EUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

[:pt]Espanha e a Guerra dos Touros[:]

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A tauromaquia é considerada uma arte de origem micênica que se popularizou na Espanha e em suas colônias. Nela, um domador rende um touro através de movimentos e provocações, além de ataques precisos que, aos poucos, vão minando as forças do animal, sendo, finalmente, sacrificado com uma espada que lhe atravessa o coração.

É quase impossível separar da Espanha a imagem das Corridas de Touro. O espetáculo é considerado por muitos como grotesco e cruel e não é popular em todo seu território, sendo até mesmo proibido em algumas regiões que possuem culturas e identidades próprias, como é o caso da Catalunha. Isso ao menos era assim, até a questão chegar ao Tribunal Constitucional da Espanha.

O processo de separação da Região da Catalunha está avançando rapidamente perante a fragilidade do Estado espanhol, o qual enfrenta uma das maiores crises de governabilidade dos últimos 30 anos. Mas, a cada passo que a região dá em caminho da autoproclamação de sua independência, existe uma reação contrária do Governo espanhol, que detém soberania territorial e jurídica sobre a Catalunha.

A Catalunha possui Governo próprio desde o século XIII, porém a sua Corte não tem autonomia sobre todos as áreas. Questões como política fiscal, segurança internacional e diplomacia são competência do Tribunal Constitucional de Madrid.  Mas, com o avanço do processo nacionalista, uma série de medidas foram tomadas para atribuir maior força aos catalães. Entre elas está a criação de uma Secretaria de Relações Exteriores, a criação de um sistema fiscal e a apresentação de uma Constituinte, que deverá ser proclamada em um prazo de dois anos (2018).

Cada medida adotada pelo Governo Catalão é vetada pelo Tribunal Constitucional da Espanha e automaticamente proibida, conforme lhe autoriza a Constituição em casos considerados contra a coesão territorial e social. Mesmo parecendo contraproducente a via legal seguida pelos catalães, ela é a única forma de angariar apoio internacional e, futuramente, levar seu projeto às Cortes Internacionais, apelando pelo direito de autodeterminação dos povos, que é reconhecido pela Carta das Nações Unidas.

Nesse embate entre Espanha e Catalunha, o último tema a ganhar relevância foi a proibição das Corridas de Touro em solo catalão, proibição que existe desde 2010, mas que somente agora ganhou repercussão, devido a um veto do Tribunal Constitucional, derrubando a Lei aprovada no Parlamento Catalão, que é apoiada por mais de 68% da população da região.

A Espanha pretende mostrar aos catalães e principalmente aos espanhóis que não houve um enfraquecimento do Estado Espanhol, e que a identidade castelhano-cêntrica, ou identidade nacional espanhola, segue vigente. 

A Guerra do Touro é o reflexo das divisões sociais que enfrentam a Espanha e toda a Europa, mudando apenas o objeto de discórdia, sendo em alguns países o uso da Burka, em outros, o tema dos refugiados, em outros a separação da União Europeia. A coesão social necessária para dar continuidade ao projeto político e econômico da União encontra-se fragmentada entre muitas disputas, com os governos lutando em demonstrações de poder, em lugar de fomentar um realinhamento com o projeto europeu. Com isso, a população se polariza e fica cada vez mais extremista, gerando um ciclo que pode ter graves repercussões para a governabilidade a médio prazo.

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ImagemFlag of Spain with a black silhouette of a bull” / “Bandeira da Espanha com a silhueta negra de um touro” – Tradução Livre (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/f/fe/Flag_of_Spain_with_Osborne’s_bull.svg/2000px-Flag_of_Spain_with_Osborne’s_bull.svg.png

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EUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

[:pt]Pacote anticorrupção da Espanha[:]

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Desde as últimas eleições na Espanha, no dia 26 de junho deste ano (2016), Mariano Rajoy, líder do Partido Popular e vencedor das duas últimas eleições, tenta pactuar com os demais partidos no intuito de obter a maioria necessária no Parlamento e, assim, assumir o cargo de Presidente, o qual, mesmo após suas duas vitória, nunca chegou a ocupar, devido à falta de consenso dos políticos espanhóis e ao sistema parlamentar que rege o país, não havendo maioria de votos que apoiem a sua investidura.

