocupar à Presidência, pois o modelo parlamentarista usado na Catalunha possibilita que a indicação e investidura de um Presidente seja apresentada e aprovada pela maioria dos parlamentares, neste caso, os nacionalistas.

Carles Puigdemont e Roger Torrent em Bruxelas, negociando a posse o presidente da Catalunha

No dia 17 de janeiro, Roger Torrent, do partido nacionalista Esquerra Republicana de Catalunya (Esquerda Republicana da Catalunha, em tradução livre) foi nomeado Presidente de Parlamento, viabilizando a nomeação do ex-presidente Carles Puigdemont – o mesmo que declarou a independência da região e depois se refugiou na Bélgica – como novo Presidente da Catalunha.

A tentativa do Governo da Espanha de minar o nacionalismo colocou em evidência o futuro da própria democracia espanhola, já que foi o próprio Governo Central que convocou as eleições e, neste momento, declara abertamente sua oposição à investidura de líder nacionalista, após a aprovação do Parlamento da Catalunha, tanto que o presidente espanhol Mariano Rajoy afirmou que, caso Carles Puigdemont seja investido como Presidente catalão, o Artigo 155 continuará ativo.

Rei Felipe VI em Davos

O grande paradoxo da futura Presidência da Catalunha é o fato de que Carles Puigdemont está fora do território espanhol e seu possível regresso deve resultar em sua prisão por crime de sedição, sendo estudada a possibilidade de que o mesmo assuma cargo estando fora da Espanha, constituindo-se na primeira investidura telemática da história.

Por outro lado, surgem novos movimentos políticos na região, tais como os defensores da Tabarnia, uma região formada por Tarragona e Barcelona, favoráveis à união com a Espanha e separados da Catalunha.

É um panorama cada vez mais complexo que foi levado até Davos pelo Rei Felipe VI, uma vez que a situação não afeta somente a política da região, mas também o desempenho econômico da Espanha, que está em plena recuperação após uma década de crise.

Carles Puigdemont não esteve em Davos mas participou de um seminário na Dinamarca, país onde defendeu a autonomia da Catalunha e pressionou tanto a Espanha como a União Europeia a reconhecerem os resultados e o parecer do Parlamento catalão. Diante do quadro, os nacionalistas da Catalunha pretendem dar continuidade em sua agenda separatista, embora a resolução do conflito pareça ainda estar longe de ser visualizada.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Região da Tabarnia” (Fonte):

https://static.noticiasaominuto.com/stockimages/1920/naom_5a43589f73c6b.jpg

Imagem 2 Carles Puigdemont e Roger Torrent em Bruxelas, negociando a posse o presidente da Catalunha” (Fonte):

http://fotografias.lasexta.com/clipping/cmsimages01/2018/01/24/4ED0F13C-F142-4156-AB89-0DC60FA64BEA/58.jpg

Imagem 3 Rei Felipe VI em Davos” (Fonte):

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ANÁLISE - Sociedade InternacionalANÁLISES DE CONJUNTURA

Smart Region: o desafio das metrópoles brasileiras

Embora o conceito de Smartcity (cidade inteligente) seja aos poucos implementado nas cidades brasileiras, ainda existem muitas dúvidas em relação aos processos que envolvem esses projetos e seus resultados.

Para transformar uma cidade em uma Smartcity é necessário identificar as dinâmicas econômicas, sociais e produtivas, e promover a integração das mesmas mediante processos inteligentes capazes de gerar competitividade, aumentar a qualidade da vida e fomentar o desenvolvimento econômico, social e tecnológico da urbe a longo prazo, respeitando o meio ambiente e a sustentabilidade de todas as atividades.

Sem embargo, não somente os fatores internos são os que integram os projetos de Smartcity. Os fatores externos, tais como as condições geográficas e regionais, também são de vital importância para esses projetos.

