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Provável intervenção ocidental na Síria aumenta risco de regionalização do conflito

O “Oriente Médio” vive estes dias na expectativa de uma provável intervenção norte-americana na Síria. O conflito interno do país tem provocado grande instabilidade na região e os analistas advertem para o agravamento das tensões regionais ante uma possível intervenção militar, que poderá ter reflexo em países como o Iraque e o Líbano[1].

Embora os EUA ainda não se tenham decidido pela intervenção militar, a região encontra-se em estado de alerta e, mesmo que involuntariamente, de algum modo, ela já está envolvida no conflito[2]. O fato de Barack Obama, Presidente dos EUA, ter solicitado a aprovação do Congresso para intervir naquele país do “Oriente Médio”, não serviu para diminuir os riscos e as apreensões em torno de um conflito maior.

Por outro lado, a iniciativa do Presidente norte-americano não recebeu a aprovação de todos os aliados da OTAN. Já em Israel, a atitude de Barack Obama foi vista como hesitante ante o país árabe, o que denotou certa preocupação por parte do Primeiro-Ministro israelense, Benjamin Netanyahu, para quem os EUA estão sendo observados por Teerã[3].

No momento em que as atenções estão voltadas para a Síria e em que a França também manifesta a intenção de intervir naquele país, mesmo que unilateralmente[4], o presidente sírio Bashar al-Assad advertiu sobre a possibilidade de regionalização do conflito se a Síria for alvo de uma ação bélica ocidental[5].

O risco de um conflito regional não é descartado por estudiosos e há quem ressalte falhas na redação do pedido norte-americano de autorização para a intervenção naquele país, a ser votado no Congresso. Para o professor de Direito da “Universidade de Harvard”, Jack Goldsmith, a solicitação de autorização elaborada pela “Administração Obama” não define claramente o modo de intervenção, o que amplia as possibilidades de ação de qualquer ramo das “Forças Armadas”, não estando especificados os tipos e a localização dos alvos[6].

Enquanto crescem as expectativas em torno da possibilidade de a Síria sofrer uma intervenção militar norte-americana, a Venezuela e o Irã vão apresentar uma ação conjunta aoMovimento de Países-Não Alinhados” para tentar impedir que tal ação seja efetivada[7]. Preocupado com o desfecho dos acontecimentos num futuro próximo, o “Secretário Geral da ONU”, Ban Ki-moon, adverte acerca da escalada de violência com uma intervenção militar na Síria[8].

No momento em que o Ocidente procura dar uma resposta ao uso de armas químicas que, segundo informações, foram utilizadas na Síria, aumentam as incertezas e a instabilidade na região. Se for confirmada a intervenção dos EUA, as estratégias entretanto escolhidas irão influenciar o futuro da Síria e dos países que lhe são vizinhos.

Em realidade, a solução da crise pela via diplomática é a alternativa adequada para desfazer qualquer possibilidade da regionalização deste conflito e, assim, evitar a perda de mais vidas humanas.

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Imagem (Fonte):

http://4.bp.blogspot.com/-W1KNMlbfOaI/UdV-2JumpkI/AAAAAAAAAYc/ml0kYxfEEiU/s640/Syrian+regionalisation.png

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/mundo/2013/09/01/interna_mundo,385662/risco-de-caos-no-oriente-medio-aumentou-drasticamente-diz-especialista.shtml

[2] Ver:

http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/mundo/2013/09/01/interna_mundo,385662/risco-de-caos-no-oriente-medio-aumentou-drasticamente-diz-especialista.shtml

[3] Ver:

http://www.haaretz.com/news/diplomacy-defense/.premium-1.544917

[4] Ver:

http://www.jb.com.br/internacional/noticias/2013/09/01/estados-unidos-recua-no-ataque-a-siria-franca-diz-que-pode-agir-sozinha/

[5] Ver:

http://actualidad.rt.com/actualidad/view/104592-bashar-assad-accion-militar-guerra-siria-occidente

[6] Ver:

http://www.reuters.com/article/2013/09/02/us-syria-crisis-usa-authorization-idUSBRE9810L020130902

[7] Ver:

http://expresso.sapo.pt/siria-venezuela-e-o-irao-convocam-nao-alinhados-para-impedir-ataque-dos-eua=f828550

[8] Ver:

http://g1.globo.com/revolta-arabe/noticia/2013/09/ataque-siria-pode-aumentar-banho-de-sangue-alerta-chefe-da-onu.html

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About author

Possui graduação em Filosofia (bacharelado e licenciatura) pela Universidade Federal do Paraná (1999), com revalidação pela Universidade de Évora (2007), e mestrado em Sociologia (Poder e Sistemas Políticos) pela Universidade de Évora (2010). É doutoranda em Teoria Jurídico-Política e Relações Internacionais (Universidade de Évora). É professora da Faculdade São Braz (Curitiba), pesquisadora especialista do CEFi – Centro de Estudos de Filosofia da Universidade Católica Portuguesa (Lisboa), e pareceirista do CEIRI Newspaper (São Paulo).
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