EUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Eleições na Espanha e o alinhamento europeu

No dia 20 de dezembro de 2015, a Espanha celebrará as eleições presidenciais mais acirrada desde a restauração da democracia, após a morte do ditador Francisco Franco, em 1975.  O pais Ibérico foi um dos mais afetados pela Crise Financeira Internacional de 2008, que se alastrou pela região mediterrânea, resultando em uma profunda recessão econômica, acompanhada de elevadas taxas de desemprego – A Espanha chegou a registrar mais de 25% de desemprego – e somente voltou a crescer em 2014, após implementar uma série de políticas de austeridade ditadas pela União Europeia e de reduzir ao máximo os gastos e investimentos públicos.

O PP (Partido Popular) foi o responsável por implementar as medidas desde sua vitória em 2011, substituindo ao PSOE (Partido Socialista Obreiro Espanhol) que fora por grande parte da população responsabilizado pela fragilidade econômica da Espanha no início da crise.

Embora as medidas de austeridade tenham obtido o resultado desejado na economia espanhola – cujo PIB voltou a crescer e deve aumentar entre 2,5 a 2,7% em 2015 – o desgaste social promovido pela aplicação da mesma abalou a popularidade do PP, que perdeu grande parte do apoio popular nas eleições municipais e autonômicas realizadas ao longo de 2015.

Outro efeito do desgaste na população espanhola e dos reflexos da crise econômica, foi o surgimento e/ou fortalecimento de novos partidos políticos, dentre os quais se destacam: Podemos e Cidadãos, sendo o primeiro muito parecido ao Syriza, da Grécia, e movido por ideais socialistas e revolucionários, e o segundo uma nova opção conservadora, que se considera centro-direita.

O debate político na Espanha se concentra em dois assuntos: por um lado a recuperação do estado de bem-estar e a redução do desemprego; por outro, o projeto nacionalista da Catalunha e a necessidade de defender a integridade territorial e a legitimidade do Estado espanhol.

Com os resultados positivos da economia, a ameaça de uma cisão territorial promovida pela Catalunha assim como os reflexos dos atentados de 13 de novembro em Paris, a população aos poucos se decanta pelos partidos de direita. O PP lidera as intenções de voto e pode voltar a governar, mas vai precisar de uma aliança com o Cidadãos para obter maioria absoluta no Congresso. Já o partido de oposição PSOE permanece como segunda maior força política da Espanha, porém com menos expressão, já que muitos dos seus eleitores mudaram seu voto para o Podemos, não havendo no horizonte a possibilidade de uma aliança entre ambos.

Barômetro realizado pelo jornal Elpais.comBarômetro realizado pelo jornal Elpais.com

Barômetro realizado pelo jornal Elpais.com

À diferença de Portugal e Grécia, a Espanha parece se alinhar aos interesses da União Europeia e ao crescimento da centro-direita no continente. O país é a 4ª maior economia do Bloco e possui uma considerável participação na Eurocâmara (a mesma usa o critério populacional para distribuir o número de eurodeputados), sendo importante seu apoio para a aprovação e consecução de projetos da União.

Com o aumento do discurso de integração entre os países membros e a recuperação gradual do Bloco, a Espanha pode sair fortalecida após 6 anos de crise e participar de forma mais ativa na política da região.

Estas eleições são decisivas para o futuro da Espanha, pois não somente ditará o caminho a seguir em relação a preservação da unidade territorial do Estado e uma possível mudança na Constituição para resolver o embate, como também o alinhamento do país com as mudanças geopolíticas na Europa, orientando-se em direção ao eixo Paris-Berlim e se consolidando como um player importante na formulação política e na tomada de decisão da União Europeia.

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Imagem 1 – “Barômetro realizado pelo jornal  Elpais.com” (Fonte):

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Imagem 2 (Fonte):

http://elpais.com/elpais/2015/12/03/media/1449142505_535753.html

EUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Eleições na Espanha, entre a ameaça do nacionalismo e do terrorismo

Após o início da Crise Financeira Internacional, a Espanha entrou em uma profunda recessão acompanhada de altos índices de desemprego – O índice chegou a superar os 27% – e uma redução drástica dos serviços públicos. A crise promoveu uma mudança no cenário político espanhol. O Governo voltou a ser ocupado por um partido de centro-direita alinhado aos interesses de Berlim e Bruxelas – PP (partido Popular) – e surgiram novos partidos como o Podemos, cuja visão política é muito semelhante ao Syriza, da Grécia.

