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PNUD combate violência contra as mulheres no Sudão do Sul

Recentemente, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) noticiou que, em parceria com o Governo do Sudão do Sul, com o Fundo Global de Luta contra Aids, Tuberculose e Malária, e com a Organização Internacional para as Migrações (OIM), está trabalhando pelo desenvolvimento de programas de auxílio mental e psicossocial às mulheres vítimas de violência de gênero no Sudão do Sul, em especial àquelas deslocadas de sua terra natal por conta da guerra civil que ocorre no país, considerado o mais novo do mundo, após sua emancipação do Sudão em 2011.

O PNUD ressalta que a criação desse projeto é relevante, pois a violência contra as mulheres afeta não somente o físico, mas também as emoções e sua sexualidade, tornando-as mais vulneráveis, por exemplo, a contrair Aids. Além disso, seu lançamento ocorre justamente na semana em que é conclamado pela Organização das Nações Unidas (ONU) o Dia Laranja pelo Fim da Violência contra as Mulheres, celebrado todo dia 25 de cada mês. 

Mulheres refugiadas do Sudão do Sul

O último relatório do PNUD mostra que cerca de 475 mil mulheres e meninas estão sob risco de violência de gênero. Em março de 2016, a imprensa internacional repercutiu o relato da ONU que afirmava que o Governo do Sudão do Sul dava permissão aos soldados de estuprar as mulheres como forma de “recompensa” pelos serviços prestados no conflito que divide o país desde 2013 e já provocou a saída de quase dois milhões de civis, que hoje estão em situação de refúgio.  

Atuando há bastante tempo no território sul-sudanês, a ONU Mulheres* afere que as mulheres do país convivem diariamente com a falta de empoderamento, sendo vistas pela comunidade masculina como incapazes de desenvolver outras atividades sociais para além do matrimônio e dos afazeres domésticos**. Concomitantemente, elas possuem pouco acesso ao mercado de trabalho e à educação, o que faz com que quase 90% da população feminina seja analfabeta.

Diante disso, a ONU Mulheres vem trabalhando com as sul-sudanesas em três frentes temáticas, quais sejam: promoção do engajamento feminino em ações de paz e segurança; apoio ao empoderamento econômico das mulheres; fomento à governança e à liderança feminina nos quadros políticos e sociais do país. A agência afirma que atualmente existem cerca de oito centros de empoderamento feminino no Sudão do Sul, que servem para o desenvolvimento de atividades nessas três frentes temáticas.

Em homenagem ao Dia Laranja, a ONU Mulheres Brasil produziu matéria com uma refugiada sudanesa que reside no Distrito Federal. Ela é especialista em assistência humanitária e está no país desde 2015. Após vencer as dificuldades supracitadas e alcançar o status de refúgio, atualmente se dedica a ajudar refugiadas que vieram para o Brasil, ensinando-as sobre os direitos que as mulheres possuem no país.

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Notas:

* A agência das Nações Unidas para mulheres.

** Veja o vídeo abaixo, feito em 2013 pela ONU Mulheres para apresentar a situação das mulheres sul-sudanesas: https://youtu.be/Xtku-BWLaCA

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Apoio psicossocial para mulheres do Sudão do Sul” (Fonte):

http://www.undp.org/content/undp/en/home/presscenter/pressreleases/2017/06/22/vulnerable-to-violence-empowering-women-in-south-sudan.html

Imagem 2 Mulheres refugiadas do Sudão do Sul” (Fonte):

http://www.unwomen.org/en/news/in-focus/women-refugees-and-migrants

About author

Especialista em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília (UnB). Bacharel em Relações Internacionais pela Universidade Católica de Brasília (UCB), com experiência acadêmica internacional no Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa. É coordenador do Café com Política e colunista político do Congresso em Foco. Foi estagiário-visitante da Câmara dos Deputados e trainee do Setor Político, Econômico e de Informação da Delegação da União Europeia no Brasil. Atuou também como pesquisador colaborador voluntário do Observatório Brasil e o Sul (OBS). É voluntário Departamento da Juventude da Cruz Vermelha Brasileira Brasília (CVBB).
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