AMÉRICA DO NORTEANÁLISES DE CONJUNTURA

Perspectivas sobre os Estados Unidos de 2014

De acordo com análises internacionais, o ano de 2014 nos “Estados Unidos” tende a adquirir a conotação de mudança no âmbito de suas políticas interna e externa, na esfera ideológica e, principalmente, na área econômica.

Na contramão das políticas dos anos 80 que culminaram no combate às drogas, em atitudes beligerantes contra o “Bloco Soviético” e seu modo de produção “socialista” e no consumismo desenfreado que foi a base da economia norte-americana até o início do século XXI, o ano de 2014 se inicia com a possibilidade de um novo prognóstico, fomentado principalmente pelo declínio da recessão (2008-2012) que assolou o sistema internacional.

Diante desse quadro de reconstrução, os “Estados Unidos” do presente e do futuro tendem a sofrer transformações profundas na tentativa de se adaptar aos novos cenários internacionais que estão se formando após um período de desequilíbrio financeiro. Nesse sentido, parte dessas mudanças será a energia motriz para que o sistema internacional saia da crise e retome o caminho do crescimento econômico.

Como parte desse plano, algumas medidas pouco convencionais já são vistas na prática desde o primeiro dia desse novo ano de 2014 nos Estados Unidos, numa sensível, mas importante mudança de mentalidade sobre temas considerados polêmicos na sociedade e na comunidade política estadunidense. O Obamacare a nível nacional e a “legalização da maconha” no estado do Colorado são exemplos do surgimento de uma nova mentalidade social que emergiu em tempos de crise e trouxeram à luz do debate a real eficiência dos planos de saúde e do combate às drogas no plano interno.

Muitos norte-americanos não têm acesso à saúde de qualidade e o Obamacare é visto como a ferramenta que permitirá o ingresso dos cidadãos, principalmente daqueles que vivem à margem da sociedade. Para muitos especialistas no assunto, a guerra contra as drogas é vista como perdida. Mais de US$ 1 trilhão gasto e nenhuma mudança significativa nos índices de violência, consumo e tráfico. Em vista dos prejuízos, alguns modelos de legalização estão sendo implantados a “conta gotas”, a fim de verificar o real efeito social sobre a liberação de determinadas substâncias.

Segundo alguns economistas, no plano econômico, os “Estados Unidos” podem superar a crise financeira ainda no primeiro semestre de 2014, pois há um reequilíbrio no nível de emprego, com uma média mensal de quase 200 mil novos postos de trabalho por mês em 2013, refletindo diretamente na produção industrial e na construção civil. Dentro dessa ótica de prosperidade, mais emprego significa mais gastos, algo que reflete no aumento do volume de emprego para atender a crescente demanda. Há ainda o “boom energético” do petróleo, da matriz eólica e do gás de xisto que pode alavancar o país ao status de exportador energético, abrir portas para mais empregos e consolidar sua posição como potência no segmento, acarretando na redução dos custos de importação de hidrocarbonetos de países do “Oriente Médio”, por exemplo.

No que tange a conjuntura política, provavelmente as mudanças elucidadas na campanha presidencial de  Barack Obama  em 2008 podem ser concretizadas. Acredita-se que não haverá nesse ano um embate acalorado entre democratas e republicanos nas eleições parlamentares que ocorrerão no fim de 2014, deixando o caminho livre para Obama colocar em prática alguns planos de governo que ainda estão travados devido às diferenças ideológicas entre os dois principais partidos

Em política externa, o ano deverá ser de reconstrução da imagem dos “Estados Unidos” através de uma estratégia voltada mais para os preceitos diplomáticos procurando abrandar as tensões com a “Coréia do Norte” sobre seu programa nuclear, a “Crise Sino-Japonesa” por conta das “Ilhas de Senkaku/Diaoyu”, a “Guerra Civil na Síria”, bem como manter as negociações do “Programa Nuclear Iraniano”, além de projetar mais uma tentativa de costurar um acordo definitivo de paz entre israelenses e palestinos. Isso fará com que esse novo ano possa ser um provedor de políticas internacionais que busquem o equilíbrio nas relações e projete aproximação em alguns desses casos, consequentemente, possibilidade de parceria de cunho comercial.

