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Desde o dia 22 de fevereiro de 2019, vem ocorrendo na Argélia inúmeras demonstrações de descontentamento contra o presidente Abdelaziz Bouteflika e o sistema político liderado em sua maioria por militares veteranos de guerra. Tais manifestações apareceram principalmente em resposta ao anúncio do líder, em 10 de fevereiro, de que concorreria ao seu quinto mandato durante as eleições de abril.

O líder octogenário, desde 1999 no poder, teve um papel fundamental durante a Guerra de Independência argelina (1962) e na promoção da reconciliação nacional após a guerra civil (1991-2002) entre o governo argelino e grupos rebeldes islâmicos. Porém, atualmente, encontra-se debilitado em função de um acidente vascular cerebral que sofreu no ano de 2013. 

Mesmo com as manifestações iniciais, Bouteflika formalizou sua candidatura no dia 4 de março, prometendo realizar, caso eleito, nova eleição na qual não se candidatará. Diante do cenário, os militares prometeram não deixar o país sofrer nova onda de violência e garantiram condições estáveis para a realização da eleição de 18 de abril.

No dia 8 de março de 2019, Dia Internacional da Mulher, mais de um milhão de pessoas  reuniram-se em protestos por todo país, aumentando ainda mais o número de adesão dos insatisfeitos, dentre os quais, desde o dia 26 de fevereiro de 2019 contavam com a presença de estudantes universitários e de uma grande participação feminina, em um país onde manifestações são proibidas. No dia 10 de março de 2019, domingo passado, após a convocação de greves, estudantes, incluindo os do ensino médio, e demais manifestantes retornaram novamente às ruas. Também houve protestos fora da Argélia, em Paris, na Praça da República, e na cidade de Marselha. Jornalistas, advogados e políticos de oposição aderiram à onda de descontentamento.

Dezenas de pessoas já foram detidas e foram reportados atos de violência policial, como, por exemplo, o lançamento de gás lacrimogênio contra a população. No entanto, apesar desses acontecimentos, não há, aparentemente, um interesse do governo em recrudescer a repressão.

Rachid Nekkaz

O Presidente viajou para a Suíça a fim realizar exames médicos de rotina no Hospital Universitário de Genebra, onde foi internado em 24 de fevereiro de 2019. Manifestações foram realizadas em frente ao hospital, e uma tentativa de invasão culminou na prisão de seu opositor político Rachid Nekkaz pelas autoridades suíças. Retornou, após duas semanas, em meio aos protestos do dia 10 de março.

A Argélia é um país cuja economia é dependente da produção de hidrocarbonetos. Obteve um bom período de programas de infraestrutura durante o momento de alta do preço da “commodity” nos anos 2004 a 2014, porém, com a queda dos preços do petróleo, o abalo na economia foi inevitável, resultando na redução de subsídios, o que causou altos índices de desemprego, principalmente entre a camada mais jovem da sociedade.

Durante a Primavera Árabe de 2011, reformas políticas e econômicas foram prometidas. No espectro político, houve mudanças parciais, todavia, em relação à economia, o que foi prometido não foi cumprido. Ademais, há grandes indícios de corrupção no governo e reclamações de autoritarismo, uma conjuntura que motiva a população nos dias de hoje contra o sistema político argelino como um todo, durante suas reivindicações nas ruas. O futuro ainda é nebuloso na Argélia, pois não se sabe quem poderá substituir Bouteflika e quais consequências os protestos poderão trazer.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Abdelaziz Bouteflika” (Fonte): https://pt.wikipedia.org/wiki/Abdelaziz_Bouteflika#/media/File:Abdelaziz_Bouteflika_casts_his_ballot_in_May_10th%27s_2012_legislative_election_(cropped).jpg

Imagem 2Rachid Nekkaz” (Fonte): https://en.wikipedia.org/wiki/Rachid_Nekkaz#/media/File:Nekkaz_2014.jpg

About author

Bianca Del Monaco, advogada, mestranda em Direito dos Negócios pela Escola de Direito de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (FGV), LL.M em International Crime and Justice na Universidade de Turim (UNITO) e United Nations Interregional Crime and Justice Research Institute (UNICRI), especialista em Relações Internacionais e Política pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), pós-graduação em Direito e Economia do Comércio Internacional da Escola de Direito de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (FGV), pós-graduação em Contratos Internacionais Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), bacharel em Direito pela Universidade Presbiteriana Mackenzie.
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