É fato que em grandes regiões metropolitanas do Brasil e do mundo as divisas entre municípios são muitas vezes imperceptíveis e os cidadãos constroem suas vidas em uma realidade intermunicipal. Muitos moram em uma cidade e trabalham ou estudam em outra. Por esse motivo, é de vital importância que as políticas e os projetos sejam harmonizados, gerando um equilíbrio de interesses entre os diversos municípios ou cidades vizinhas.

SmartCatalonia. Integração de toda região da Catalunha

O conceito de Smart Region ou Região Inteligente surgiu em Barcelona, com o objetivo de integrar a área metropolitana da cidade catalã e posteriormente toda a região, reduzindo as assimetrias decorrentes do avanço do projeto de cidade inteligente da mesma, já que de nada serve concentrar o desenvolvimento em um ponto específico da geografia. Este conceito se estendeu por diversas áreas metropolitanas da Europa, Ásia e América.

No Brasil, embora as áreas metropolitanas sejam constituídas e reconhecidas pelas diferentes esferas de poder, a integração dos serviços está longe de ser uma realidade. O aumento da passagem dos ônibus é um caso recente da falta dessa integração, já que, ainda que haja uma conexão entre os diferentes modais de transporte, a diferença de tarifas gera assimetrias perceptíveis na realidade das pessoas e até mesmo dificulta a implementação de novos projetos, ou a expansão da rede metropolitana de transportes.

Em São Paulo, por exemplo, existe uma grande divergência entre as tarifas do transporte público e apesar de existir uma interconexão com outros municípios a mesma não é completa. Por um lado, existe o Bilhete Único (cartão de transporte que integra os ônibus municipais, trens e metrô) e, por outro, o BOM (cartão de transporte que integra os ônibus metropolitanos, trem e metrô, porém sem a integração com as linhas de transporte municipal). Dessa forma, um passageiro pode ir até Jundiaí, que fica a aproximadamente 50 km da capital, pagando apenas uma passagem de trem (R$ 4,00), porém o passageiro que mora em Guarulhos (segunda maior cidade do estado de São Paulo, cujo centro dista a 23 km da capital, havendo uma conturbação entre ambas) deve pagar um preço superior, utilizando o transporte intermunicipal, cuja tarifa varia entre R$ 4,50 e R$ 5,50.

Rede de transporte metropolitano de São Paulo

Essa falta de integração também existe em outros serviços, pois algumas cidades da área metropolitana da capital paulista possuem diferentes empresas de transmissão elétrica ou de saneamento básico, o que gera não somente assimetrias em relação as tarifas como também uma burocracia desnecessária que força o cidadão a se dividir entre a realidade do município no qual reside e a do município no qual trabalha.

O exemplo de São Paulo se repete em praticamente todas as capitais brasileiras, dificultando dessa forma a concretização dos projetos de Smartcity, já que essas diferenças municipais alimentam a desigualdade e promovem a concentração de serviços, algo contrário ao próprio conceito de cidade inteligente e de processos inteligentes. 

Uma região metropolitana deve conformar uma área inteligente e integrada e, dessa forma, evitar problemas na prestação de serviços, na divergência que existe entre a população de uma cidade e a sua demanda em determinados setores (tais como a saúde ou educação). Somente assim será possível fomentar o desenvolvimento desejado.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Principais áreas metropolitanas do Estado de São Paulo” (Fonte):

http://www.emtu.sp.gov.br/emtu/images/mapa-regioes.jpg

Imagem 2 SmartCatalonia.  Integração de toda região da Catalunha” (Fonte):

https://image.slidesharecdn.com/sergifiguerola-smartcityacitywhichappliestechnologiesmakingthecitymoreusableforcitizens-150722144949-lva1-app6891/95/smart-city-a-city-which-applies-technologies-making-the-city-more-usable-for-citizens-10-638.jpg?cb=1437576634

Imagem 3 Rede de transporte metropolitano de São Paulo” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Mapa-Rede-Transporte-Metropolitano-SP.png

                                                                                               

NOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

ONU é chamada para evitar conflito entre forças iraquianas e forças curdas

O Curdistão iraquiano está sendo obrigado a lidar com diversos obstáculos após a aprovação do Referendo acerca da independência daquela região em relação ao Iraque. Diante da possibilidade iminente de ver o Curdistão adotar medidas para declarar um Estado independente, o Governo central de Bagdá já adotou medidas drásticas para evitar a perda de território tão importante econômica e politicamente. Assim, além do embargo aéreo e econômico sofrido nos últimos dias, o Governo regional curdo prevê que os governantes iraquianos utilizem de força bélica para evitar o desmembramento de seu país.