Por um lado, a Espanha superou a crise econômica que pairava sobre sua economia desde 2008, havendo ainda alguns resquícios dela, tais como o aumento da pobreza e o elevado índice de desemprego, mas o PIB do país cresce desde 2015, acima da média da Zona Euro, principalmente graças às medidas de austeridade implementadas pelo Governo de Mariano Rajoy. Por outro lado, os problemas derivados dessas medidas gerou uma profunda crise política, marcada por diversos casos de corrupção protagonizadas pelo partido da Presidência, fazendo com o que o país permaneça sem Presidente instituído, desde dezembro de 2015, sendo Mariano Rajoy apenas o Presidente em funções.

O Rei Felipe VI teve de intervir em diversos momentos durante as negociações, tanto após o resultado das eleições de dezembro de 2015, como após as segundas eleições, realizadas em junho de 2016, com o intuito de gerar o consenso necessário para a aprovação do Presidente espanhol no Parlamento. Ainda assim, o processo tem sido lento e difícil.

Em uma tentativa de evitar uma terceira eleição, o líder de direita do Partido Popular negocia com os demais partidos a criação de uma aliança focada na restauração da Espanha, motivada, principalmente, pelo projeto separatista da Catalunha e pelo desgaste das instituições espanholas.

Seu maior desafio é convencer ao segundo e terceiro colocados nas eleições (Pedro Sanchez, do Partido Socialista Obreiro Espanhol, e Pablo Iglesias, do Partido Podemos, ambos líderes de esquerda, que, juntos, somam mais votos que o próprio Partido Popular) a liberar os votos no Parlamento ou a se absterem durante a votação. Por outro lado, tenta convencer ao partido Cidadãos – quarto colocado nas eleições e representante da nova direita espanhola – a formar uma aliança e, juntos, somarem 169 dos 176 votos necessários para a investidura de Mariano.

O líder do partido Cidadãos, Albert Rivera, finalmente cedeu nas negociações e formou uma aliança com o Partido Popular, mas com a condição de que um pacote anticorrupção fosse assinado e colocado em prática o mais rápido possível.

Este pacote anticorrupção espanhol contempla medidas importantes, tais como:

– Fim do Foro Privilegiado.

– Afastamento imediato de qualquer político sob investigação até a conclusão da mesma.

– Possibilidade de apenas 2 mandatos.

– Eliminar indultos para políticos acusados de corrupção ou crimes públicos.

– Criação de uma CPI para investigar o financiamento do Partido Popular.

– Fim do voto secreto e das listas parlamentares secretas.

O Documento, na íntegra, foi assinado no Congresso de deputados de Madrid e disponibilizado para o público. Ainda assim, somente entrará em vigor quando Mariano Rajoy for investido no cargo de Presidente.

A Espanha, assim como muitos países na América Latina, enfrenta o reflexo das crises dos últimos anos e o desgaste político causado pela corrupção e pelas medidas de contenção do gasto público, que afetaram a qualidade de vida das pessoas, criando um impasse entre a ação política e as reivindicações sociais.

Independentemente disso, a posição dos analistas converge para a convicção de que as políticas de luta contra a corrupção são, sem dúvidas, a principal pauta para garantir a volta da estabilidade social, o fortalecimento das instituições e a governabilidade do país.

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Imagem (Fonte):

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ANÁLISE - Sociedade InternacionalANÁLISES DE CONJUNTURAParadiplomacia

[:pt]O papel da Paradiplomacia na Internacionalização de Empresas[:]

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Durante o século XX, as empresas foram ganhando importância no panorama internacional, ao ponto de se converterem em um novo ator nas relações internacionais. A globalização permitiu o incremento da circulação do capital, assim como o desenvolvimento de uma cadeia produtiva global, gerando padrões e rotinas diferentes dos adotados pelos atores clássicos – os Estados e posteriormente as Organizações Internacionais – inserindo, dessa forma, uma nova dimensão no cenário global, caracterizada pela diplomacia empresarial, embora nem todas as empresas possuam infraestrutura ou capital necessário para atuar no cenário global, sendo este um papel concentrado nas grandes corporações e nas multinacionais.

