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Países africanos podem ter sido alvo de espionagem estadunidense

O jornal belga “De Standaard publicou, nesta semana, a informação de que países da África e do Oriente Médio teriam sofrido interceptação ilícita de suas comunicações, todavia, sem indicar a fonte que lhe teria fornecido tal dado. A invasão teria ocorrido no sistema de informática de telefonia da empresa “Belgacom”, que atua naquelas regiões. O que chama atenção é o fato de, pela acusação, o “crime” não ter sido cometido por hackers tradicionais, mas pelo governo dos “Estados Unidos”, nos moldes do que foi recentemente noticiado pelo fugitivo Edward Snowden, ex-agente contratado da “Agência Nacional de Segurança (NSA, em inglês), a qual, além das acusações que lhe pesam neste momento, teria também invadido o sistema da empresa belga.

O caso passou a ser investigado pela “Procuradoria Federal da Bélgica” em 19 de julho de 2013. O que se obteve de conclusões, até o momento, é que a interceptação só poderia ter sido efetuada por um hacker que tivesse consideráveis meios financeiros e logísticos, o que, de pronto, exclui a possibilidade de o agente ter sido uma simples pessoa física, trabalhado de sua residência e com modesto equipamento de computação. Ademais, “soma-se a isso a complexidade técnica do hacking (entre outros, o uso de um malware – programa mal intencionado – específico e de técnicas de encriptação avançadas) e a sua amplitude, e as investigações estão sendo levadas na direção de uma operação internacional de espionagem estatal[1].

Corroborando com as conclusões da acusação, a Procuradoria belga constatou que o objetivo da intervenção foi a busca de informações estratégicas, e não sabotagem ou criação de danos econômicos, como nos casos de hacker comuns. Cogita-se que a espionagem teria iniciado em 2011 e um fato que depõe contra a NSA é que esta demonstrava interesse por uma das filiais da empresa belga, a “Belgacom International Carrier Services” (BICS), pois esta “seria um ator importante na transferência de dados de voz, de mensagens de texto e tráfego de internet entre operadores de telefonia fixa ou móvel do mundo inteiro, em particular na África e no Oriente Médio[1].

Tais notícias deixam o governo norte-americano e o presidente Barack Obama em situação cada vez mais complicada, haja vista que, uma vez comprovadas as acusações, terão desrespeitado diversas regras de “Direito Internacional”, quebrado a confiança que vários países, governos e pessoas depositavam neles, bem como ficará clara a quebra de soberanias estatais, algo essencial nas relações internacionais.

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Imagem (Fonte):

http://2.bp.blogspot.com/-CMtrQfrO10Y/Udv_Oeoc3OI/AAAAAAAAQMs/ab16XWSEWEk/s1600/130708-EUA-Charge-Michael-Ramirez_Investors-Business-Daily-EUA-02.jpg

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Fontes consultadas:

Ver [1]:

http://www.africa21digital.com/politica/ver/20034190-estados-unidos-sao-suspeitos-de-interceptar-comunicacoes-da-africa-diz-operadora-belga

About author

Advogado (Unicuritiba). Pós-Graduado pela mesma instituição, em Direito Internacional. Realizou curso de aperfeiçoamento em Negócios Internacionais ("International Trade") no Holmes Institute, em Melbourne (Austrália). Mestrando em Ciência Política pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Atual membro da Comissão de Direito Internacional da OAB/PR.
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