Bandeira do Curdistão em Kirkuk

O Primeiro-Ministro curdo, Nechirvan Barzani, denunciou na semana passada o iminente engajamento de forças militares regulares iraquianas (de maioria xiita) e também da milícia xiita Hashd al-Shaabi, a qual é apoiada pelo Irã, cujo Governo professa a mesma ramificação islâmica.

Tais tropas, após já terem dominado vasta região do Curdistão, podem atacar locais da região de Mosul e estariam se aproximando da cidade curda de Kirkuk, importante centro econômico – principalmente devido à exploração petrolífera – com o objetivo de impedir a movimentação das tropas Peshmerga (as Forças Armadas Curdas), que pretendem garantir o processo de independência curdo.

Um eventual conflito envolvendo tais forças pode vir a tomar grandes proporções, já que as Peshmerga são reconhecidas por sua eficiência em combate, como demonstrado durante a campanha contra o grupo terrorista Estado Islâmico e outros conflitos regionais. Tal condição pode explicar a necessidade do auxílio prestado por parte da supracitada milícia xiita ao Exército iraquiano.

Com o emprego dos militares, o governo de Bagdá visa isolar o Curdistão iraquiano não só economicamente – tomando campos petrolíferos e outras posições vitais – mas também politicamente, de modo a demonstrar à comunidade internacional sua capacidade de intervenção diante da crise que se assoma.

Tal situação fez com que o Governo curdo tenha clamado a diversas entidades internacionais, mais notadamente à Organização das Nações Unidas, através de seu Conselho de Segurança, para que intervenham e impeçam que o conflito se alastre e chegue às vias militares.

Dentro de uma perspectiva mais ampla, percebe-se que o Referendo curdo e o processo de independência almejado pelo seu Governo seguem paralelamente ao que ocorre na Catalunha, região que procura deixar de pertencer à Espanha. Neste caso, porém, não se cogita a utilização da força por parte do Governo espanhol, o que, consequentemente, não causou nenhuma demanda junto a organizações internacionais, apesar de diversos países europeus já terem manifestado o não reconhecimento de uma eventual Catalunha independente.

O caso do Curdistão também envolve, obviamente, a questão do reconhecimento por parte de outras nações regionais. Entretanto, a situação no Oriente Médio transcende o nível político, envolvendo questões étnicas, religiosas e culturais de diferentes países, o que acaba por tornar a causa da independência curda muito mais complexa.

O Referendo curdo, portanto, foi só o início de uma campanha pró-independência em que os meios legais foram, aparentemente, mera formalidade. Assim, os fatores que poderão viabilizar a criação de um Estado curdo no Oriente Médio parecem depender, uma vez mais, do poderio bélico e de alianças étnico-religiosas.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Nechirvan Idris Barzani, PrimeiroMinistro do Curdistão Iraquiano” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Nechirvan_Barzani#/media/File:Nechervan_Barzani_May_2014_(cropped).jpg

Imagem 2 Bandeira do Curdistão em Kirkuk” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Iraqi_Kurdistan_independence_referendum,_2017#/media/File:Sulaymaniyah-Kirkuk_Road.jpeg

ANÁLISES DE CONJUNTURAEUROPA

A ambiguidade do processo catalão

Após uma controversa declaração de independência, revogada segundos depois pelo próprio presidente do Governo da Catalunha, a situação da região separatista ficou ainda mais ambígua, gerando diversas reações tanto na Espanha como no resto da União Europeia.

O Governo Central de Madri rapidamente se pronunciou sobre a declaração realizada por Carles Puigdemont no dia 10 de outubro e lhe concedeu um prazo de até 5 dias para que pudesse esclarecer se havia ou não proclamado a independência da região.

