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NOTAS ANALÍTICAS

Portos chineses sobrecarregados

O maior exportador do mundo sofre com excesso de estoque em seus portos e já começa a se preparar para enfrentar o esfriamento das exportações devido ao desaquecimento da economia internacional.

Recentemente, os chineses decidiram monitorar melhor sua produção de metais de terras raras para controlar a produção excessiva e se adequar as próprias exigências ambientais. Como consequência, haverá uma queda na produção destes metais.

 

Deve-se ressaltar que há outras questões que obrigam a considerar à diminuição da produção ou a redução dos negócios. A infra-estrutura logística é uma delas. Por isso, o Governo vem se preocupando com as necessidades logísticas e, nesse primeiro momento, tem optado por reduzir a produção não apenas dos metais raros, mas de vários outros produtos chineses, bem como o volume das importações, pois são necessários espaços para a estocagem.

No início desta semana, a TV estatal chinesa CNTV levou ao ar uma reportagem sobre os Portos do país e sobre as condições de estocagem de Norte a Sul de sua costa, os quais apresentaram um grande problema relacionado, por exemplo, com a geração e o acúmulo do excedente de carbono na China. Segundo dados apresentados pela emissora, no ano passado (2011), a produção de carbono já era recorde. A China havia produzido cerca de 280 milhões de toneladas de carbono e acrescentou-se mais 9 milhões.

Esses números não preocupariam as autoridades competentes, mas a queda da demanda internacional, graças à “Crise Econômica” nas Zona do Euro” e nos “Estados Unidos”, reduziu as exportações chinesas para os seus principais compradores e vem forçando o país a melhorar sua infra-estrutura em estocagem, sua infra-estrutura portuária e a regular o ritmo de produção para dar conta deste excedente que se acumula.

Os portos chineses são, hoje, os maiores e os mais modernos do mundo para estocagem de produtos, bem como para executar a exportação. No caso do carbono, grande parte da produção fica concentrada no norte da costa, sendo preparada, estocada e exportada através do “Porto de Qinhuangdao”, que é considerado o maior centro de tratamento de carbono do mundo.

Além deste, outros portos chineses também já estão com a estocagem acima do limite, como é o exemplo do Porto da “Província de Hebei”, também no norte da China, com 3 milhões de toneladas de carbono, já estando com mais de 86% do total de sua capacidade atingida. Em Tianjin, outro caso, existem 3,7 milhões de toneladas, num crescimento de 43% em relação ao ano anterior.

No momento, os planos para manter sua capacidade de estocagem sem ter prejuízos em relação ao que já foi produzido concentram-se em “ampliar os armazéns” de alguns de seus Portos e em investir na infra-estrutura portuária fora da China, como vem ocorrendo em Angola, Moçambique, “Timor-Leste” etc.  Essas medidas se tornam importantes, pois havia sido estimado que se a China não tivesse tamanha estrutura para tratar da estocagem adequada deste e de outros produtos, os prejuízos seriam gigantescos.

Para Wang Xianzheng, presidente da “Associação da Indústria de Carbono da China”, a estocagem deve ser bem cuidada antes que chegue o verão e, por hora, o que está facilitando o trabalho é a própria demanda interna, porém, ele ressalta que ela, sozinha, pode não ser capaz de dar conta de todo o estoque, considerando-se que maior parte da produção chinesa foi projetada para a exportação.

Diante deste quadro, resta observar como os chineses farão para trabalhar de forma sincronizada, adequando sua produção e estocagem com a atual política ambiental. Para alguns setores da economia, o consumo interno contribuirá para a estabilidade econômica, mas para outros ainda existe grande dependência da demanda global.

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Fontes:

VerCNTV” (Video em Espanhol):

http://espanol.cntv.cn/program/BizChina/20120625/108953.shtml  – mais detalhes em CNTV.CN (chinês).

Ver também:

https://ceiri.news/index.php?option=com_content&view=article&id=2946:producao-de-metais-raros-pode-cair-na-china&catid=94:notas-analiticas&Itemid=656

Fonte da Imagem: CNTV.CN


 

About author

Bacharel em Relações Internacionais (2009) e técnico em Negociações Internacionais (2007) pela Universidade Anhembi Morumbi (UAM). Atua na área de Política Econômica com foco nos países do sudeste e leste asiático, sendo referência em questões relacionadas a China. É membro da Júnior Chamber International Brasil-China, promovendo as relações sócio-culturais sino-brasileiras em São Paulo e Articulista da Revista da Câmara de Comércio BRICS. Também atuou como Consultor de Câmbio no Grupo Confidence. Atualmente trabalha como repórter fotográfico.
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