O Partido Popular havia ocupado a presidência da Espanha entre 1996 e 2004, sob o mandato do então presidente José Maria Aznar, que promoveu uma série de reformas e projetos que colocou a Espanha como a 4ª maior economia da União Europeia e preparou a mesma para sua adesão à Zona Euro.  Somente após os atentados do 11 de março de 2004, em Madrid, foi quando o Partido perdeu apoio popular, já que muitos consideravam que os atentados foram uma retaliação à participação da Espanha na invasão do Iraque, junto com os Estados Unidos e a Inglaterra.

Com a volta do PP à Presidência, em 2011, as medidas de austeridade – ainda que não muito populares – tiveram um efeito positivo para economia espanhola recuperando a credibilidade do país e promovendo um crescimento de 2,8% para 2015 – crescimento este semelhante a registrado na Espanha no período pós crise, segundo a União Europeia. O desgaste social promovido pelas severas medidas de austeridade do governo foram aos poucos minando a popularidade do PP, dado que ficou registrado durante as últimas eleições municipais em 24 de maio de 2015, quando o Partido perdeu importantes cidades no país.

As eleições gerais da Espanha previstas para o dia 20 de dezembro eram consideradas uma causa perdida para o PP, sem embargo, o cenário eleitoral está sendo revertido por dois importantes acontecimentos. O Processo Nacionalista, aprovado pelo Parlamento da Catalunha, no dia 9 de novembro, pressiona ao Governo Central de Madrid, que não demorou em acionar o Tribunal Constitucional para derrubar o projeto, mantendo um discurso firme de defesa da unidade territorial. O Governo Espanhol, rapidamente, tratou de que seus interesses fossem reforçados pela União Europeia, pelos Estados Unidos e pela ONU, cujo secretário geral Ban Ki Moon já adiantou que a Catalunha não está inserida na lista de países com direito à autodeterminação. Os outros partidos da Espanha advogam por uma alternativa em relação ao processo nacionalista catalão, o que acaba reforçando o papel do PP na integração territorial e lhe rende um maior apoio popular dos espanhóis de outras regiões, que são contrários a independência da Catalunha. Os atentados de Paris, se transformaram em outro fator que, ao contrário do atentado ocorrido em Madrid, em 2004, acabou gerando na população um sentimento reacionário em relação a mudanças que possam ocorrer nas políticas de segurança nacional e de imigração – tão defendidas pelo PP – no caso de uma mudança na Presidência, mas que são rejeitadas por outros partidos. A ameaça do Estado Islâmico, ou ISIS, também gerou uma maior polarização da população, que busca no partido da Presidência um discurso rígido e uma postura de defesa do território.

A Espanha até mesmo pensou na possibilidade de intervir militarmente na Síria se alinhando aos interesses da França, mas, por temor de um impacto negativo nas eleições, acabou por optar por aumentar sua presença no Norte da África, onde o Estado Islâmico aos poucos se expande, sendo a Espanha a porta natural da Europa.

As pesquisas eleitorais apontam para um alinhamento da população com os partidos de direita, embora muitos acreditem que o PP não irá obter maioria absoluta, como ocorreu nas últimas eleições, mas deverá criar uma aliança com o partido Ciudadanos, que representa a nova direita espanhola, conforme estudo do Clima Eleitoral realizado pelo jornal espanhol El Pais. Para a América Latina, a situação política e econômica da Espanha não é um fato a ser negligenciado, ou minimizado. O país atua como ponte entre a União Europeia e os países latinos, além de ser um dos maiores investidores na região.

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NOTAS ANALÍTICASPARADIPLOMACIA

Turismo e Paradiplomacia

A Paradiplomacia se transformou em uma importante ferramenta para a promoção comercial e para atração de investimentos de diversas regiões do mundo. Atualmente, órgãos subnacionais de diversos países atuam no cenário internacional ampliando a competitividade, tanto da região que representam, como também do país em conjunto, graças ao aumento do fluxo comercial e da competitividade. 

As negociações na área da Paradiplomacia são mais objetivas, ágeis e fluídas que as centralizadas pela diplomacia oficial, seja pelo fato de que grande parte delas são focadas em um único objetivo, ou por seu aspecto comercial e técnico, capaz de evadir os complexos processos decisórios e políticos da diplomacia oficial.  

Países de grandes proporções ou características heterogêneas, utilizam a Paradiplomacia como ferramenta estratégica e de negócios – normalmente alinhada a diplomacia oficial – para obter maior competitividade no mercado internacional e maior visibilidade.

