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Partido governante da Rússia perde espaço no Parlamento de Moscou

No último dia 8 de setembro (2019), os eleitores russos foram às urnas para eleger os representantes municipais e regionais do Parlamento da Federação Russa, em eleições que ocorreram em todo o país.

Logo do partido político Rússia Unida

Com o resultado dessas eleições, o partido governista Rússia Unida, que apoia o presidente Vladimir Putin, perdeu cerca de um terço de seus assentos na Câmara de Moscou, mas, apesar das perdas, manteve a maioria simples da casa, ocupando 26 dos 45 assentos.

Em Moscou, o Partido Comunista Russo tomou assentos do Rússia Unida, pulando de cinco para dez cadeiras, enquanto que outras duas siglas, o Partido Democrático Unificado Russo, Yabloko (de oposição e pró-Ocidente), e o Partido Rússia Justa, elegeram cada um dos três legisladores. No restante da nação, no entanto, Putin confirmou sua força, pois, nas 16 regiões que renovaram seus governadores, todos os candidatos apoiados pelo Kremlin tiveram êxito no pleito eleitoral.

Líder da oposição – Alexei Navalny

Para analistas políticos, o resultado do pleito nessas eleições regionais foi um forte revés para Putin, onde quase metade da Duma (Câmara Baixa da Rússia, que corresponde, com as devidas proporções, e de acordo com os respectivos sistemas políticos, à Câmara dos Deputados do Brasil) passa a ser controlada por candidatos de partidos da oposição, representando um impacto significativo para o Governo. Parte desse processo foi devido ao apelo do líder da oposição radical, Alexei Navalny, que conclamou a população a votar de “forma inteligente”, ou seja, apoiando os candidatos mais bem posicionados que não fossem suportados pelo Kremlin, além do fato de o comparecimento ao pleito eleitoral ter sido muito baixo, em torno dos 22% de eleitores registrados, sinal de que a população não viu, nos candidatos, pessoas capazes de lhes representarem politicamente.

As eleições se deram em meio a manifestações que vem ocorrendo desde julho (2019) contra a proibição de candidaturas da oposição ao Parlamento da capital russa. Estas concentrações, a maioria não autorizada pelo governo, terminaram em cerca de 2.700 detenções. Trata-se de um número inédito desde as manifestações de 2011 e 2012 que antecederam o retorno de Putin à Presidência, após um mandato como Primeiro-Ministro. Segundo a diretora do “think tank” R.Politik, Tatiana Stanovaia, a campanha para as eleições locais refletiu um afastamento crescente entre as autoridades preocupadas com preservar o status quo e uma parte da população que pede por mudança política.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Duma Assembleia dos Deputados da Rússia” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Duma_Federal#/media/Ficheiro:ФракцияЕРВЗалеПленарныхЗаседанийГД.JPG

Imagem 2 Logo do partido político Rússia Unida” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Política_da_Rússia#/media/Ficheiro:Logo_Rússia_Unida.png

Imagem 3 Líder da oposição Alexei Navalny” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Alexei_Navalny#/media/Ficheiro:Alexey_Navalny.jpg

About author

Bacharel em Ciências Econômicas pelo Centro Universitário da Fundação Santo André (CUFSA) e pós-graduado em Economia pela FEA-USP (MBA). Habilitado em Iniciação Científica em Defesa, pela Escola Superior de Guerra (ESG-RJ), e Especialista em Docência no Ensino Superior (SENAC). Atuou durante 7 anos como educador no Projeto Formare da Fundação Iochpe, ministrando aulas sobre Ética, Sociedade, Política e Democracia. Atualmente, é pós-graduando em Política e Relações Internacionais pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP). Tem grande interesse nas áreas de Geopolítica, Relações Internacionais e Economia Política Internacional
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