No plano político internacional, a modalidade de atuação dos “Estados Unidos” prevê relações mais brandas. Na esfera do comércio internacional, 2014 será um ano de fortes e ousadas estratégias, dentre as quais a formalização de uma política idealizada desde o fim da “Segunda Guerra Mundial”. Tal qual a “OTAN” adquiriu uma estatura ampla em relação à defesa do hemisfério ocidental, uma “Área de Livre Comércio” entre “Estados Unidos” e “União Europeia” promete ser uma construção reestruturadora da economia. Só que em escala mundial e, por isso, um dos grandes temas da agenda internacional deste ano, uma vez que tal aproximação bilateral tende a se constituir num dos maiores acordos da história, capaz de alavancar em 0,5% o PIB da União Europeia” e em iguais proporções o dos “Estados Unidos”, conforme alguns estudos prévios já divulgados.

Embora essa possibilidade de acordo bilateral transatlântico seja uma tentativa enriquecedora do ponto de vista monetário, existem muitas barreiras que podem travar o sucesso dessa empreitada. Ainda não há consenso sobre vários temas, tais como proteção a propriedade intelectual, a padronização de normas para segurança alimentar (a Europa não aceita produtos transgênicos, já os “Estados Unidos” são tolerantes), além da eliminação das barreiras alfandegárias e da facilidade na promoção do intercâmbio comercial.

Todavia, já é notório que a “Área de Livre Comércio” visa projetar sua força para fora de suas esferas de influência, ou seja, a estratégia por trás dessa iniciativa é colocar de volta a Europa e os “Estados Unidos” no comando das atividades comerciais internacionais, sendo isso um recado direto à China que projeta sua força com muita competência no sistema internacional.

De negativo por enquanto, de acordo com estudos preliminares encomendados por agências de risco, está a possível derrocada da “Organização Mundial do Comércio” (OMC), com a crescente tendência da regionalização do comércio internacional, preterindo iniciativas multilaterais orquestradas por esse órgão de regulação. Alinhada a essa perspectiva está à dificuldade que países considerados em desenvolvimento, como o Brasil, a Índia, a “África do Sul” e a própria China terão que enfrentar para se inserirem dentro desse gigantesco mercado.

Apenas com a evolução dos dias será possível verificar o real enquadramento desses cenários no plano prático. No entanto, um fator é perceptível nessesEstados Unidosde 2014: a busca por um ideário novo, uma nova perspectiva que, se bem sucedida, deverá ser a receita para o restante dos atores internacionais, consolidando ainda mais seu papel proeminente diante daqueles que tem dúvidas de que osEstados Unidosainda serão por um longo período da história o centro das decisões políticas, econômicas e sociais da sociedade internacional.

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Imagem (Fonte):

Ver:

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,estados-unidos-e-europa-preparam-a–maior-area-de-livre-comercio-do-mundo-,996737,0.htm

Ver:

http://www.abia.org.br/anexos2012/7e5da851-535a-47a4-ac5d-07bd247ef374.pdf

Ver:

http://www.dw.de/eua-e-ue-se-empenham-por-zona-transatl%C3%A2ntica-de-livre-com%C3%A9rcio/a-16585034

Ver:

http://www.dw.de/para-especialistas-livre-com%C3%A9rcio-entre-ue-e-eua-n%C3%A3o-resolver%C3%A1-problemas-econ%C3%B4micos/a-16889816

About author

Bacharel em Relações Internacionais (2009) pela Faculdades de Campinas (FACAMP), Especialista em Direito Internacional pela Escola Paulista de Direito (EPD) e Especialista em Política Internacional pelo CEIRI (Centro de Estratégia, Inteligência e Relações Internacionais). Atuou em duas grandes multinacionais do setor de tecnologia e na área de Cooperação Internacional na Prefeitura Municipal de Campinas com captação de recursos externos, desenvolvimento de projetos na área econômica e comercial e buscando oportunidades de negócios para o município. Foi Consultor de Novos Negócios na Avanth International em Campinas/SP e atualmente é Analista de Foreign Trade e Customer Care na Novus International Inc. Escreve sobre América do Norte com foco nos Estados Unidos.
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