Declaração do Presidente do Governo Catalão foi acompanhada por centenas de manifestantes a favor da separação

Embora existam diversas interpretações sobre a atuação do Governo catalão e a dinâmica entre a região e o resto da Espanha, o certo é que não existe um precedente capaz de esclarecer todos os paradoxos que o processo gera, tanto na jurisprudência espanhola como na da União Europeia.

De fato, existe uma contraposição, seja ela política, jurídica, econômica de interesses e normativa, além de pressões, que são interpretadas de diversas formas, conforme os interesses dos participantes, sejam eles os Estados, a sociedade, as organizações, ou as empresas.

Porém, em muitas das análises o fator político e econômico centraliza toda a questão, deixando para um segundo plano o fator jurídico, sendo este talvez a principal estratégia usada pelo Governo da Catalunha.

Atuar de forma ambígua gera por um lado precedentes jurídicos e, por outro, a impossibilidade de ações mais enérgicas, exceto se a Espanha desejar novamente reforçar a imagem autoritária, fruto da atuação policial durante o Referendum. Sem dúvidas, este é um jogo perigoso, mas que pode render algumas vantagens para a Catalunha em sua tentativa de conseguir a mediação de algum player internacional.

Embora existam diversas teorias de qual seria a situação política e econômica da Catalunha dentro da União Europeia, e até mesmo o posicionamento expresso de importantes players, tais como França e Alemanha, o certo é que o marco jurídico da União Europeia não fornece todas as respostas, já que pontos essenciais como a própria condição dos cidadãos estariam sem resposta.

Tribunal de Justiça da União Europeia em Luxemburgo

Ressalte-se que o Tribunal de Luxemburgo é o único responsável pela interpretação dos diferentes Tratados da União Europeia e não o Conselho Europeu, em Bruxelas, levando o assunto à esfera jurídica e não somente à política.

Outro ponto relevante seria a aplicação do Tratado de Viena no processo de cisão da Espanha, o que abre um leque de oportunidades para a Catalunha, uma vez que a cláusula de continuidade seja respeitada pelas duas partes que contraíram uma responsabilidade internacional no passado e devem mantê-la. Além, é claro, das diversas possibilidades de colaboração com a União Europeia sem a opção de veto da Espanha, conforme a própria legislação europeia.

Não é possível afirmar que exista um parecer totalmente favorável à Catalunha, principalmente devido às pressões políticas e econômicas. Porém, mobilizar o processo para o complexo sistema de direito internacional explica a ambiguidade na qual se comporta o Governo da Catalunha, cujo maior objetivo é garantir a mediação internacional e, consequentemente, um futuro reconhecimento global, tanto que alguns países da região já começam a manifestar apoio para a Catalunha, como foi o caso da Eslovênia, e algumas nações já demonstraram interesse em mediar a questão.

A Catalunha tem uma economia maior que a de Portugal e também supera diversos países da Europa do Leste, e se trata de um relevante polo logístico e industrial, de modo que é importante para o equilíbrio da região. 

De momento, a movimentação do domicílio social de diversas empresas para outras áreas da Espanha não teve impacto na produção da região, já que todas as empresas mantiveram suas atividades. 

Tanto a União Europeia como a Espanha e a Catalunha reconhecem a importância do fator econômico, assim como a impossibilidade de que exista apenas um perdedor.  Por outro lado, o fator político reflete diversos elementos, sejam eles sociais, internos, ou externo, sendo o fator jurídico o mais ambíguo de todos.

