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Paradiplomacia e o desenvolvimento turístico

No Brasil, tal qual ocorre no mundo todo, existem pequenas localidades que escondem verdadeiros tesouros e grande potencial, mas são eclipsadas pelas grandes metrópoles e polos turísticos consagrados.

Em países de grandes dimensões é comum a concentração de infraestrutura em determinados lugares, promovendo, dessa forma, uma massificação dos serviços e consequentemente uma polarização dos visitantes que chegam ao país.

Grandes potências turísticas concentram a maior parte de seus visitantes em regiões conhecidas e de fácil acesso, gerando o desenvolvimento desigual dos setores econômicos relacionados à infraestrutura do turismo e logística do lugar.

Alguns países lograram desenvolver projetos de promoção turística mais amplos, como são os casos de Espanha e Itália, o que, sem dúvidas, gerou o desenvolvimento mais homogêneo do setor, transformando o mesmo em uma das bases de suas economias.

O turismo é responsável por 9% do PIB mundial, sendo um dos setores que mais cresce e que apresenta maior dinamismo. Em lugares como França, Itália e Espanha, a atividade, além de ser uma importante fonte de recursos, é um importante gerador de empregos e vetor de desenvolvimento socioeconômico.

A promoção turística desses países funciona em duas frentes, uma é realizada através do Governo central e está amplamente relacionada com as atividades diplomáticas da nação, e outra é feita através da paradiplomacia.

Pequenas regiões utilizam a paradiplomacia para desenvolver projetos de promoção turística internacional e, dessa forma, ganhar maior visibilidade, consequentemente, maior desenvolvimento do setor. Muitas possuem até mesmo agências públicas especializadas na promoção turística da região, responsáveis por assinar acordos e parcerias com outras cidades e polos emissores de turistas.

Ilhas Canarias (na Espanha), Baviera (na Alemanha), Orlando (nos Estados Unidos), ou Lombardia (na Itália) possuem escritórios em diversas cidades do mundo com o objetivo de gerar projetos locais de atração para o turismo, seja este de lazer ou de negócios. Essas agências funcionam não somente como promotoras turísticas, mas também como ponte para as empresas do setor, tais como hotéis, restaurantes, agências de viagens e empresas de transporte.

No Brasil, na maioria dos casos, cada cidade possui um órgão que fomenta o turismo regional, como, por exemplo, a SPTuris de São Paulo ou a RioTur no Rio de Janeiro, porém suas margens de ação se limitam muitas vezes ao estado ou ao território nacional, delegando as ações no exterior para a Embratur.

Outras regiões não possuem nenhum tipo de agência especializada na promoção turística da região e sua exposição internacional acaba sendo reduzida, ou muitas vezes inexistente, o que impacta diretamente na demanda e, consequentemente, no desenvolvimento do setor.

Acrescente-se, também, que as ações da Embratur ainda são bastantes reduzidas, se comparadas ao potencial brasileiro, e ela prioriza destinos conhecidos, como o Rio de Janeiro, Salvador, Cidades Históricas de Minas ou as Cataratas do Iguaçu. É comum conhecer pessoas no exterior que jamais ouviram falar em Balneário Camboriú (curiosamente, o segundo maior destino do Brasil, em número de visitantes), dos Lençóis Maranhenses, ou das chapadas do interior brasileiro, devido à falta de promoção internacional.

O país recebe ao ano pouco mais de 6 milhões de pessoas, vulto pouco expressivo, se comparado, por exemplo, até mesmo com as Ilhas Baleares, que receberam mais de 11 milhões de turistas em uma área menor que a região metropolitana do Rio de Janeiro. Nesse caso expressivo, a atuação do Governo local e nacional na promoção turística da região gerou não somente um incremento exponencial da demanda, como também aumentou consideravelmente o fluxo de investimentos.

Com uma das maiores diversidades geográficas do mundo, o Brasil, sem dúvida, pode aspirar a duplicar e até mesmo triplicar o número de visitantes, mas, para isso, deverá usar as ferramentas adequadas e flexibilizar a ação dos governos locais. Até que isso se concretize, o país continuará sendo um gigante desconhecido, com apenas alguns pontos célebres. Por isso, avalia-se que paradiplomacia aplicada ao desenvolvimento turístico é uma solução prática, estando ainda fora das tensões políticas e dos interesses da capital.

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About author

Pesquisador de Paradiplomacia do IGADI - Instituto Galego de Análise e Documentação Internacional e do OGALUS - Observatório Galego da Lusofonia. Atuou como consultor internacional na área de Paradiplomacia para o Escritório Exterior de Comércio e Investimentos do Governo da Catalunha (ACCIÓ). Formado em Negociações e Marketing Internacional pelo Centro de Promoção Econômica de Barcelona, Bacharel em Administração pela Universidade Católica de Brasília, especialista pós-graduado em Ciências Políticas e Relações Internacionais pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo – FESPSP, MBA em Novas Parcerias Globais pelo Instituto Latino-americano para o Desenvolvimento da Educação, Ciência e Cultura e Mestrando em Políticas Sociais com especialidade em Migrações na Universidad de La Coruña (España), Mestrado em Gestão e Desenvolvimento de Cidades Inteligentes (Smartcities) da Universitat Carlemany do Principado de Andorra e doutorando em Sociologia e Mudanças da Sociedade Global. Fundador do thinktank CERES – Centro de Estudos das Relações Internacionais. Membro da Associação Internacional IAPSS para Estudantes de Ciências Políticas, do Smartcity Council, da aliança Eurolatina para Cooperação de Cidades, ECPR Consório Europeo de Pesquisa Política e da rede Bee Smartcities. Especialista em paradiplomacia, acordos de cooperação e transferência acadêmica e tecnológica, smartcities e desenvolvimento econômico e social. Morou na Espanha, Itália, França e Suíça e atualmente reside na região da Galícia (Espanha).
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