Apesar dessa concentração, mesmo que uma empresa não esteja participando ativamente no cenário global, todas são igualmente impactadas. Desde a grande até o pequeno produtor, a competitividade internacional está presente no seu dia a dia. Quando um produtor rural participante de uma cooperativa vende seu produto no mercado local, fatores externos moldam sua realidade, seja pela competência de outros produtores internacionais que exportam o mesmo produto a um preço mais competitivo, seja por oscilações do mercado de capitais, ou até mesmo mudanças no marco legislativo em relação a importação de insumos necessários para sua atividade – como podem ser os casos dos fertilizantes –, atendendo as decisões estratégicas da nação ou as movimentações do mercado global.

Sendo assim, as pequenas e médias empresas são duplamente pressionadas, por um lado por não conseguir gerar um grupo de influência grande o bastante para exercer pressão nos formuladores políticos de seus países e, por outro lado, por não conseguir a representatividade internacional necessária para influenciar a dinâmica mundial.

Nesse contexto, a Paradiplomacia surge como uma solução para essas pequenas e médias empresas, já que um dos intuitos dos órgãos paradiplomáticos é justamente fornecer maior representação e competitividade para sua região no contexto internacional.

A Paradiplomacia permite uma maior representatividade das atividades realizadas dentro do território ou estrutura subnacional representada, fortalecendo-se nas características oriundas de cada região e permitindo com que pequenas e médias empresas possam obter maior visibilidade.

Regiões produtoras buscam uma maior participação internacional, defendendo seus interesses e buscando uma redução do impacto das grandes decisões internacionais. Outras buscam promover e procurar oportunidades. Existem associações que reúnem governos subnacionais focados em determinados temas, tais como a “Os 4 motores para Europa: Catalunha, Rhone Alps, Lombardia e Baden” ou a “mercocidades”.

Também existem agências setoriais que atuam em escala internacional, além de diversas representações de governos subnacionais e organismos ligados aos mesmos, tais como: o Governo da Catalunha, o Governo de Quebec, o Governo de Rhone Alps, o Governo de São Paulo, o Governo do Rio de Janeiro etc..

A Paradiplomacia – diferentemente da Diplomacia oficial – permite uma maior flexibilização e agilidade nos processos internacionais e ações focalizadas, formando várias áreas de atuação. Um órgão subnacional pode criar uma agência para a promoção turística de uma determinada região, uma agência setorial para defender os interesses de um ou vários setores, ou um serviço de representação com fins políticos próximos a centros de decisões internacionais, tais como Washington, Londres ou Bruxelas.

Esses Organismos paradiplomáticos também podem auxiliar a empresa em sua internacionalização, através de acordos de cooperação técnica, projetos setoriais, criação de clusters, missões empresariais, rodadas de negócios, realização de eventos, participações em feiras internacionais, dentre várias outras atividades.

A internacionalização das empresas é uma tendência crescente, porém os órgãos diplomáticos oficiais nem sempre estão preparados para atender aquelas de pequeno e médio porte, que precisam passar por todo um processo de aprendizagem para poder atuar no mercado internacional, sendo vital o papel dos organismos paradiplomáticos no processo, já que os mesmos possuem uma proximidade maior com a sua realidade empresarial e, consequentemente, uma maior sinergia com a mesma, além de que sua atuação internacional está focada na cooperação e sinergia entre regiões.

A Paradiplomacia atua então como vetor para a internacionalização de pequenas e média empresas, na medida em que busca incrementar a representatividade e competitividade de uma determinada região no contexto global, sendo também uma forma de atrair investimentos e gerar um aumento da visibilidade da região.

Algumas regiões já possuem representações oficiais no exterior e agências de promoção econômica, como são os casos de Quebec, Flandres e Catalunha. No Brasil, Estados como Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná já possuem agências focadas na atração de investimentos, mas ainda tem muito a ser feito na área de internacionalização de pequenas e médias empresas, sendo o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio a Empresa), juntamente com a APEX (Agência de Promoção Exterior do Brasil), os Órgãos que concentram tal atividade, limitando, assim, a atuação de municípios e, consequentemente, afetando a representatividade internacional e o uso do potencial local de cada região que forma o Brasil.