A maior aposta da Catalunha é que aos poucos convença a União Europeia perante uma Espanha que busca resolver a questão dentro do seu marco constitucional, mas que nem mesmo os atores políticos e jurídicos do país Ibérico conseguem chegar a um consenso.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Bandeira Independentista da juntamente com a bandeira da União Europeia, durante manifestação” (Fonte):

http://www.elconfidencialautonomico.com/cataluna/Bandera-independentista-Union-Europea-Diada_ECDIMA20141106_0013_3.jpg

Imagem 2 Declaração do Presidente do Governo Catalão foi acompanhada por centenas de manifestantes a favor da separação” (Fonte):

https://i.ytimg.com/vi/1QCb1VPgvC8/hqdefault.jpg

Imagem 3 Tribunal de Justiça da União Europeia em Luxemburgo” (Fonte):

http://2.bp.blogspot.com/-X_-EWcaRsYA/VUOY-8CHrLI/AAAAAAAABMA/cgC4KdWGfSg/s1600/tribunal_europeu_justica_1_0.jpg

EUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Terror em Barcelona

Barcelona é uma das cidades mais visitadas do mundo. A cada ano mais de 10 milhões de turistas visitam seus monumentos, museus e praias. A cidade é reconhecida mundialmente pelo colorido de seus artistas, pela cultura do seu povo, seu idioma peculiar e por aquele ambiente típico de cidade litorânea que vive de braços abertos.

Rambla em Barcelona – Mural do artista Miró, onde o furgão parou sua letal trajetória

Mas todo seu colorido foi coberto por um véu cinza e pesaroso no passado dia 17 de agosto, quinta-feira, quando um furgão invadiu o calçadão mais famoso da cidade – As Ramblas – e atropelou 13 pessoas, deixando a mais 80 feridos.

O caos tomou conta de uma das principais artérias da cidade, turistas corriam desesperados e as autoridades perseguiam o responsável, que abandonou o local sem fazer nenhum tipo de reivindicação jihadista.

Barcelona entrou em estado de alerta. Metrô, trens, ônibus e demais serviços foram afetados e bloqueios foram instalados em diversos pontos da Catalunha. O terror, aos poucos, foi aprofundando suas raízes. Em poucas horas o Estado Islâmico reivindicou o atentado. A Espanha já havia sido ameaçada pelo ISIS e sofreu em 2004 o maior ataque realizado pela Al-Qaeda na Europa.

O país com um longo histórico de atentados terroristas de diferentes origens, mostrou estar preparado para agir rapidamente. Em pouco tempo os “Mossos d’esquadra”, em cooperação com a Guarda Civil, conseguiram localizar os autores graças a chamada “Operação Jaula”, pela qual todas as saídas da cidade são fechadas.

Relação dos acontecimentos na Catalunha após atentados em Barcelona

Um dos terroristas furou um desses bloqueios e atropelou um dos guardas dando início a perseguição que terminou em localidade próxima de Barcelona. Outro grupo foi localizado nas cercanias de Barcelona e houve intenso tiroteio na cidade de Cambrils, provocando a morte de 5 terroristas.

Dentre os fatos que ajudaram as autoridades, destacasse ter detectado a propriedade dos carros usados tanto no atentado como na fuga. Eram veículos alugados pelo grupo, formado por cidadãos de origem marroquina e espanhola.

O Governo da Espanha e o Governo da Catalunha se reuniram para trabalhar a questão em conjunto, e ambos receberam apoio de toda comunidade internacional e da União Europeia. O impacto que esse tipo de evento provoca em uma cidade é difícil de quantificar, pois existem fatores políticos, sociais e culturais cuja reação pode ser imediata ou de logo prazo. A Espanha já decretou estado de alerta e aumentou o nível de segurança em todo o país; a Catalunha, por outro lado, busca manter os serviços operativos e ajudar no controle.

Os catalães mostraram ao mundo sua união, com vários hospitais ficando colapsados devido a pessoas que foram doar sangue; com hotéis da região oferecendo quartos gratuitos para as famílias dos afetados; além disso, psicólogos e profissionais da saúde se apresentaram voluntariamente para auxiliar o povo. Uma onda de solidariedade e compaixão invadiu Barcelona, sendo talvez estes sentimentos os únicos capazes de frear o avanço do terror no mundo.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Save Barcelona” (Fonte):

http://www.pressdigital.es/imagenes/SAVEBARCELONA.jpg

Imagem 2 Rambla em Barcelona Mural do artista Miró, onde o furgão parou sua letal trajetória” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/c/cb/98_Paviment_de_Mir%C3%B3%2C_pla_de_la_Boqueria.jpg/1024px-98_Paviment_de_Mir%C3%B3%2C_pla_de_la_Boqueria.jpg

