fbpx
ANÁLISES DE CONJUNTURAEUROPA

Programa Erasmus e a Diplomacia Acadêmica

O Protocolo Erasmus – mais conhecido como Programa Erasmus – foi criado pela União Europeia em 1987, com o objetivo de gerar uma rede interuniversitária entre os país membros e associados do Bloco, promovendo o intercâmbio cultural e acadêmico entre diferentes pontos do continente Europeu.

O Programa foi batizado em honra ao filosofo holandês Erasmo de Roterdã (Desiderius Erasmus Roterodamus), que ficou conhecido por viajar a diferentes locais da Europa para ampliar seus estudos e conhecimentos. Erasmus é também uma sigla para “European Region Action Scheme for the Mobility of University Students” (ou, em português, “Esquema de Ação Regional Europeia para a Mobilidade de Estudantes Universitários”).

O Projeto se transformou no maior programa de mobilidade acadêmica do mundo, obtendo importantes resultados na área de pesquisa e desenvolvimento, e também atuou como ferramenta para a criação de uma identidade europeia, formando jovens através do multiculturalismo existente dentro do Bloco.

Embora administrado pela União Europeia, as cidades que participam do ERASMUS atuam de forma paralela ao protocolo, reforçando laços acadêmicos entre cidades que compartilham ideias, modelos produtivos, ou áreas de pesquisa semelhantes. O fato de muitas cidades da Europa administrarem suas próprias universidades transformou o Programa Erasmus em uma espécie de ferramenta paradiplomática acadêmica e também diplomática para pequenas nações associadas, tais como Andorra, Mônaco e Suíça.

Regiões industriais como Catalunha, Lombardia, Baden-Wüttemberg utilizaram o Programa para estreitar seus laços diplomáticos e gerar um ambiente homogeneizado de pesquisa e desenvolvimento. Esse movimento acabou dando origem ao grupo Four Motors for Europe (Quatro Motores para Europa) aliando interesses econômicos, regionais e sociais, através da união das forças políticas das regiões e do constante intercâmbio de profissionais e alunos, usando, dessa forma, a mobilidade acadêmica como uma amálgama em seus objetivos. Em alguns casos, a própria região criou um projeto paralelo semelhante, como o programa TecnioSpring da região da Catalunha, na Espanha, que é apoiado pela União Europeia.

O Programa foi ampliado para o âmbito global através do Erasmus Mundus, seguindo as principais tendências geopolíticas e os interesses da União Europeia em se estabelecer como centro de referência e excelência acadêmica mundial. Cidades do mundo inteiro com instituições ligadas à administração pública aderiram ao Programa, gerando uma rede de mobilidade acadêmica em âmbito global.

Dado os resultados obtidos, muitos países trataram de desenvolver projetos próprios e, dessa forma, moldar a mobilidade acadêmica às necessidades da nação. O programa brasileiro Ciências Sem Fronteiras surgiu com o intuito de suprir a crescente demanda de mão de obra qualificada no Brasil. Um programa semelhante contemplando os países BRICS também foi proposto durante a última reunião do grupo.

A américa latina, apesar de suas diferentes tentativas de integração, não possui um projeto próprio, sendo grande parte dos programas de mobilidade acadêmica gerenciados por entidades filantrópicas, tais como a Fundação Carolina, ou corporações privadas, como o Banco Santander.

Talvez, com o tempo, e uma maior integração da região, a mesma possa criar um programa “Columbus” e obter, mediante a integração acadêmica e o intercâmbio cultural, um maior dinamismo interno dentro da região e uma maior sinergia entre as cidades, que pode ser conseguido através da paradiplomacia acadêmica unindo grandes metrópoles como São Paulo e México, ou os interesses de cidades turísticas, como Rio de Janeiro e Cartagena de Índias, algo que promoverá maior mobilidade e integração através do intercâmbio acadêmico.

———————————————————————————————–

Imagem (Fonte):

http://www.estevampelomundo.com.br/site/wp-content/uploads/2014/02/Erasmus-1.jpg

About author

Pesquisador de Paradiplomacia do IGADI - Instituto Galego de Análise e Documentação Internacional e do OGALUS - Observatório Galego da Lusofonia. Atuou como consultor internacional na área de Paradiplomacia para o Escritório Exterior de Comércio e Investimentos do Governo da Catalunha (ACCIÓ). Formado em Negociações e Marketing Internacional pelo Centro de Promoção Econômica de Barcelona, Bacharel em Administração pela Universidade Católica de Brasília, especialista pós-graduado em Ciências Políticas e Relações Internacionais pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo – FESPSP, MBA em Novas Parcerias Globais pelo Instituto Latino-americano para o Desenvolvimento da Educação, Ciência e Cultura e Mestrando em Políticas Sociais com especialidade em Migrações na Universidad de La Coruña (España), Mestrado em Gestão e Desenvolvimento de Cidades Inteligentes (Smartcities) da Universitat Carlemany do Principado de Andorra e doutorando em Sociologia e Mudanças da Sociedade Global. Fundador do thinktank CERES – Centro de Estudos das Relações Internacionais. Membro da Associação Internacional IAPSS para Estudantes de Ciências Políticas, do Smartcity Council, da aliança Eurolatina para Cooperação de Cidades, ECPR Consório Europeo de Pesquisa Política e da rede Bee Smartcities. Especialista em paradiplomacia, acordos de cooperação e transferência acadêmica e tecnológica, smartcities e desenvolvimento econômico e social. Morou na Espanha, Itália, França e Suíça e atualmente reside na região da Galícia (Espanha).
Related posts
AMÉRICA DO NORTEANÁLISES DE CONJUNTURAEURÁSIA

Rumos geopolíticos entre Rússia e EUA, após as eleições norte-americanas

ÁFRICAANÁLISES DE CONJUNTURA

Movimento #EndSARS na Nigéria

ANÁLISES DE CONJUNTURAEUROPA

França, Europa e o apogeu da intolerância

ANÁLISES DE CONJUNTURAORIENTE MÉDIO

Após um ano de protestos populares e de sua própria renúncia, Hariri retorna ao posto de Premier no Líbano

Receba nossa Newsletter

 

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Open chat
Olá!