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Com uma população estimada em pouco mais de 79 milhões de habitantes, a maior entre os países da região do Oriente Médio, o Irã é reconhecido mundialmente por seu regime e governo teocrático – islâmico xiita – e por possuir enormes reservas de hidrocarbonetos, a exemplo do petróleo e do gás natural, que são a quarta e segunda maiores reservas comprovadas do mundo, respectivamente. No que diz respeito especificamente ao gás natural, o país detém o equivalente a 17% do total mundial, atrás somente da Rússia, com pouco mais de 24%, e seguido por outros grandes detentores como o Catar (com 12%), os Estados Unidos da América – EUA (com 5,5%) e o Turcomenistão (com 5%).

Apesar de privilegiado quanto a posse de hidrocarbonetos, ao contrário do petróleo, quando se trata do gás natural a participação iraniana no mercado internacional é praticamente irrelevante. Atualmente, suas exportações representam menos de 1% do todo deste mercado. O principal motivo para que isto ocorra, mesmo com o Irã ocupando o posto de terceiro maior produtor do planeta, sendo superado apenas pelos EUA e pela Rússia, é que grande parte de sua produção é direcionada para atender a demanda interna, que corresponde a aproximadamente 40% de toda a região do Oriente Médio, além de ser a quinta maior a nível global atrás somente de EUA, Rússia e China. Ressalte-se que o gás natural é a principal fonte de energia utilizada pelo Irã, sobrepujando o petróleo e seus derivados, respondendo por pouco mais de 3/5 do seu consumo interno, tendo como principais setores demandantes do recurso as residências, as centrais elétricas e a indústria.

Outro motivo que dificulta a comercialização do gás natural iraniano para o mercado externo é a falta de infraestrutura adequada para exportar gás natural liquefeito (GNL). O GNL é o gás natural em forma líquida, que é congelado a uma temperatura de aproximadamente -160o Celsius e que, neste estado, possibilita um armazenamento mais prático e econômico, facilitando, assim, o transporte por via marítima através de longas distâncias sem a necessidade de gasodutos. Aliás, o mercado de GNL é dominado quase que completamente pelo Catar que, sozinho, responde por cerca de um terço das exportações ao redor do globo. O Irã, por sua vez, é um exportador estritamente regional e o destino do seu excedente de produção é vendido através de gasodutos para países vizinhos como a Turquia, Armênia e Azerbaijão.

Antes mesmo do levantamento das sanções impostas pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, em janeiro de 2016, que tinham sido aplicadas por conta de seu Programa Nuclear, a National Iranian Gas Company (NIGC) – companhia nacional iraniana de gás, subordinada ao Ministério do Petróleo – já havia demonstrado interesse em ampliar o investimento no setor e entrar no mercado internacional de GNL para exportar para o Leste Asiático e para a Europa. Todavia, é possível conjecturar que, para o Irã se tornar um grande exportador dessa fonte de energia, serão necessários não somente investimentos em tecnologia e infraestrutura, mas, sobretudo, aplicação de capital em eficiência de consumo e redução da demanda interna.  

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Imagem (Fonte):

https://s3.eu-central-1.amazonaws.com/euobs-media/482394c806080389f9dcb17b2486511d.jpg

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Dados Consultados:

[1]OPEC Annual Statistical Bulletin 2016”. Disponível em:

http://www.opec.org/opec_web/en/publications/202.htm

[2]BP Statistical Review of World Energy June 2016”. Disponível em:

http://www.bp.com/en/global/corporate/energy-economics/statistical-review-of-world-energy.html

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About author

Graduado em Relações Internacionais pelo Centro Universitário da Cidade (UniverCidade) e mestre em História Comparada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Desde 2013 pesquisador de geopolítica pelo Laboratório de Simulações e Cenários (LSC) da Escola de Guerra Naval da Marinha do Brasil (EGN/MB), onde escreve sobre temas relacionados ao Oriente Médio para o Boletim Geocorrente. Principais ramos de atuação: Relações Internacionais, História, Geopolítica do Petróleo e do Oriente Médio.
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