ANÁLISES DE CONJUNTURA

MAIS TENSÃO NOS DIÁLOGOS ENTRE CHINA E EUA PARA O ANO DE 2010

Já foi dito que este ano, as relações entre chineses e norte-americanos, se iniciou com tensões, contradições e divergências nos diálogos diplomáticos. As questões são: qual será o futuro das relações sino-americanas? O presidente dos EUA, Barack Obama, irá conseguir reverter este quadro? Os elementos do cenário nos mostram que a reversão do quadro, com o retorno ao percurso que se construía, não é impossível, mas não será simples para se chegar a uma relação “harmoniosa”.

 

No final do ano passado, o presidente norte-americano partiu para a Ásia a fim de estabelecer novas relações com os países daquele continente e estreitar as relações, sobretudo com o Japão e a China. O objetivo de manter à aproximação com a China e estreitá-la foi adequadamente trabalhado, mas as ações imediatamente posteriores do governo estadunidense deixaram Beijing insatisfeita.

Atualmente, os dois países disputam mercados e discutem no campo do comércio sobre questões relacionadas a tarifas comerciais e “dumping”. O caso mais recente está sendo o “dumping” de frango das empresas norte-americanas. Segundo o ministério do comércio chinês, o dumping anunciado no dia 5 de fevereiro, está entre 43,1% e 105,4%. Devido às acusações, foi aberta uma investigação anti-dumping para apurar o caso.

No campo financeiro, o governo norte-americano critica as políticas cambiais chinesas. Os EUA afirmam que as ações do governo chinês sobre o Yuan (moeda da China) mantêm-na muito mais baixa do que o seu valor real. Desta forma, facilita as exportações chinesas e contribui para o melhor desenvolvimento deste setor, causando um déficit nas relações comerciais dos dois países.

O governo chinês declara que sua política cambial não é responsável por este déficit e o país tem como missão promover o equilíbrio entre receitas e despesas para garantir a estabilidade macroeconômica do país.

Embora existam divergências nos diálogos comerciais e na área de finanças, o que gera maior tensão entre as relações sino-chinesas são as vendas de armas dos EUA para Taiwan e, recentemente, a visita do Dalai Lama a Washington.

O governo norte-americano se mostrou firme em vender armas para os taiwaneses, mesmo com os inúmeros protestos da China. Devido à decisão dos EUA, o governo chinês informou que irá realizar uma série de sanções contra as companhias envolvidas nesta venda de armas para Formosa (Taiwan).

O jornal “The New York Times” manifestou uma atitude cética, declarando que a China quer “por um lado, a implantação de castigos políticos e, por outro, tem que obedecer aos seus compromissos acertados, quando da integração à OMC (Organização Mundial do Comércio)“.

Segundo o diretor da “Faculdade de Pesquisa sobre a OMC” da “Universidade Internacional de Economia e Comércio da China”, Zhang Hanlin, “a ação do governo chinês em impor sanções às empresas envolvidas no trâmite de venda de armas para Taiwan não é contra as regras da OMC”.

Segundo Zhang, o governo chinês tem “razões justas e argumentos suficientes” para praticar sanções às empresas norte-americanas, de forma a salvaguardar a segurança nacional e os interesses centrais da nação.

Mei Xinyu, pesquisador do Ministério do Comércio da China, afirma que a aplicação de sanções econômicas com base na segurança nacional é um direito do qual nenhum país pode ser privado, nem por Organizações Econômicas Internacionais, nem por convenções comerciais.

O caminho não é fácil, pois envolve vários atores e situações conjunturalmente extremas, mas as relações sino-americanas apresentam tendências negativas no campo diplomático, devido a algumas ações dos EUA que vão contra a política nacional da China. A forma de reverter o quadro e chegar a estabelecer relações “harmoniosas”, será pelo reconhecimento dos Estados Unidos de “uma só China”, um dos pilares adotados pelos chineses na condução de sua política externa.

About author

Bacharel em Relações Internacionais (2009) e técnico em Negociações Internacionais (2007) pela Universidade Anhembi Morumbi (UAM). Atua na área de Política Econômica com foco nos países do sudeste e leste asiático, sendo referência em questões relacionadas a China. É membro da Júnior Chamber International Brasil-China, promovendo as relações sócio-culturais sino-brasileiras em São Paulo e Articulista da Revista da Câmara de Comércio BRICS. Também atuou como Consultor de Câmbio no Grupo Confidence. Atualmente trabalha como repórter fotográfico.
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