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Imagem (Fonte):

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Eleições Gerais na Espanha e o desafio Ibérico

A Espanha voltou às urnas no dia 26 de junho para escolher novamente quem será o líder do Governo nos próximos quatro anos. Na eleições gerais ocorridas no dia 20 de dezembro de 2015, o país já havia escolhido Mariano Rajoy – líder de direita do Partido Popular –, mas o candidato eleito não conseguiu convencer as demais lideranças do Parlamento e, após sucessivos fracassos nas negociações, o Rei da Espanha – autoridade representativa máxima do Estado – teve que dissolver o Parlamento e convocar essas novas eleições que foram realizadas no dia 26.

Pesquisas de opinião, analistas e meios de comunicação indicavam um avanço constante dos novos Partidos – tanto de direita (Partido Cidadãos) como de esquerda (Partido Podemos) – frente ao detrimento das forças políticas já estabelecidas na Espanha.

Dias antes das eleições, o Podemos já se posicionava como segunda maior força política, frente a uma queda da popularidade do Partido Popular, devido a uma série de áudios do Ministro do Interior, Jorge Fernandez Díaz, que vazaram, relacionando o mesmo aos esquemas de corrupção, nos quais está envolvida grande parte da cúpula partidária, havendo apreensão de documentos na sede do mesmo, semanas antes das eleições.

As questões principais do debate político foram o desemprego (superior a 22%) e o combate a corrupção. Ainda assim, os resultados eleitorais surpreenderam e o partido de Mariano Rajoy voltou a ganhar o pleito, e com maior número de votos.

Um dos fatores que afetou a formulação de poder na Espanha e finalmente o voto dos eleitores foi a realização do Referendum no Reino Unido. A Espanha possui uma considerável colônia de imigrantes nos países britânicos, além da delicada relação entre o Estado espanhol e o território de Gibraltar, que permanece sob domínio do Reino Unido, embora seja historicamente reivindicado pela Espanha. Com a vitória do Brexit, os espanhóis votaram em massa nos conservadores que se caracterizam por sua campanha de maior integração com a União Europeia e fortalecimento da Espanha dentro do Bloco.

Outro fator de peso nas eleições foi a questão da Venezuela e o fato de tanto o representante da nova direita como da nova esquerda espanhola terem visitado o país, havendo o crescente temor de uma súbita mudança do alinhamento geopolítico do Estado espanhol em direção à América Latina e aos seus ideais, aumentando, assim, os votos dos partidos tradicionais de direita e de esquerda. O resultado chegou a ser questionado e uma série de notícias denunciavam fraude nas eleições, embora não tenha havido, até o momento, nenhum recurso oficial ao órgão responsável pelas eleições.

Com a vitória, Mariano Rajoy volta ao olho do furacão e novamente deverá negociar sua posse dentro do Parlamento, mas sob a ameaça de uma sociedade fragmentada e de um crescente movimento nacionalista na Catalunha, que deseja fortalecer suas reivindicações por separar-se da Espanha, mas permanecer na União Europeia, igualando-se às reivindicações da Escócia em relação a sua independência do Reino Unido, ou seja, igualando-se nas reinvindicações para obter maior autonomia.

A União Europeia trabalha para minimizar os efeitos do Brexit no Bloco, porém um novo cenário político começa a ser desenhado e, sem dúvidas, a Espanha, como quarta economia do Bloco europeu, deverá se posicionar frente ao desafio interno e externo que o país enfrenta.

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Imagem (Fonte):

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Em nome do Rei e da Espanha

Desde as eleições presidências, no dia 20 de dezembro do ano passado (2015), a Espanha continua sem um Presidente instituído. O candidato à reeleição, Mariano Rajoy, do Partido Popular, venceu as eleições, mas não conseguiu formar Governo, após diversas tentativas de estabelecer alianças políticas capazes de lhe fornecer a necessária maioria no plenário.

O Partido sofreu com os reflexos da já superada crise econômica e por uma série de escândalos políticos comparáveis ao Mensalão Brasileiro, onde até mesmo a ex-princesa Cristiana – pois seu irmão, o atual rei Felipe VI lhe retirou o título – se viu implicada em uma trama de desvios e tráfico de influências.

