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Protestos da China contra o maior “Navio de Guerra Japonês” desde a “2ª Guerra Mundial”

As autoridades japonesas usaram o dia 6 de agosto, dia da celebração dos 68 anos do lançamento da “Bomba Atômica” sobre Hiroshima, para apresentar ao mundo o maior e o mais sofisticado navio de guerra, apesar de este vir a entrar em funcionamento em 2015. Apelidado Izumo (é o terceiro do país) o novo “Porta-helicópteros 22DDH” custou cerca de 1,14 bilhão de dólares norte-americanos. Ele pode carregar 14 helicópteros anti-submarinos e aponta-se que o mesmo pode se transformar num Porta-Aviões. Com esta modernização, Tóquio está a consolidar a sua posição de líder mundial ao nível da capacidade anti-submarina[1].

Apesar da China possuir o maior navio de guerra da Ásia, o governo chinês e os comentadores locais prontamente “denunciarama militarização do Japão, além de criticarem a escolha do nome Izumoo mesmo nome do navio usado para invadir a China na década 30 do século XX. Ainda entendem que um Japão forte militarmente pode trazer perigo à estabilidade da região Ásia-Pacífico[2].

Devido aos arranjos estabelecidos pelos aliados no “Pós-2ª Guerra Mundial”, a “Constituição do Japãoestabelece que o país só pode possuirForças Armadas de Auto-Defesa”, em resultado da natureza agressiva do Exército japonês no pré-1945. É neste âmbito que países vizinhos como a China e a “Coreia do Sul” ficam alarmados com qualquer mudança que se opera nasForças Armadas Japonesas”, como foi o caso do anúncio de aumento do orçamento para a defesa para o ano de 2013[3].  

Na verdade, o mês de agosto é tipicamente de antagonismo entre Pequim e Tóquio, apesar do dia 12 deste mês marcar o dia da assinatura do “Tratado de Paz e Amizade entre o Japão e a China”, em 1978[4]. Simbolicamente, o Japão marca o dia da sua rendição na guerra mundial, a 15 de agosto, com a visita de dirigentes governamentais e partidários ao contestado “Santuário de Yakusuni” onde se venera japoneses civis e militares mortos ao serviço do seu país[5]. O Primeiro-Ministro japonês, Shinzo Abe, foi criticado na China por ter afirmado recentemente que não proibiria seja quem fosse do seu governo de visitar o “Santuário[6].

Isto contribui para que o relacionamento China-Japão continue num dos níveis mais baixos desde o restabelecimento das relações diplomáticas, em 1973. As provas dessa situação são os resultados de uma sondagem feita este ano na China e no Japão sobre as relações bilaterais que mostram que cerca de 90% dos entrevistados nos dois países expressam sentimentos negativos sobre a parte oposta e, pela primeira vez, um considerável número dos interrogados em ambos os Estados acredita que a atual crise política afetará a cooperação econômica, algo que não acontecia nos impasses anteriores[7].

As disputas territoriais” e “questões históricas” ligadas à invasão, ocupação e massacre de chineses pelas forças imperiais do Japão figuram-se no topo da atual crise sino-japonesa. A corrida armamentista entre os dois vizinhos eleva o nível da tensão no Nordeste da Ásia que testemunhou nos primeiros meses de 2013 uma ameaça de guerra por parte do regime norte-coreano[8].     

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Imagem (Fonte):

http://www.foxnews.com/world/2013/08/06/japan-unveils-new-carrier-like-warship-largest-in-its-navy-since-world-war-ii/

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.globaltimes.cn/content/802056.shtml#.UglMD5IwcqO

[2] Ver:

http://www.globaltimes.cn/content/802037.shtml#.UglMcpIwcqN

[3] Ver:

https://ceiri.news/a-china-e-a-vitoria-parlamentar-do-partido-liberal-democratico-do-japao/

[4] Ver:

http://en.wikipedia.org/wiki/Sino-Japanese_relations

[5] Ver:

https://ceiri.news/a-china-e-a-recente-visita-ao-santuario-yakusuni/

[6] Ver:

http://www.chinadaily.com.cn/world/2013-08/06/content_16875393.htm

[7] Ver:

http://www.chinadaily.com.cn/cndy/2013-08/08/content_16879047.htm

[8] Ver:

https://ceiri.news/a-china-e-a-tensao-na-peninsula-coreana/

About author

De Nacionalidade Moçambicana, é mestrando em História do Mundo no Instituto de Estudos Africanos da Universidade Normal de Zhejiang, na China. Graduado em História pela Universidade Eduardo Mondlane em Maputo (2007). Possui experiência na docência de disciplinas de História Geral e da África Austral. Interesses: História de Moçambique, relações China-Moçambique, política externa chinesa no nordeste e sudeste da Ásia, relações China-África, cultura cibernética popular na China. Fala Português, Inglês, Francês e conhecimento razoável de chinês.
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