fbpx
NOTAS ANALÍTICASPARADIPLOMACIA

Paradiplomacia nos EUA, cada estrela tem seu próprio brilho

Após o final da Guerra Fria, houve uma intensificação da globalização e o surgimento de novos atores no cenário internacional, assim como novos temas na agenda mundial que permitiram uma maior flexibilidade e menor concentração na figura do Estado como único ator das relações internacionais.

Durante os anos 80 a paradiplomacia se fortaleceu como área na qual os atores subnacionais e regionais atuam no cenário internacional, ora em sintonia com a diplomacia exercida pelo Estado, ora defendendo seus interesses próprios, expandindo-se rapidamente pelo mundo.

Nos Estados Unidos, a paradiplomacia é usada como ferramenta complementar à diplomacia oficial e a legislação americana permite a atuação internacional das unidades que compõe a federação dentro dos limites estabelecidos pela constituição no Art.1, Seção 10, parágrafo 3[1], não sendo possível realizar Tratados ou Acordos Internacionais e havendo a necessidade de alinhar as atividades paradiplomáticas às realizadas pelo Congresso e pelo Presidente.

Dessa forma, mais de 42 estados americanos atualmente possui cerca de 300 representações e escritórios em diversos países do mundo[2], no intuito de reforçar as políticas implementadas pela diplomacia oficial e aumentar a representação de suas economias em polos estratégicos.

O aumento das atividades paradiplomáticas no Estados Unidos se justifica por duas razões: A primeira é aumentar a representação da economia dos estados frente a crescente competitividade mundial e atuar de forma localizada em polos onde existe uma sinergia devido à natureza das atividades políticas, culturais e econômicas de uma região. Dessa forma, é possível entender como um estado americano produtor de tecnologia amplia suas relações com outras regiões no mundo que se dedicam a mesma atividade, ou com potenciais mercados consumidores. O outro motivo é que a paradiplomacia permite diluir os gastos da dispendiosa diplomacia oficial, permitindo uma atuação rápida, efetiva e menos custosa que a exercida pelo Estado central, evitando ainda o conflito de interesses internos dentro do país, que tende a aumentar com a própria dinâmica econômica e com a globalização.

A atual agenda internacional está permeada por assuntos de diversas naturezas e a paradiplomacia pode ser usada como uma importante ferramenta pelos países na consecução de seus objetivos. Dentro de um mesmo país, uma metrópole de milhões de habitantes como Nova York pode negociar com outras metrópoles sobre temas de transporte e energia, e regiões agrícolas como os estados do interior dos Estados Unidos podem negociar por outro lado uma agenda de desenvolvimento agrário ou ambientalista, sem interferir uma na outra e inviabilizar o projeto devido ao conflito de interesses que podem surgir pela divergência de pautas.

A ramificação das atividades diplomáticas e sua distribuição mediante a paradiplomacia e pela atuação de outros atores do cenário global é uma realidade que pode aumentar a competitividade de uma nação em tempos como os atuais, em que as grandes negociações estão engessadas devido ao conflito de interesse dos grandes players mundiais e devido às mudanças na dinâmica global que enfrenta a humanidade, aumentando, assim, a capacidade de resposta de um país.

Nesse sentido, a paradiplomacia dos Estados Unidos parece avançar mais rapidamente que a diplomacia oficial permitindo com que muitos estados consigam consolidar seus projetos e suas metas, como no caso da Califórnia, que já se transformou em uma das maiores economias do continente[3], dando exemplo a outras regiões do mundo de como atuar, somando ao vigor da conhecida diplomacia americana o brilho individual de cada um dos seus estados.

———————————————————————————————–

Imagem “American Flag” (Fonte Timeslive.co)

———————————————————————————————–

Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://constitutionus.com/

[2] Ver Social Science Network:

http://poseidon01.ssrn.com/delivery.php?ID=289004112008114088018126110096021099025007057017006013098023074026017102009087091105005060043107058047118069064091087001001116019059007023093124001069075013097110011091032002072106083011115008101008123030098070118024016005119073119009093087115096000&EXT=pdf&TYPE=2

[3]  Ver:

http://www.infomoney.com.br/bloomberg/mercados/noticia/3811721/california-supera-brasil-como-economia-mundial

About author

Pesquisador de Paradiplomacia do IGADI - Instituto Galego de Análise e Documentação Internacional e do OGALUS - Observatório Galego da Lusofonia. Atuou como consultor internacional na área de Paradiplomacia para o Escritório Exterior de Comércio e Investimentos do Governo da Catalunha (ACCIÓ). Formado em Negociações e Marketing Internacional pelo Centro de Promoção Econômica de Barcelona, Bacharel em Administração pela Universidade Católica de Brasília, especialista pós-graduado em Ciências Políticas e Relações Internacionais pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo – FESPSP, MBA em Novas Parcerias Globais pelo Instituto Latino-americano para o Desenvolvimento da Educação, Ciência e Cultura e Mestrando em Políticas Sociais com especialidade em Migrações na Universidad de La Coruña (España), Mestrado em Gestão e Desenvolvimento de Cidades Inteligentes (Smartcities) da Universitat Carlemany do Principado de Andorra e doutorando em Sociologia e Mudanças da Sociedade Global. Fundador do thinktank CERES – Centro de Estudos das Relações Internacionais. Membro da Associação Internacional IAPSS para Estudantes de Ciências Políticas, do Smartcity Council, da aliança Eurolatina para Cooperação de Cidades, ECPR Consório Europeo de Pesquisa Política e da rede Bee Smartcities. Especialista em paradiplomacia, acordos de cooperação e transferência acadêmica e tecnológica, smartcities e desenvolvimento econômico e social. Morou na Espanha, Itália, França e Suíça e atualmente reside na região da Galícia (Espanha).
Related posts
ÁSIAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Fundo Monetário Internacional estima crescimento da economia chinesa em quase 2%, contrariando tendência mundial

NOTAS ANALÍTICASPOLÍTICAS PÚBLICASSAÚDE

Conselho Europeu se reúne para tratar de ação conjunta europeia para combater a COVID-19

NOTAS ANALÍTICASPARADIPLOMACIA

As cidades mais caras da América Latina

NOTAS ANALÍTICASPOLÍTICAS PÚBLICASSAÚDE

Resposta à COVID-19 nas Américas pode sofrer transformação a partir de novos testes rápidos

Receba nossa Newsletter

 

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Open chat
Olá!