A área de turismo tem sido um dos setores que se beneficiou da expansão da Paradiplomacia, promovendo uma crescente descentralização do setor. Grandes potências turísticas, tais como Estados Unidos, Espanha, França e Itália utilizam a Paradiplomacia para ampliar sua visibilidade e competitividade no mercado. Cada um desses países possui não somente um órgão central responsável pela promoção turística do país (Ministério e Agência Nacional de Promoção Turística) como também existem diversas agências regionais que representam cidades, províncias ou estados específicos no exterior[1].

No Brasil, existem mais de 20 escritórios regionais de representação e fomento do turismo dos Estados Unidos. Regiões como: Califórnia, Nevada, Texas e cidades como Miami, Las Vegas, Nova York, Orlando, possuem escritório no Brasil e atuam em atração e promoção turística, eventos, feiras e acordos para aumentar o fluxo de visitantes brasileiros nos Estados Unidos, país que já figura como principal destino no exterior. Outros países também começam a abrir agências regionais no Brasil, tais como a Alemanha e as agências de Munique e Berlim; ou a Espanha, com a Agência de Turismo da Catalunha.

O setor turístico representa uma importante fonte de recursos para diversos países. Na Espanha, o setor representa mais de 15% do PIB; na Croácia, chega a superar 27% do PIB; já no caso do Brasil, representa entre 3% e 4% PIB, dos quais, 80% se devem ao mercado doméstico e ao consumo interno sensível as crises econômicas, inflação ou redução do poder de compra. Noutros países da América Latina, tais como México e Peru, o setor possui maior participação[2].

O turismo fomentado de forma regional aumenta a visibilidade do país e a competitividade do mesmo, já que cada região oferece o que tem de melhor sem haver uma centralização do fluxo de passageiros para pontos geográficos determinados.

O setor não deve ser confundido ou resumido somente pelo lado lúdico, pois a devida promoção turística de uma região pode atrair turismo de negócios e eventos, investimentos em segmentos e áreas correlatas, estimular o mercado local e o desenvolvimento de comunidades locais, entre outros benefícios.

O Brasil, atualmente, recebe 6 milhões de turistas, nada comparado com os 32 milhões de visitantes que recebe a cidade de Paris e região (sem incluir o resto da França), de modo que o país deveria começar a fomentar a promoção do turismo, alinhada a incipiente atividade paradiplomática que existe em alguns Estados e que pouco a pouco se expande pelo resto do país.

Atualmente, a EMBRATUR é o órgão responsável pela divulgação e promoção turística do Brasil no exterior[3] e, mesmo havendo na maioria dos Estados agências próprias para as respectivas promoções turísticas, tais como a RioTur[4], ou a SPturis[5], as atuações são limitadas ao âmbito nacional. Essa centralização acaba sendo perniciosa e concentrando o fluxo de turistas para polos já consagrados e regiões com maior infraestrutura.

A descentralização das políticas de promoção turística seria uma forma de ajudar as pequenas regiões e aproveitar todo o potencial da nação, estimulando o desenvolvimento regional através do turismo e gerando um maior fluxo de turistas estrangeiros e maior visibilidade para todas as regiões do Brasil.

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Imagem (Fonte):

http://www.coobrastur.com.br/imagens/guia/mapao.jpg

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.panrotas.com.br/

[2] Ver:

http://www.wttc.org/research/

[3] Ver:

http://www.embratur.gov.br/

[4] Ver:

http://www.rio.rj.gov.br/riotur

[5] Ver:

http://www.spturis.com/v7/index.php

EUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Europa no olho do furacão

Desde o início da Crise Financeira Internacional, uma série de fatores foram desestabilizando o projeto europeu e desafiando sua continuidade e reputação. Sob o pulso firme da Alemanha e a articulação política da França a região aos poucos foi se recuperando. Com isso, países que tiveram anos de recessão, como a Espanha, voltaram a crescer.  Outros desafios, tais como a Crise Grega e a Crise dos Refugiados, aos poucos parecem ir se normalizando e saindo do centro da atenção da comunidade internacional.  O discurso para uma maior integração da região volta a ganhar repercussão e força na política europeia[1].

Embora o pior pareça haver passado, e aos poucos o Bloco volte a se recuperar, o certo é que novos desafios pairam no horizonte europeu e, como ocorre com os furacões, a Europa pode estar apenas desfrutando da calmaria do olho do furacão, antes do avanço do mesmo e de uma nova onda de impactos.