O Monarca espanhol, reforçando seu papel na Monarquia Parlamentar espanhola, teve que interferir no processo presidencial e indicar um candidato para formar o novo Governo. Seu escolhido foi o representante de esquerda, Pedro Sanchez, do Partido Socialista Obreiro Espanhol (PSOE), que já presidiu o país antes do início da crise financeira. A Pedro Sachez lhe foi imbuída esta árdua tarefa. E, para isso, teve que se reunir com todos os líderes dos Partidos que compõe a Câmara espanhola, sendo o mais cotado para uma coalizão o líder do novo partido de esquerda: o Podemos.

Para formar tal aliança é necessário existir sinergia dos diferentes planos de Governo de cada agremiação partidária em prol de um plano comum, sendo o mesmo pautado nas questões que mais preocupam a sociedade espanhola, as quais são: o desemprego, que ainda supera 20%, e persiste, mesmo o país superando a crise; a questão da Catalunha e o impacto do processo separatista; o alinhamento Europeu e o papel da Espanha dentro da União Europeia; as políticas para reduzir a crescente desigualdade social e recuperar o estado de bem-estar; o combate à corrupção; por último, mas relacionado aos anteriores, uma possível mudança na formação política e tributária espanhola, sem descartar uma provável mudança na Constituição.

As negociações com o líder do Podemos, Pablo Iglesias, não foram frutíferas o bastante para estabelecer um pacto, já que não houve consenso em relação à possível divisão de cargos e à formação da equipe de Governo, além das políticas orçamentárias. O novo Partido de centro-direita, o Cidadãos, liderado por Albert Rivera, por outro lado, se mostrou disponível a negociar, chegando a um acordo histórico na Espanha.

A Espanha, assim como a grande maioria dos países desenvolvidos, sempre se caracterizou por um panorama bipartidário e pendular, com o revezamento entre a esquerda e a direita, no comando do país. Esta, por sua vez, será a primeira situação em que uma aliança central tenta governar o país Ibérico.

Apesar da aliança, a Espanha continua em um turbilhão político. Este novo pacto não compõe maioria absoluta no plenário, pelo que o candidato Pedro Sanchez deve negociar com parcelas de políticos dos demais partidos, buscando apoio na votação, ou, ao menos, abstenção de votos e, dessa forma, ser instituído como Presidente do Reino da Espanha.

Com essa aliança estratégica, o Partido Socialista Obreiro Espanhol deseja atrair um número de políticos frustrados após os escândalos que enfrentam o Partido Popular e, ao mesmo tempo, atrair parte dos votos da nova esquerda espanhola – Podemos – e dos partidos nacionalistas que veem no candidato um caminho para o diálogo regional.

O candidato do Partido Popular e vencedor das eleições, Mariano Rajoy, ofereceu seu apoio a Albert Rivera, ainda que seu papel no Governo irá oscilar, pois o mesmo não compactua com o Plano de Governo do PSOE. Ainda assim, a Espanha parece, aos poucos, encontrar uma solução para o impasse presidencial e Pedro Sanchez, nomeado pelo Rei, para a formação do Governo, pode ser transformar em uma espécie de Artur com seus cavaleiros da Távola Redonda, unindo a Espanha em um complexo pacto em nome do Rei e da Coroa.

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Imagem (Fonte):                                                                                                                      

http://www.periodistadigital.com/imagenes/2015/12/01/albert-rivera-ciudadanos-pedro-sanchez-psoe-y-pablo-iglesias-podemos.jpg

ANÁLISES DE CONJUNTURAEUROPA

Da União à Fragmentação Econômica Europeia

Desde a crise financeira internacional, a União Europeia (UE) enfrenta diversos desafios que a cada ano foram minando a integração e promovendo uma maior exposição das suas assimetrias, principalmente as diferenças econômicas e sociais.

A crise nos países do Mediterrâneo promoveu um sério desequilíbrio na União. O enfraquecimento do Estado grego ameaçou a integridade do Bloco e pôs em xeque o futuro da Europa, sob a ameaça de que outros países adotassem a mesma postura, deteriorando os acordos regionais e a Zona do Euro. Sob o braço forte da Alemanha, a Europa, aos poucos, foi encontrando seu caminho. Espanha, Portugal e Itália conseguiram recuperar sua economia após anos seguindo o receituário imposto pela UE, que resultou em profundas crises políticas e insatisfação social.

