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Pequim planeja construir base estratégica no Mar do Sul da China

A China clama soberania sobre a maior parte do Mar do Sul da China por meio de sua “linha de nove traços” (“nine-dash line”, em inglês), que abrange as Ilhas Pratas, as Ilhas Paracel, as Ilhas Spratly e o Atol de Scarborough. A área é estratégica por ser uma das principais zonas de transporte de mercadorias do Leste da Ásia, além de ser rica em petróleo cru e gás natural. A zona está em litígio com o Vietnã, a Indonésia, a Malásia, Brunei, as Filipinas e Taiwan.

Linha de Nove Traços’, defendida pela China

O governo chinês planeja construir uma base estratégica de logística e serviços na Ilha Woody (Yongxing, em mandarim), a maior do arquipélago das Ilhas Paracel, e duas ilhas artificiais, Tree e Drummond (Zhaoshu e Jinqing, em mandarim), nas águas em disputa do Mar do Sul da China, relata o jornal South China Morning Post. O projeto será implementado pela cidade de Sansha, localizada na província de Hainan, que também é o território mais meridional da China.

Na sexta-feira (15 de março), o Secretário do Partido Comunista de Sansha, Zhang Jun, afirmou que o plano de desenvolvimento da base e das ilhas artificiais origina-se a partir de uma diretiva do governo central lançada em abril de 2018, na ocasião do trigésimo aniversário da província de Hainan. Zhang também declarou: “Nós precisamos planejar cuidadosamente o desenvolvimento integral das ilhas e recifes baseado nas suas diferentes funções e levando em consideração seu relacionamento complementar”.

Ilha artificial Fiery Cross Reef, dotada de sistemas de radares e antimísseis, no arquipélago das Ilhas Spratly

Pequim construiu sete ilhas artificiais em áreas em litígio com outros países no Mar do Sul da China, criando mais de 128 milhões de metros quadrados de terra nova para o país, e clama a existência de zonas marítimas chinesas em torno dessas ilhas. O governo chinês tem militarizado a região de forma intensa desde 2014, por meio da instalação de radares submarinos, depósitos de armas e mísseis antinavio nas Ilhas Spratly.

Ao mesmo tempo, os Estados  Unidos  estão alarmados com a expansão da zona de influência chinesa no Pacífico, o que cria vulnerabilidades para a sua segurança, podendo comprometer as redes de comunicação e as rotas de navegação na região, constrangendo sua habilidade de trabalhar com seus aliados. A Marinha americana realizou duas operações de liberdade de navegação no Mar do Sul da China, em janeiro e em fevereiro de 2019, como forma de protestar contra a objeção chinesa de que veículos militares estrangeiros naveguem nas proximidades ou sobrevoem suas ilhas.

Os interesses das duas grandes potências no Mar do Sul da China têm o potencial de colocar Pequim e Washington em rota de colisão, tornando o Leste da Ásia uma região cada vez mais volátil e que pode desestabilizar a segurança do sistema internacional como um todo.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Vista aérea da Ilha Woody, no arquipélago das Ilhas Paracel” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/3/3c/Aerial_view_of_Woody_Island.jpg

Imagem 2 Linha de Nove Traços’, defendida pela China” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/Nine-Dash_Line#/media/File:South_China_Sea_Claims_and_Boundary_Agreements_2012.jpg

Imagem 3 Ilha artificial Fiery Cross Reef, dotada de sistemas de radares e antimísseis, no arquipélago das Ilhas Spratly” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/Fiery_Cross_Reef#/media/File:Fiery_Cross_Reef_2015.jpg

About author

Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Ciência Política da Universidade de São Paulo (USP). Bacharel em Relações Internacionais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Durante a graduação, foi bolsista do Programa Santander Universidades na Universidade de Coimbra, em Portugal. Integra o Grupo de Pesquisa Pensamento e Política no Brasil da Universidade de São Paulo. Tem experiência na área de Ciência Política, com ênfase nas linhas de pesquisa de Pensamento Político Brasileiro e de Relações Internacionais, atuando principalmente nos estudos sobre Política Doméstica e Externa da China, Segurança Internacional, Diplomacia e Diásporas Asiáticas. Associado à Midwest Political Science Association (MPSA).
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