As tensões entre a Europa e a Rússia em relação a Criméia continuam, assim como as sanções econômicas aplicadas ao país euroasiático. A situação se agrava com a intervenção militar da Rússia na Síria[2] e a proximidade do inverno no hemisfério norte que colocará à prova o comprometimento desses players com o incremento da demanda de gás na Europa e a venda desse recurso pela Rússia, cruzando o território ucraniano.

O inverno ainda pode agravar a situação dos refugiados que entram na Europa atravessando o Mar Egeu e os países balcânicos, devido às condições meteorológicas e aos resultados dos conflitos na região.

A imigração latina também deve aumentar nos próximos anos graças à crescente instabilidade econômica e política em países da região, tais como o Brasil, a Argentina, a Venezuela e o México, cujo fluxo migratório havia sido revertido, mas começa a se restabelecer.

Por outro lado, a aprovação do TTP (Parceria Transpacífico) pode resultar no enfraquecimento das relações comerciais do Continente Europeu com os Estados Unidos e com a Ásia, fazendo com que a Europa acelere o ritmo das negociações do TTIP (Acordo de parceria Transatlântica de Comércio e Investimentos), aumentando, dessa forma, o número de manifestações e de partidos contrários ao Acordo[3].

A vitória dos separatistas na região da Catalunha também indica um novo desafio no cenário jurídico da Espanha e da União Europeia, por se tratar de um processo no qual a soberania de um país membro se vê questionada por cidadãos que hoje pertencem à União Europeia e, portanto, possuem o direito de autodeterminação e legitimidade democrática, conforme reconhecido pelo próprio Tratado da União Europeia[4]. Não sendo apenas um paradoxo aplicado a esta região, mas que pode gerar jurisprudência para outras regiões separatistas da Europa, tais como o Vêneto, a Bretanha e o País Basco.

Perante essa tempestade, a Comissão Europeia reforça o chamado para a integração e maior compromisso dos países com o Projeto Europeu. Embora muitos dos governos estejam desgastados e com baixa popularidade, as eleições em alguns países até o final de ano (2015) e no próximo 2016 podem modificar o cenário político atual e dificultar ainda mais a união do grupo.

Outro fator importante para a coesão da União Europeia é o possível Referendum que o Reino Unido[5] deseja realizar até 2017, para consultar a população sobre sua permanência no grupo, pois, mesmo não sendo um país da Zona do Euro, representa, sem dúvida, um importante player a nível regional e internacional e pode gerar um precedente para a saída de países do Bloco europeu, algo que representará um risco para o discurso de integração regional.

Entre os desafios apresentados, alguns passam inadvertidos, tais como a situação da OTAN em relação a Rússia e a Síria e o papel que a União Europeia deve atuar nesse cenário. Há ainda a instabilidade no Norte da África e a situação de Israel com o reconhecimento da Palestina e os conflitos locais, que podem gerar um efeito dominó, caso este atrito se transforme em um esforço armado.

A Europa precisa enfrentar os desafios interno e externos e, dessa forma, se consolidar como player no cenário internacional, caso contrário, ela continuará sendo um mosaico formado por países assimétricos e com sérios problemas de integração que, pouco a pouco, perdem espaço no equilíbrio de poder e no cenário internacional. 

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Imagem (Fonte):

http://portal.andina.com.pe/EDPfotografia/Thumbnail/2015/10/15/000319683W.jpg                       

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://es.euronews.com/2015/10/15/los-veintiocho-se-reunen-en-bruselas-para-afrontar-la-crisis-de-los-refugiados/

[2] Ver:

http://es.euronews.com/2015/10/12/los-ministros-de-exteriores-de-la-ue-piden-a-rusia-que-pare-los-ataques-en-siria/

[3] Ver:

http://economia.elpais.com/economia/2015/10/10/actualidad/1444503583_710400.html

[4] Ver:

http://europa.eu/eu-law/decision-making/treaties/index_es.htm

[5] Ver:

http://services.parliament.uk/bills/2015-16/europeanunionreferendum.html

NOTAS ANALÍTICASPARADIPLOMACIA

Paradiplomacia vs Protodiplomacia

A Paradiplomacia se define como todas as relações internacionais realizadas por entes subnacionais, regionais ou locais,cujo objetivo é defender os interesses de um determinado lugar ou região, trabalhando de forma paralela a diplomacia oficial ou estatal.

