fbpx
AMÉRICA DO NORTEEURÁSIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Quebra de acordo nuclear poderá causar corrida armamentista entre EUA e Rússia

No último sábado, dia 20 de outubro de 2018, o atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que seu governo irá encerrar a participação no Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário, conhecido como Tratado INF (do inglês – Intermediate-Range Nuclear Force), o qual foi assinado em 8 de dezembro de 1987 pelo Presidente norte-americano a época, Ronald Reagan, e pelo Secretário Geral do Partido Comunista, Mikhail Gorbachev. O Tratado tinha como meta a total eliminação de mísseis balísticos* e de cruzeiro**, nucleares ou convencionais, cujo alcance efetivo estivesse entre 500 e 5.500 quilômetros de distância.

Assinatura do Tratado INF por Ronald Reagan e Mikhail Gorbachev

A alegação por parte do Governo norte-americano para a quebra do pacto estaria baseada na violação do mesmo pela Federação Russa, com a implantação de sistemas de mísseis 9M729***, sobre os quais não se tem dados técnicos confirmados se o seu alcance efetivo viola os limites acordados, além de que o acordo impede que os Estados Unidos enviem novas armas para a região do Pacífico, onde pretendem se contrapor ao crescente arsenal de armas de alcance intermediário da China, que não faz parte do Tratado internacional.

De acordo com o senador russo, Alexei Pushkov, essa dissolução do acordo causará um outro “grande golpe no sistema de estabilidade mundial” devido ao fato de os EUA já terem apresentado comportamento pouco diplomático quando se retiraram, em 2001, do Tratado ABM (do inglês, Anti-Ballistic Missile Treaty) sobre proliferação de mísseis antibalísticos. Agora, apresentam nova intenção de rescindir acordo que limita o uso de armas nucleares, o que, para alguns analistas, poderá levar a uma possível corrida armamentista global, fruto de doutrinas nucleares beligerantes adotadas pelos EUA e pelo reforço do potencial nuclear militar da Rússia, ordenada pelo presidente Vladimir Putin, desde 2016, em resposta à expansão militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) ao largo de suas fronteiras, percebido, então, como uma ameaça.

———————————————————————————————–

Notas:

* Um míssil balístico é um míssil que segue uma trajetória pré-determinada, que não pode ser significativamente alterada após o míssil queimar todo o seu combustível (a sua trajetória fica governada pelas leis da balística – física). Para cobrir grandes distâncias, a trajetória dos mísseis balísticos atinge as camadas mais altas da atmosfera ou o espaço, efetuando um voo suborbital.

** Um míssil de cruzeiro é um míssil guiado que transporta uma carga explosiva e é propulsionado, normalmente, por um motor a jato, rumo a um alvo em terra ou no mar. Mísseis de cruzeiro modernos podem viajar em velocidades supersônicas ou em altas velocidades subsônicas, são autonavegáveis, e podem voar em uma trajetória não-balística, de altitude extremamente baixa.

*** O míssil de cruzeiro 9M729 parece ser uma modificação do já implantado míssil de cruzeiro 9M728 de 500 km, atualmente utilizado pelas brigadas Iskander. O 9M729 difere de seu predecessor por conta de sua fuselagem ser mais longa. Seu tamanho maior permite que sua carga de combustível e, consequentemente, seu alcance efetivo seja muito expandido. O tamanho do 9M729 é bastante próximo ao do míssil Kalibr lançado de navios – Ship Launched Cruise Missile (SLCM), cuja faixa é estimada em 3.000 km ou mais. O desempenho do 9M729 é provável ser similar a seu equivalente naval.

———————————————————————————————–

Fontes das Imagens:

Imagem 1 Míssil Balístico” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/9/93/Titan_II_launch.jpg/260px-Titan_II_launch.jpg

Imagem 2 “Assinatura do Tratado INF por Ronald Reagan e Mikhail Gorbachev” (Fonte):  

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/8/8d/Reagan_and_Gorbachev_signing.jpg

About author

Mestrando no programa de Governança Global e Formulação de Políticas Internacionais (PUC-SP) na linha de pesquisa em Cooperação Internacional. Especialista em Política e Relações Internacionais (FESPSP) e habilitado em Iniciação Científica em Defesa, pela Escola Superior de Guerra (ESG-RJ). Cursou MBA em Economia de Empresas (FEA-USP) e graduou-se como Bacharel em Ciências Econômicas (CUFSA). Especialista em Docência no Ensino Superior (SENAC) atuou durante 7 anos como educador voluntário no Projeto Formare da Fundação Iochpe, ministrando aulas sobre Ética, Sociedade, Política e Democracia. Como articulista no Centro de Estratégia, Inteligência e Relações Internacionais (CEIRI) escreve sobre política e economia da Eurásia.
Related posts
ÁSIAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Fundo Monetário Internacional estima crescimento da economia chinesa em quase 2%, contrariando tendência mundial

NOTAS ANALÍTICASPOLÍTICAS PÚBLICASSAÚDE

Conselho Europeu se reúne para tratar de ação conjunta europeia para combater a COVID-19

NOTAS ANALÍTICASPARADIPLOMACIA

As cidades mais caras da América Latina

NOTAS ANALÍTICASPOLÍTICAS PÚBLICASSAÚDE

Resposta à COVID-19 nas Américas pode sofrer transformação a partir de novos testes rápidos

Receba nossa Newsletter

 

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Open chat
Olá!