A Croácia entrou na União Europeia e novos membros voltaram a ser contemplados. Os países da Europa do Leste, que durante muito tempo sofreram com o estigma da desigualdade existente no Bloco, beneficiaram-se das mudanças dentro da União, registrando um crescimento notável de suas economias. Polônia e Romênia chegaram a dominar o ranking de países que mais cresciam na Europa, até mesmo durante a crise, e continuam em plena expansão.

A instabilidade econômica que fora aos poucos sendo recuperada perdeu protagonismo no cenário europeu devido ao aumento das tensões territoriais e políticas. Por um lado, a Rússia e a delicada questão ucraniana; por outro, a crescente ameaça do terrorismo e os problemas derivados da instabilidade política na periferia europeia; por último, a ameaça de saída do Reino Unido que, sem dúvidas, resultaria em enorme abalo da economia regional e avança rapidamente no cenário europeu sob um forte apoio popular. Além disso, há os problemas internos dos países membros, os quais começam a preocupar a União, como é o caso da questão da Catalunha, na Espanha.

A movimentação do eixo econômico do Atlântico para o Pacífico também afetou a economia do Bloco Europeu, ao menos na área produtiva. A China, ainda que importante mercado consumidor dos produtos de maior valor agregado, é também um forte competidor em setores já enfraquecidos no velho continente, mas que representam uma importante fonte de empregos e, consequentemente, produz um impacto direto no consumo interno, principalmente em países onde o desemprego ainda permanece elevado com o reflexo da Crise Internacional. São frequentes as manifestações de produtores rurais, têxtil, mineradores e metalúrgicos em Bruxelas, onde fica a sede da União Europeia.

O sistema financeiro sofre com a redução da atividade econômica e da demanda nos países emergentes, além da depreciação das divisas internacionais e a queda no preço das commodities e do petróleo, algo que encarece o produto europeu e lhe subtrai competitividade.

Certo é que o pior da crise econômica parece haver passado para a União Europeia, mas, ainda assim, a conjuntura política e a dinâmica social da União podem surpreender negativamente e afetar o crescimento econômico da região. As sanções contra a Rússia afetaram aos produtores agrícolas da Europa (Espanha, Itália, Portugal e França), além disso, a redução da demanda internacional impacta na produtividade industrial dos países produtores de alta tecnologia e a instabilidade política nos países emergentes reduz a demanda de produtos típicos, como vinhos, cavas, champanhes e perfumes.

Embora exista uma tendência de recuperação dos mercados desenvolvidos, muitos fatores ainda podem abalar esse prognóstico. As eleições americanas assustam a Europa e os novos fluxos de investimento para a Ásia, África e América Latina estão aos poucos insolando algumas economias europeias e gerando uma forte dependência do mercado financeiro, sendo este conhecido pela sua alta rentabilidade, mas temido pela elevada sensibilidade frente a mínimas mudanças políticas, climáticas, sociais e internacionais.

Fatores sociais como a imigração e a crise dos refugiados também abalam a estabilidade econômica europeia e chegaram a ameaçar importantes acordos, como o Schengen – que permite a livre circulação de pessoas no Bloco. Os países implicados demandam mais recursos da União para conter as ondas migratórias. A essa situação é preciso somar o aumento de migrações dentro do espaço europeu, principalmente dos países mais vulneráveis economicamente, para os países do Norte. Em relação a política interna, as mudanças no alinhamento político dificultam a integração do Bloco e uma possível saída da líder Ângela Merkel, após as eleições na Alemanha, em 2017, pode dificultar no estabelecimento de uma nova liderança.

Mesmo havendo uma certa animação em relação ao futuro econômico da Europa e dos demais países desenvolvidos é importante considerar todos os fatores implicados e não negligenciar a instabilidade ainda existente dentro do Bloco, pois a União Europeia pode sofrer maior fragmentação que integração nos próximos anos.

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Imagem (Fonte):

http://www.achtungmag.com/wp-content/uploads/2012/05/internacional-grecia-unioneuropea-desintegracion-revista-achtung-2.jpg