Desde o surgimento da Paradiplomacia, no final da II Guerra Mundial, a mesma foi utilizada como ferramenta para estabelecer vínculos e sinergias entre diferentes regiões do mundo e como uma forma de flexibilizar e agilizar a diplomacia oficial, sendo uma tendência crescente que agregou novos atores no cenário internacional e um novo nível nas relações internacionais, havendo algumas nações, tais como os Estados Unidos e Argentina, que já regularizaram esta atividade.

Embora a Paradiplomacia ofereça uma série de vantagens, alguns especialistas criticam sua existência, devido a que a mesma, segundo eles, debilita a diplomacia oficial por descentralizar as ações e políticas do Governo central e possibilitar a ação externa de determinadas regiões nacionalistas, bem como ação de interesses contrários ao interesse nacional, ou até mesmo por configurar uma atividade ilegal, por não haver um marco jurídico que regularize a Paradiplomacia em determinados Estados. Essa vertente foi nomeada de Protodiplomacia[1].

A Protodiplomacia seria toda atividade realizada por um ente subnacional que substitui ou que usurpa as atribuições inerentes ao Estado e ao poder central, havendo algumas regiões que foram duramente criticadas por existirem suspeitas quanto à legalidade de suas atividades internacionais.

Cabe ressaltar que existem localidades que possuem capacidade e autonomia para atuar no cenário internacional sem constituir uma atividade protodiplomática, pois essas regiões atuam dentro de um determinado marco jurídico, como, por exemplo, as cidades deHong Kong e Macau. O problema surge quando uma localidade ou região não possui um marco regulatório ou quando a legislação proíbe expressamente a realização de determinadas atividades por organismos subnacionais.

Algumas regiões nacionalistas, tais como a Catalunha, na Espanha, ou Quebec, no Canadá, são muitas vezes acusadas pelo Governo Central de usurpar as atribuições do Estado no cenário mundial[2], mas, até o momento, não houve cabimento jurídico suficiente para inibir suas atividades, sendo as mesmas concentradas na área da Paradiplomacia e constantemente alinhadas com o Governo central desses países.

A região da Catalunha aprovou uma Lei para melhor regulamentar suas atividades no exterior, concentradas nas áreas de investimento e promoção turística e comercial, mas a Lei foi suspensa pelo Tribunal Constitucional da Espanha. Atualmente, a região se apoia no Estatuto de Autonomia aprovado pelo Governo Central para continuar com suas atividades na esfera internacional[3]. Já Quebec possui uma maior autonomia concedida pelo Governo do Canadá, atuando não somente na área comercial, mas também em projetos demográficos e de imigração[4].

Sendo assim, a Protodiplomacia, tida como uma etapa inicial das atividades diplomáticas, acabou se transformando em um termo pouco utilizado e praticamente um tabu na área das relações internacionais, por transmitir essa possível ilicitude e ilegitimidade das atividades realizadas, ou a incerteza do poder central frente à atuação desses entes.

Por outro lado, a Paradiplomacia tem crescido consideravelmente em todo o mundo, mesmo quando sua principal razão de existir seja a proteção dos interesses de uma região e que não exista uma total compreensão de quais são estes interesses. Mas a crescente regulamentação aos poucos define essas áreas de atuação e afasta o temor da substituição da diplomacia oficial, transformando-se em um complemento, diferentemente da protodiplomacia, pois, ao final, nem toda região que possui atividades paradiplomáticas busca sua independência.

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ImagemMinorias na Europa” (Fonte):

http://www.eurominority.eu/images/base/map-index-eng.jpg

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://www.caeni.com.br/publicacoes/doc_download/35-paradiplomacia-e-relacoes-internacionais-a-experiencia-da-cidade-de-sao-paulo

[2] Ver:

http://politica.elpais.com/politica/2015/04/15/actualidad/1429099117_060076.html

[3] Ver:

http://www.parlament.cat/document/cataleg/48089.pdf

[4] Ver:

https://www.immigration-quebec.gouv.qc.ca/pt/biq/mexico/imigrar-trabalhar.html

ESPORTENOTAS ANALÍTICAS

Futebol é a bola da vez na política

O futebol é sem dúvidas o esporte mais popular do mundo ou, talvez, o mais globalizado de todos. Não importa o idioma, o sistema político ou a localização geográfica, os grandes times são facilmente reconhecidos e seguidos com devoção.

