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NOTAS ANALÍTICAS

Pesquisa eleitoral aponta Chávez na liderança

Em pesquisa eleitoral realizada na Venezuela entre os dias 23 e 27 de julho pelas AgênciasInstituto Venezolano de Análises de Dados” (IVAD) e Hinterlaces e anunciadas no domingo, dia 5 de julho, foi apresentado que o atual mandatário do país, Hugo Chávez, se mantém na frente do candidato opositor Henrique Capriles*.

O resultado foi apresentado pelo jornalista e ex-vice-presidente do país, Vicente Rangel, na cadeia de televisão Teven. Pelos resultados, Chávez está em média 31,4% à frente do segundo colocado nos Estado de Yaracuy, Anzoátegui e Cojedes, onde estão no poder três governadores do “Partido Socialista Unido da Venezuela” (PSUV), Partido de Hugo Chávez. Em Yaracuy e Cojedes, Chávez tem 65% e 60%, respectivamente, contra 21,8% e 32% de Capriles, segundo a IVAD. Em Anzoátegui, pela Hinterlaces, Chávez teria 49% contra 26% de Capriles. Foram entrevistadas 3.851 pessoas.

 

Também foram apresentadas pesquisas de avaliação da sua administração. Em Yaracuy, 85,5% a considera positiva. Em Anzoátegui, o resultado apresentou 66% e em Cojedes o índice foi de 84%. Para o IVAD é “positivo” o que a avaliação que for considerada “excelente, boa e boa para regular”.

Observadores apontam que os resultados favoráveis ao Presidente podem estar sendo conduzidos pela controle exercido pelo Estado em relação à Sociedade, pelo controle que Chávez tem sobre os poderes e instituições do Estado venezuelano, bem como pelo controle que há sobre a imprensa.

Especulam ainda que ele tem contado com um intenso e competente conjunto de profissionais de marketing político que o auxiliam a conduzir seus discursos de forma a anular as críticas. Um exemplo dessa condução estratégica do discurso vem ocorrendo no reconhecimento dos erros administrativos que possa ter cometido. O objetivo é esvaziar as acusações que receberá e centrar foco na reivindicação de mais tempo para terminar a tarefa que iniciou

Em seu oitavo comício eleitoral, por exemplo, ele afirmou: “Às vezes não fomos eficientes em dar as respostas às necessidades do povo. Eu me comprometo que o próximo governo será melhor que este que está para terminar”**.

Acreditam ele e os assessores que esta forma de conduzir o argumento anulará acusações de Capriles como esta de que “Utilizamos [a Venezuela, no caso o Governo de Chávez] os recursos para arrumar os rumos de outros países, para dar emprego a outras pessoas em outros países. Este governo tem a Venezuela em ordem alfabética. Primeiro a Argentina e os demais países”**.

Além disso, o grupo presidencial tem orientado o candidato Chávez a apontar a imprensa que ele ainda não conseguiu controlar como responsável por não informar corretamente e não divulgar as obras feitas pelo seu Governo ao longo dos anos. Ele vem afirmando: “Os meios de comunicação só obedecem aos interesses dos seus donos que são da direita. Devemos continuar dando a conhecer a obra da revolução”***, existindo um “déficit comunicacional grande”***.

Neste exato momento, as queixas do Presidente surgem como respostas às queixas do candidato opositor que solicitou ao “Conselho Nacional Eleitoral” que regule as transmissões simultâneas e obrigatórias de rádio e televisão, pois, de acordo com ele, as declarações de Chávez nestes programas tem fins eleitorais. Ou seja, o tempo de propagando do governante está multiplicado em relação ao da Oposição.

Analistas acreditam que Chávez tem maioria das intenções de voto, mas não conseguem avaliar nem medir a real diferença que existe, nem se ela poderá ser revertida, pois, segundo tem sido apontado por muitos observadores internacionais, as informações são fragmentadas, estão sob controle, da mesma forma que as pesquisas anunciadas podem estar sendo direcionadas.

Além disso, há um risco elevado de o Presidente estar recebendo apoio indevido e mesmo externo, tal qual houve acusação de que os Presidentes do MERCOSUL tiveram como objetivo impactar em sua eleição ao votar a inclusão da Venezuela no Bloco.

Por esse conjunto de razões, os analistas não podem construir cenários precisos, mas apenas estimar que o mandatário realmente está na frente devido ao grupo de fatores que o favorece, embora também acreditem na possibilidade de uma alavancagem da oposição tal qual ocorreu nas eleições legislativas, já que as informações são imprecisas para medir se é real a fraqueza dos opositores, conforme Chávez tem declarado. No entanto, ainda assim, não acreditam que Chávez perderá, pois suas vantagens e controles da sociedade são desproporcionais.

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Fontes:

* Os dados foram retirados de:

http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/23483/novas+pesquisas+eleitorais+confirmam+lideranca+de+chavez+na+venezuela.shtml

** Ver:

http://www1.folha.uol.com.br/mundo/1132001-chavez-admite-falhas-de-seu-governo-e-promete-mais-eficiencia.shtml

*** Ver:

http://www.jn.pt/PaginaInicial/Mundo/Interior.aspx?content_id=2705749

About author

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.
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