NOTAS ANALÍTICAS

Lições de situações críticas

A recente crise interna no Irã, causada após o anúncio do resultado eleitoral para presidente da república, tem sido o foco da imprensa internacional. Neste momento há muitas opiniões divergentes e grande parte da imprensa ocidental está criticando a postura adotada pelo governo iraniano. Semana passada, o centro do interesse era a recordação do movimento na Praça da Paz Celestial, ocorrido há 20 anos, o qual ainda mobiliza críticas da mídia contra o governo Chinês. São acontecimentos que precisam de pesquisa adequada para que se evite cair na vala comum, fazendo análises com dados insuficientes, quando não inadequados.

Para o governo que é criticado o silêncio é uma postura corriqueira e sua autodefesa ocorre argumentando que o assunto é de foro interno, sendo ingerência externa os questionamentos. Essa atitude é padrão para todos os governos e, por isso, as críticas devem de ser vistas como inseridas numa ampla gama de relações de força, o que exige a compreensão das culturas dos povos envolvidos, os posicionamentos políticos, os posicionamentos ideológicos, sem exceção, tanto dos governos, como das sociedades que se manifestam por intermédio de alguns agentes. A isso devem ser acrescidos os grupos de pressão, os grupos de interesse e também a mídia.

A diferença está em que nos países onde há liberdade de expressão e, por isso, liberdade de imprensa, os governos se vêem obrigados a prestar esclarecimentos aos seus povos e a se submeter ao crivo da opinião pública nacional, que interage com a opinião pública internacional. Assim, o controle e a cobrança sobre as ações governamentais são exercidos com mais eficácia e na há como dizer se o questionamento mundial se torna ingerência nos problemas internos de um país.

No entanto, a prudência aconselha a adotar postura de preservação no direito de autogerência dos povos, evitando posicionamentos precipitados. O caso Chinês, por exemplo, traz muitas reflexões. É factível conceber que o incidente da Praça da Paz Celestial foi equacionado, pois foi atendida parcela das reivindicações que a sociedade fazia. Não todas, mas parte importante e se caminha para o atendimento das demais.

Um erro comum na precipitação analítica é estar preso à interpretação momentânea de um processo cujo desfecho não pode ser previsto devido à falta de dados e nem há elementos suficientes para compreender as razões das tomadas de decisão feitas pelos atores envolvidos no acontecimento.   

Por isso, ao observar as políticas dos Estados, cabe buscar as estratégias adotadas pelos jogadores do processo. Ou seja, buscar dados sobre os líderes, os sistemas políticos, as estratégias dos formuladores das políticas públicas, identificar as partes envolvidas, conhecer as negociações dos diplomatas, contextualizar os pronunciamentos e pesquisar sobre o ordenamento jurídico do país, focalizando as entrelinhas da sua redação. Em síntese, devem ser identificados os atores, entendido como se construíram as estratégias e quais são os componentes políticos e ideológicos presentes. Inclusive da mídia.

About author

Mestre em Medicina pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Bacharel em Relações Internacionais, jornalista e Especialista em Cooperação Internacional. Atualmente é CEO do Centro de Estratégia, Inteligência e Relações Internacionais (CEIRI) e Editora-Chefe do CEIRI NEWSPAPER. Vencedora de vários prêmios nacionais e internacionais da área dos Direitos Humanos. Já palestrou em várias cidades e órgãos de governo do Brasil e do Mundo sobre temas relacionados a profissionalização da área de Relações Internacionais, Paradiplomacia, Migrações, Tráfico de Seres Humanos e Tráfico de órgãos. Trabalhou na Coordenadoria de Convênios Internacionais da Secretaria Municipal do Trabalho de São Paulo e na Assessoria Técnica para Assuntos Internacionais da Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho do Governo do Estado de SP. Atuou como Diretora Executiva Adjunta e Presidente do Comitê de Coordenação Internacional da Brazil, Russia, India, China, Sounth Africa Chamber for Promotion an Economic Development (BRICS-PED).
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