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No começo da presente semana, teve início a Cúpula entre Estados Unidos da América (EUA) e África, conforme promessa feita no último ano por Barack Obama, Presidente dos EUA, em visita realizada à África do Sul, Senegal e Tanzânia[1]. O evento reúne em Washington cerca de 50 Chefes de Estado dos países africanos,com o objetivo de fomentar cooperação comercial. Contudo, questões relacionadas à Segurança e à Paz também permeiam a pauta do encontro.

De acordo com Penny Pritzker, Secretária de Comércio dos EUA, o encontro visava fomentar até quarta-feira (6 de agosto), cerca de US$ 900 milhões em acordos comerciais[2]. No entanto, ainda na segunda-feira, os Estados Unidos anunciaram investimentos no continente africano em  mais de US$ 14 bilhões, por meio de parceiras com empresas norte-americanas e cerca de 7 bilhões de ajuda às exportações africanas[3]. Segundo o Governo norte-americano, a maior parte desses investimentos tem como destino os setores de energia, aviação, construção e financeiro. Além disso, segundo anunciou Barack Obama, será destinado ao programa Power África cerca de US$ 26 bilhões, para levar eletricidade à região da África subsaariana, em parceria com o Banco Mundial, a Suécia e o setor privado[4].

De acordo com Jacob Lew, Secretário do Tesouro dos EUA, o continente africano “é a segunda região que mais rápido cresce no mundo, e abriga seis das dez economias de mais rápido crescimento[5]. O mercado africano é apontado por muitos analistas como espaço de grandes oportunidades comerciais, nos quais alguns países emergentes, principalmente a China, vem fomentado investimentos ao longo da última década. Essa é a razão, apontada por observadores, para a promoção da Cúpula EUA-África, ou seja, uma tentativa de contrabalançar a crescente presença chinesa na África, que atualmente já é o seu maior parceiro comercial[6].

No entanto, essa não é a visão de Linda Thomas-Greenfiled, Secretária de Estado Assistente para os Assuntos Africanos, que afirmou que os Estados Unidos e a África possuem uma relação sólida e histórica, salientando que o Governo norte-americano possui “embaixadas em quase todos os países africanos, nossas relações ultrapassam gerações. A cúpula será apenas mais um passo para firmar ainda mais essa ligação, que já é bastante forte[7]. Já Ben Rhodes, Conselheiro Adjunto de Segurança Nacional argumentou que“optamos por fazer esta cúpula para enviar um sinal muito claro de que estamos elevando o nosso compromisso com a África[8].

No entanto, ao que parece, o Governo dos Estados Unidos tem pressa em fomentar novas e velhas parcerias com os países africanos. Conforme ressaltou a própria Penny Pritzker,“a aliança comercial americano-africana é essencial, e o momento de fazer negócios na África já não está a cinco anos de distância. O momento é agora[8]. Enquanto que Benjamin Benson, porta-voz do AFRICOM na Alemanha, salientou que “o continente Africano apresenta oportunidades e desafios significativos, incluindo aqueles associados com as relações de militares para militares[9], já Jacob Lew reforçou que é preciso investir em estradas, energia, melhorar o acesso ao capital e proporcionar o treinamento de jovens empreendedores, reforçando o lema do encontro de Investir na Nova Geração[10].

O Presidente norte-americano destacou durante o encontro que “por mais cruciais que sejam os investimentos, a chave da próxima era de crescimento africano não está aqui nos Estados Unidos, e sim na África[11]. Ressaltando que os governos africanos devem promover um ambiente propício para a atração de investimentos estrangeiros, ele ressaltou a importância de superar os conflitos. Como mencionado anteriormente, as questões relativas à Segurança e Direitos Humanos também fazem parte da agenda do encontro, tais como terrorismo, tráfico de animais, segurança alimentar e saúde. Por fim, é pertinente ressaltar que a Cúpula ocorre em meio a pior crise de ebola na África, assim, apesar da pauta principal girar em torno de questões econômicas, é esperado o anúncio de medidas que possam conter o vírus.

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Imagem (Fonte):

http://www.aopi.org/?st=news&id=33

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/08/140805_ebola_cupula_africa_eua_lgb.shtml

[2] Ver:

[3] Ver:

http://brasil.elpais.com/brasil/2014/08/05/internacional/1407262134_673575.html

[4] Ver:

http://www.portugues.rfi.fr/mundo/20140805-obama-anuncia-mais-de-us-30-bilhoes-de-investimentos-na-africa

[5] Ver:

http://brasil.elpais.com/brasil/2014/08/05/internacional/1407262134_673575.html

[6] Ver:

http://blogs.wsj.com/washwire/2014/08/03/a-brief-guide-to-this-weeks-u-s-africa-summit/

[7] Ver:

http://www.dw.de/c%C3%BApula-eua-%C3%A1frica-re%C3%BAne-50-chefes-de-estado-em-washington/a-17830044

[8] Ver:

http://www.washingtonpost.com/world/national-security/africa-summit-brings-leaders-with-close-us-military-relations-to-washington/2014/08/02/ea6c0644-19a0-11e4-85b6-c1451e622637_story.html

[9] Ver:

http://brasil.elpais.com/brasil/2014/08/05/internacional/1407262134_673575.html

[10] Ver:

http://www.angonoticias.com/Artigos/item/43542/paz-e-seguranca-dominam-cimeira-eua-africa

[11] Ver:

http://www.portugues.rfi.fr/mundo/20140805-obama-anuncia-mais-de-us-30-bilhoes-de-investimentos-na-africa

About author

Pós-graduanda do curso de Especialização em Estratégia e Relações Internacionais Contemporâneas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). É Graduanda do Curso de Políticas Públicas da UFRGS e bacharel em Relações Internacionais pela Faculdade América Latina Educacional. No presente, desenvolve estudos sobre a geopolítica e a securitização dos Estreitos internacionais e Oceanos.
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