ÁSIAEUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Presidente chinês visita a Europa Ocidental

Entre 22 de março e 1º de abril do presente ano (2014), o “Presidente da China”, Xi Jinping, estará a visitar quarto países europeus: os “Países Baixos”, a França, a Alemanha e a Bélgica. Xi também será um dos 58 dignitários da “Cimeira da Segurança Nuclear” que ocorrerá em Haia, entre 24 e 25 de março[1]; estará na sede da “Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura” (UNESCO), no dia 27 de março; e nos dias 31 de março e 1º de abril visitará a sede da “União Europeia[2].

Esta será a primeira vez que o Presidente chinês se desloca à Europa desde que está no poder há um ano. De uma forma geral, pode-se dizer que o aprofundamento das relações entre a China e a “União Europeia” (UE) é o objetivo principal desta visita presidencial. Na verdade, há uma década a UE tem sido o principal parceiro comercial da China, enquanto que esta ocupa o segundo lugar na lista dos parceiros comerciais da UE. No ano passado (2013), o comércio entre as duas partes rendeu cerca de US$ 560 bilhões[3]

No “Reino dos Países Baixos”, Xi Jinping manterá conversações com Rei Willem-Alexander, com o primeiro-ministro Mark Rutte e com líderes parlamentares locais. É a primeira vez que um Chefe de Estado chinês visita a Holanda desde que os dois países estabeleceram relações diplomáticas, em 1972. Depois da Alemanha este país vem na segunda posição em termos de trocas comerciais na Europa. Espera-se que sejam assinados “Acordos de Cooperação” na agricultura, energia, finanças e cultura[4].

Durante o encontro sobre aSegurança Nuclear”, na Holanda, oPresidente da Chinareunir-se-á com os Presidentes dosEstados Unidos da América”, “Coreia do Sul”, Finlândia, e Casaquistão e com o “Primeiro-Ministro da Grã-Bretanha [5].    

Neste 2014, a França e a China celebram o 50º e 10º aniversários das “Relações Diplomáticas” e da “Parceria Estratégica Compreensiva”, respectivamente. Acredita-se que nos encontros separados de Xi Jinping com o seu homólogo François Hollande, com o primeiro-ministro Jean-Marc Ayrault e com chefes parlamentares, as discussões abordarão caminhos que levem a um maior aprofundamento das relações sino-francesas com vista a tornar Paris o principal parceiro europeu de Pequim. É provável que se assine acordos bilaterais sobre educação, ciência e tecnologia, energia, urbanização e agricultura[4].

A ida à Alemanha, a maior parceira europeia em comércio e tecnologia, marca a primeira viagem em 8 anos de um Presidente chinês. Além de reuniões com o presidente Joachim Gauck e com a primeira-ministra Angela Merkel, sobre como devem ser as relações bilaterais nos próximos 5-10 anos, Xi igualmente participará de um banquete em sua honra com empresários alemães e chineses. Os “Acordos de Cooperação” a assinar incluem as áreas da indústria, aviação, ciência e tecnologia, educação, cultura e agricultura[4].

Em 27 anos, Xi faz a primeira visita de Estado à Bélgica. Ele terá encontros com Rei Philippe e com o primeiro-ministro Elio Di Rupo. Os acordos bilaterais incidirão nas áreas da economia e comércio, ciência e tecnologia, telecomunicações e educação[4].

Desde o estabelecimento das relações China-UE, em 1975, esta é a primeira vez que um Presidente chinês visita a sede da UE. Separadamente, ele se reunirá com oPresidente do Conselho Europeu”, Herman Van Rompuy; o “Presidente da Comissão Europeia”, José Manuel Barroso, e com eurodeputados. No ano passado, durante a “16ª Cimeira China-UE”, em Pequim[6], os dois lados estabeleceram um “Plano Estratégico da Cooperação China-UE”, até 2020[4].

As relações entre a China e a UE não são isentas de problemas. Os chineses tem sempre uma relação de desconfiança com o Ocidente, por conseguinte com a UE. Os principais problemas que as vezes opõem a chineses e ocidentais incluem os “Direitos Humanos”, a “Questão do Dalai Lama”, o “embargo de armas” e fricções comerciais[7].

A China também deve ter ficado menos feliz por não ter possibilidade de dar uma maior visibilidade à questão do Japão durante a sua visita à Alemanha. A imprensa ocidental aponta que Berlim rejeitou uma suposta sugestão de Pequim para que  Angela Merkel acompanhasse Xi Jinping numa visita em Berlim a alguns monumentos históricos da 2ª Guerra Mundial” (II GM).

Isto é, a China teria uma oportunidade ímpar de denunciar a “falta de arrependimento” do Japão pelas atrocidades que fez na China e nos outros países asiáticos durante a “II GM[8]. A Alemanha não só não pretende antagonizar o Japão, que também é um dos seus maiores parceiros[9], como também não deve estar a apreciar o discurso repetitivo da China sobre a “II GM[8].         

—————————–

Imagem (Fonte):

http://www.fmprc.gov.cn/eng/zxxx/t1101809.shtml

—————————–

Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://news.xinhuanet.com/english/world/2014-03/20/c_133202048.htm

[2] Ver:

http://www.fmprc.gov.cn/eng/zxxx/t1137531.shtml

[3] Ver:

http://europe.chinadaily.com.cn/2014-03/18/content_17354329.htm

[4] Ver:

http://news.xinhuanet.com/english/china/2014-03/17/c_133193227.htm

[5] Ver:

http://news.xinhuanet.com/english/china/2014-03/20/c_133201577.htm

[6] Ver:

http://www.fmprc.gov.cn/eng/zxxx/t1101809.shtml

[7] Ver:

http://www.bbc.com/news/world-asia-china-26624963

[8] Ver:

http://www.spiegel.de/international/germany/no-holocaust-memorials-for-china-president-xi-on-trip-to-berlin-a-956574.html

[9] Ver:

http://www.scmp.com/news/china-insider/article/1440870/germany-turns-down-chinas-war-memorial-visit-request-presidents

 

About author

De Nacionalidade Moçambicana, é mestrando em História do Mundo no Instituto de Estudos Africanos da Universidade Normal de Zhejiang, na China. Graduado em História pela Universidade Eduardo Mondlane em Maputo (2007). Possui experiência na docência de disciplinas de História Geral e da África Austral. Interesses: História de Moçambique, relações China-Moçambique, política externa chinesa no nordeste e sudeste da Ásia, relações China-África, cultura cibernética popular na China. Fala Português, Inglês, Francês e conhecimento razoável de chinês.
Related posts
ÁSIAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Fundo Monetário Internacional estima crescimento da economia chinesa em quase 2%, contrariando tendência mundial

NOTAS ANALÍTICASPOLÍTICAS PÚBLICASSAÚDE

Conselho Europeu se reúne para tratar de ação conjunta europeia para combater a COVID-19

NOTAS ANALÍTICASPARADIPLOMACIA

As cidades mais caras da América Latina

NOTAS ANALÍTICASPOLÍTICAS PÚBLICASSAÚDE

Resposta à COVID-19 nas Américas pode sofrer transformação a partir de novos testes rápidos

Receba nossa Newsletter

 

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Open chat
Olá!