Por esse motivo, o esporte se transformou para muitos países em uma espécie de ferramenta de softpower em sua atuação internacional. O softpower, ou poder brando”, é o conjunto de habilidades que um país ou ator internacional possui para influenciar indiretamente outros atores mediante canais alternativos aos políticos, tais como a cultura, a religião, o esporte, para citar alguns.

O esporte tem se transformado aos poucos num importante reflexo de um país ou na imagem que este possui no cenário internacional, e as competições internacionais se transformaram em uma forma de obter exposição mundial. O quadro de medalhas da China, por exemplo, aumentou de forma proporcional ao crescimento econômico do país. Muitos analistas, inclusive, afirmam que a vitória da Alemanha na última Copa do Mundo de Futebol foi fruto de uma campanha típica de softpower, gerando empatia com o país, pois o sentimento de admiração que levantou a seleção alemã ficou longe da visão que se tem de uma sociedade fria[1].

Os escândalos da FIFA[2] foram o outro lado da moeda. As ações movidas pelos Estados Unidos transmitiram um discurso claro frente à corrupção existente nos órgãos internacionais. Em relação ao Brasil, a situação da seleção parece acompanhar o descrédito que sofre o país.

A última intervenção do futebol no mundo da diplomacia e da política vem do país que possuí o campeonato e os times mais famosos do mundo, a Espanha, lar do Real Madrid, do Barcelona, do Atlético de Madrid, do Atlético de Bilbao, do Sevilha, do Deportivo, dentre vários clubes mundialmente conhecidos e admirados.

O processo de independência da Catalunha sempre utilizou o time do FC Barcelona como meio de propaganda. Ao final, a região não é tão conhecida quanto sua capital e o time sediado nela. Em qualquer lugar do mundo, as pessoas, mesmo não sabendo localizar a Catalunha no mapa, conhecem o Barcelona, os jogadores e um dos seus maiores técnico, o Sr. Josep Guardiola, que foi também jogador no time e na seleção espanhola.

A trajetória de Guardiola sempre esteve ligada a causa nacionalista, sendo, por isso, muitas vezes criticado pelo resto da Espanha. Mas, nesta semana, no dia 20 de junho, o ex-técnico do Barcelona voltou a ser notícia, ao integrar a lista unitária separatista que irá concorrer às próximas eleições na Catalunha, no dia 27 de setembro, como um dos 5 candidatos para o Parlamento[3].

O Governo da Catalunha nos últimos 4 anos trabalha em prol da separação da Espanha de forma intensa. Em novembro de 2014, chegou a celebrar um plebiscito não reconhecido pelo Governo Central de Madrid para consultar a população e houve uma clara vitória a favor da cisão. Após o plebiscito, o Presidente da Catalunha, o Sr. Artur Más, articulou uma série de alianças com os principais partidos para concorrer às eleições ao Parlamento e dar início ao processo de separação do Estado Espanhol, mediante um Governo de transição com uma pauta separatista.

A lista foi composta por Raul Romeva, representante dos ambientalistas de esquerda do Partido Iniciativa Para Catalunya; Carme Forcadel, da Assembleia Nacional da Catalunha, responsável por articular o movimento separatista e representante do processo legal;  Muriel Casals, da Òmnium Cultural, responsável pelas ações culturais e representante da cultura; Artur Mas,representante dos liberais do partido Convergência Democrática da Catalunha; Oriol Junqueres, representante do Partido Esquerda Republicana da Catalunha e, por último, o Sr. Josep Guardiola, como símbolo de coesão do nacionalismo catalão[4].

Dessa forma, vemos como diferentes setores da sociedade da Catalunha estão representados na lista e como o futebol é usado como ferramenta de coesão, bem como para incentivar a adesão social e sua participação no processo, sendo o nome da plataforma “Juntos pelo Sim”. Agora, espera-se para ver como esse jogo vai terminar.

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ImagemGuardiola enrolou bandeira da Catalunha no troféu quando ganhou a Liga dos Campeões da Europa e agora integra a lista para o parlamento catalão” (Fonte):

http://static.goal.com/132800/132881_heroa.jpg

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://copadomundo.uol.com.br/noticias/redacao/2014/07/04/motivos-para-a-selecao-alema-ser-considerada-a-mais-legal-da-copa.htm

[2] Ver:

http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/05/150527_entenda_fifa_lab

[3] Ver:

http://www.lavanguardia.com/politica/20150720/54433494970/pep-guardiola-ultimo-lugar-lista-unitaria-27s.html

[4] Ver:

http://www.lavanguardia.com/politica/20150720/54433506156/junts-pel-si.html