NOTAS ANALÍTICASSAÚDE

Panorama de Segurança Alimentar e Nutricional da América Latina 2018

Pela primeira vez, quatro agências do sistema das Nações Unidas – a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e o Programa Alimentar Mundial (PAM) – uniram esforços para publicar um abrangente Panorama sobre a segurança alimentar e nutricional da América Latina. Lançado em 7 de novembro (2018), o relatório completou uma década de análise de dados sobre redução da fome e subnutrição em todas as suas formas, consolidando-se como o principal instrumento para a formulação de políticas relacionadas ao tema.

O principal tópico analisado nesta edição é a desigualdade, considerada como desafio fundamental para a região alcançar os objetivos postulados na Agenda para Desenvolvimento Sustentável de 2030. Assim, os dados apontam o aumento da migração, o crescimento das taxas de pobreza e a consequente deterioração das estimativas de fome que afeta, atualmente, 39,3 milhões de pessoas como reflexos da contração econômica, do conflito político em alguns países e do incremento dos desastres naturais.

Desde 2014, Argentina, Bolívia e Venezuela registraram aumentos na desnutrição, sendo o pior cenário vivenciado pelos 600 mil venezuelanos que ficaram sem ter o que comer ao longo do período 2014-2017. Portanto, configura-se a Venezuela como um dos Estados com o índice mais alto de subnutrição da América Latina e Caribe — são 3,7 milhões, ou 11,7% da população, em situação de insegurança alimentar.

No que se refere à subnutrição, Colômbia, República Dominicana, México e Haiti diminuíram seus índices nos últimos três anos, sendo as únicas quatro nações da região que conseguiram reduzir o problema continuamente desde 2014. Por outro lado, Brasil, Cuba e Uruguai são as três nações da região com porcentagens de fome abaixo de 2,5% de sua população. Nesse sentido, o Panorama sintetiza os principais problemas dos países latino-americanos no quadro abaixo:

Panorama de Segurança Alimentar e Nutricional 2018

Também, na América Latina, 19 milhões de mulheres (8,4%) passam fome, em comparação com 15 milhões de homens (6,9%). A anemia entre o público feminino em idade fértil, por exemplo, afeta aquelas que têm menos recursos financeiros. Por outro lado, em todos os países da região, a taxa de obesidade das mulheres adultas é maior que a dos homens.

Por fim, em se tratando das diferentes formas de má nutrição (estritamente, fome e sobrepeso), isso têm maior impacto sobre as pessoas de baixa renda, povos indígenas, afrodescendentes e famílias rurais que muitas vezes optam por produtos com alto teor de gordura, açúcar e sal, justamente aqueles que possuem preços mais baixos. A obesidade, portanto, se tornou a maior ameaça nutricional na América Latina e no Caribe, atingindo 3,6 milhões de pessoas.

Segundo o Panorama, o sobrepeso afeta 7,3% (3,9 milhões) de crianças menores de 5 anos de idade, um número que excede a média mundial de 5,6%. Também identifica que aquelas oriundas de famílias pobres sofrem três vezes mais nanismo.

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Nota:

* O Panorama de Segurança Alimentar e Nutricional 2018 (em espanhol) pode ser conferido na íntegra.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Segundo o Panorama, as populações indígenas da região sofrem maior insegurança alimentar do que as populações não indígenas. © FAO / Jules Tusseau” (Fonte):

http://www.fao.org/americas/noticias/ver/pt/c/1162212/

Imagem 2 Panorama de Segurança Alimentar e Nutricional 2018 (FAO)” (Fonte):

https://www.slideshare.net/FAOoftheUN/panorama-de-la-seguridad-alimentaria-y-nutricional-en-amrica-latina-y-el-caribe-2018

About author

Pós-graduanda em Estratégia e Relações Internacionais Contemporâneas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS, 2018-2019). Graduada em Relações Internacionais pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS, 2015), pela I Turma de Relações Internacionais – Turma Nelson Mandela. Ao longo da graduação, implementou o Centro Acadêmico de Relações Internacionais (CARI) da UNISINOS. Possui interesse na área de Segurança Internacional, Organizações Internacionais e Direito Internacional, especificamente, no Direito Internacional dos Refugiados e Migrações. Tem como experiência profissional assessoria técnica para o Governo do Estado do Rio Grande do Sul, na Secretaria do Planejamento, Governança e Gestão (SPGG, RS). Como articulista do CEIRI trabalha temas correlatos à América Latina.
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