Imagem 3 Relação dos acontecimentos na Catalunha após atentados em Barcelona” (Fonte – La Vanguardia.com):

http://www.lavanguardia.com/r/GODO/LV/p4/WebSite/2017/08/17/Recortada/img_avived_20170818-111856_imagenes_lv_terceros_sucesos_en-torno-atentado-992×558-2-ka7G-U43615086952XPF-992×[email protected]

EUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

O Rei da Espanha visita o Reino Unido

Desde 1986 não havia uma visita oficial do Chefe de Estado espanhol ao Reino Unido.  Após 30 anos, ambas as casas reais voltaram a se encontrar na semana passada, com o objetivo de estreitar laços entre as duas nações, após o início do Brexit (processo de saída do Reino Unido da União Europeia). A Espanha foi representada pelo Rei Felipe VI e a Rainha Consorte, Dona Letizia Ortiz; já o Reino Unido foi representado pela Rainha Elizabet II e toda a família real britânica. As duas coroas – concorrentes em um passado já distante – possuem pontos de interesse e de atrito.

O Reino Unido é o maior destino dos investimentos espanhóis dentro da Europa, já a Espanha é o segundo país que mais recebe divisas britânicas. O maior grupo de visitantes do país ibérico são os britânicos. A título de exemplo, somente no ano passado (2016) mais de 17,8 milhões visitaram a Espanha. A balança comercial entre estes países supera os 30 bilhões de euros, sendo a mesma positiva para Espanha, com uma pauta de produtos bastante diversificada. Por último, o Reino Unido é um dos principais destinos para jovens profissionais e estudantes espanhóis.

Sendo assim, a relação entre os dois Estados vai além dos interesses da União Europeia e ela é importante para as duas nações, mesmo após uma ruptura do Reino Unido com o Bloco europeu.

Enclave de Gibraltar (Reino Unido) ao sul da Espanha

Por outro lado, a situação de Gibraltar – Um pequeno enclave britânico em território espanhol – além da situação dos imigrantes espanhóis no Reino Unido, e vice-versa, são os pontos de atrito que ambas Coroas tratam de suavizar como se de um problema familiar se tratasse. Enquanto isso, na Espanha, o processo de independência da Catalunha continua em discussão e o Governo da região autônoma já convocou um plebiscito de caráter oficial para a cisão definitiva do território. No Reino Unido, as tensões com a Escócia também são crescentes, embora, de momento, sem a mesma expressão política que existe na Espanha.

Durante a visita oficial, a mídia de ambos os países deixou em segundo plano os acontecimentos nacionais e internacionais e se focaram nos eventos organizados pela família real, tais como os desfiles de carruagens, os bailes e as festas para nobreza e para um grupo de empresários das maiores empresas da Espanha.

Foi uma visita que aconteceu em plena época de mudanças na União Europeia e no mundo, mas que ao mesmo tempo nos remete a um passado perene da própria região, quando o povo discutia os acontecimentos da nação, mas as decisões eram tomadas nas altas esferas da realeza. E, mesmo que, hoje, as famílias reais sejam mais simbólicas e tenham menos poder, ainda assim são um importante ingrediente no softpower das nações e revelam uma Europa em mudança, mas que não renega do seu passado, e onde os símbolos antigos se chocam com as novas instituições, gerando no subconsciente coletivo o que Europa sempre foi e o que será.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Desfile em Londres do Rei Felipe VI, na carruagem com a Rainha Elizabet II” (Fonte):

http://www.eliberico.com/cientos-de-personas-reciben-a-los-reyes-de-espana-a-las-puertas-de-buckingham.html#prettyPhoto/0/

Imagem 2Enclave de Gibraltar (Reino Unido) ao sul da Espanha” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/a/a9/The_Port_of_Gibraltar_%28Aerial_View_from_the_North_West%29.jpg