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NOTAS ANALÍTICASSegurança Internacional

Parentes de uigures desaparecidos se reúnem em Washington

Os uigures são uma minoria islâmica da Região Autônoma de Xinjiang, localizada no extremo oeste da China. Pertencem à etnia turca dos povos da Ásia Central e falam dialeto próprio. O Partido Comunista da China (PCCh) governa Xinjiang desde 1949, logo depois que a China anexou o efêmero Estado uigur do Turquestão Oriental. Os uigures sempre ressentiram o influxo de chineses da maioria han na região e alguns realizaram ataques terroristas contra os han em 2009 e 2017. Ao longo dos anos, Pequim impôs diversas medidas que prejudicaram as atividades religiosas, comerciais e culturais deste grupo étnico.

Uigures em mercado na cidade de Kashgar, em Xinjiang

No domingo (24 de março), aproximadamente trinta parentes de alguns dos supostos 1 milhão de uigures e outros grupos étnicos islâmicos que estão detidos* falaram em um evento em Washington sobre as alegadas prisões em massa, a fim de conscientizar o público americano acerca dessa situação que eles acusam ser uma violação de direitos humanos, mas Pequim afirma ser uma forma de contenção do extremismo religioso violento, conforme informa o jornal South China Morning Post.

Inauguração de campo de reeducação em Lopnur, Xinjiang

A atual situação dos muçulmanos chineses remonta a 2016, quando o líder do Partido Comunista do Tibete, Chen Quanguo, assumiu o seu novo posto em Xinjiang. Conforme foi disseminado na mídia, os uigures foram orientados a conceder amostras de biometria e de DNA para as autoridades. Da mesma forma, também se afirma que os sistemas de vigilância aumentaram na região. Há informações de que o governo estabeleceu mais de 7.300 estações policiais de monitoramento  e rondas ostensivas de guardas patrulham as cidades da província revistando os muçulmanos. Atualmente, as autoridades estão testando sistemas de reconhecimento facial em diversas localidades da região.

Urumqi, capital de Xinjiang

Existe o fator de que Xinjiang está localizada no coração da Iniciativa do Cinturão e Rota (ICR), o amplo projeto internacional de infraestrutura lançado por Xi Jinping em 2013. O governo chinês investiu vastas somas de dinheiro construindo cidades na província para atrair empresas e estimular o crescimento nesta região relativamente atrasada. Preocupações acerca da segurança local poderiam prejudicar o investimento. Pequim continuará a governar Xinjiang com o intuito de assegurar aos investidores que é um lugar seguro para se viver e trabalhar. Aparentemente, o país está adotando uma política específica para a região, visando mantê-la sob controle.

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Fontes das Imagens:

* Conforme está sendo disseminado na mídia eles estão presos sem acusações.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Detentos em um campo de reeducação no Condado de Lop, em Xinjiang (abril de 2017)” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/Xinjiang_re-education_camps#/media/File:Xinjiang_Re-education_Camp_Lop_County.jpg

Imagem 2 Uigures em mercado na cidade de Kashgar, em Xinjiang” (Fonte): https://commons.wikimedia.org/wiki/Category:Uyghur_people#/media/File:Kashgar_Uyghur_People.jpg

Imagem 3 Inauguração de campo de reeducação em Lopnur, Xinjiang” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/Xinjiang_re-education_camps#/media/File:Opening_Ceremony_of_a_re-education_camp_in_Lopnur_County.jpg

Imagem 4 Urumqi, capital de Xinjiang” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/5a/Urumqi.jpg

About author

Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Ciência Política da Universidade de São Paulo (USP). Bacharel em Relações Internacionais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Durante a graduação, foi bolsista do Programa Santander Universidades na Universidade de Coimbra, em Portugal. Integra o Grupo de Pesquisa Pensamento e Política no Brasil da Universidade de São Paulo. Tem experiência na área de Ciência Política, com ênfase nas linhas de pesquisa de Pensamento Político Brasileiro e de Relações Internacionais, atuando principalmente nos estudos sobre Política Doméstica e Externa da China, Segurança Internacional, Diplomacia e Diásporas Asiáticas. Associado à Midwest Political Science Association (MPSA).
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