fbpx
AMÉRICA DO NORTEÁSIAENERGIANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONALPOLÍTICAS PÚBLICAS

Questionamento sobre a possibilidade de alterações na posição de EUA e China em relação à geopolítica energética

A importância que as fontes de energia tem sobre a política externa norte-americana sempre foi significativa. Elas definiram parâmetros de sua política interna, projetando-a para além de suas fronteiras. Ou seja, como maior importador de hidrocarbonetos do século XX e início do XXI, muitas das políticas estadunidenses foram direcionadas para a manutenção de canais de suprimentos seguros, sendo ainda determinantes para sua estratégia e projeção de poder, levando-os, por exemplo, a policiar o mundo contra ameaças de nações consideradas rivais ou antagonistas dos preceitos de Washington.

O posicionamento norte-americano, no entanto, está passando por uma avaliação devido à ascensão da China no cenário mundial de consumo de petróleo e gás. Além disso, também devido a presença atual do “Brasil” com as recentes descobertas nas camadas geológicas denominadas “Pré-Sal”, acrescido da sempre forte atuação russa na produção de gás e petróleo que são ofertados principalmente aos países europeus que tem escassez de recursos energéticos (em especial “França” e “Alemanha”). Tal conjuntura tem gerado interessantes mudanças na atuação das principais nações.

Os fatores que produzem essa mobilização geopolítica estão levando os EUA à adoção de uma estratégia de melhor aproveitamento de seus recursos internos, procurando diminuir sua dependência de países do “Oriente Médio” e do noroeste africano, como a Nigéria. Isso implica em afirmar que, hoje, há nos EUA debates sobre o aproveitamento adequado dos seus próprios recursos naturais, bem como estudos sobre a eficiência energética de matrizes renováveis, como as matrizes “eólica” e “solar fotovoltaica”. Dessa maneira, já são perceptíveis em números as intenções políticas, ao menos do atual governo democrata, quanto a nova estratégia para o setor, sendo esta uma postura que pode se manter se no futuro pleito presidencial for eleito outro democrata.

Segundo dados analisados pelo “The Wall Street Journal”, os “Estados Unidos” estão próximos de ultrapassar a Rússia como maior produtor mundial de petróleo e gás. Ainda de acordo com a publicação, nos últimos 5 anos as importações norte-americanas de gás natural caíram 32% e a de petróleo bruto 15%, acarretando na diminuição de seu déficit comercial e influenciando diretamente nas economias que vivem da exportação desses recursos.

Entretanto, é importante discorrer que a atual postura de Washington não objetiva a total substituição das importações de hidrocarbonetos dos parceiros tradicionais, como a “Arábia Saudita”, em prol da utilização dos recursos internos. A prerrogativa básica é diminuir sua dependência, realinhando as políticas energéticas internas e, consequentemente, as externas, para a realidade atual do planeta, que vem necessitando de modelos mais sustentáveis para evitar inclusive a possibilidade de conflitos armados, pois, como muitos observadores já elucidaram, à busca por recursos não renováveis e a possível corrida por novas fontes de energia em um ambiente desfavorável poderá gerar uma competição com grande intensidade.

Deve-se destacar ainda que a atual postura norte-americana reflete imediatamente na ascensão chinesa como potencial consumidor desses recursos fornecidos pelos antigos e tradicionais aliados da “Casa Branca”, tanto do “Oriente Médio” quanto do norte da África. A necessidade chinesa de manter sua economia aquecida passa neste momento pelo grande consumo de petróleo e gás, que, por sua vez, atinge atualmente parâmetros superiores aos dos “Estados Unidos”, fazendo com que Beijing se veja obrigado a atuar  em zonas de influência norte-americana, algo que traz preocupação à Washington acerca dos reais interesses do país mais populoso do mundo. Em especial sobre o “Oriente Médio”, região em que os “Estados Unidos” investiram, investem e buscam administrar desde a saída de franceses e ingleses no início do século XX. Também é notório, no entanto, que a China não tem condições militares como os “Estados Unidos” de patrulhamento e projeção de poder marítimo para manter a circulação dos insumos comprados nessas instáveis regiões do globo.

Por conta desses fatores os “Estados Unidos” tendem a utilizar do seu poderio bélico para manter os canais de transporte marítimo seguros para a China, principalmente no “Estreito de Ormuz” (região próxima ao “Irã” e ao “Golfo de Omã”, por onde circulam grandes volumes de cargueiros petrolíferos vindos de regiões produtoras de petróleo) e no “Golfo de Áden”, próximo da fronteira marítima da “Somália”, onde ocorre intensa atividade de pirataria que é controlada pelo grupo terrorista “Al Shabab”, o qual sequestra navios e solicita altos resgates que são usados para financiar suas ações terroristas em terra, tal como ocorreu recentemente em Nairóbi, capital do Quênia, na tomada do “Shopping Westgate”.

Sendo assim, ao trabalhar para manter o status quo nessa região com o objetivo de garantir a livre circulação de produtos e recursos energéticos, os “Estados Unidos” barganham junto ao governo chinês sua boa vontade sobre questões de política externa, principalmente em relação à Síria e ao Irã, solicitando apoio às políticas de Washington para sanções políticas, econômicas e militares contra Síria, bem como para o desmantelamento do “Programa Nuclear Iraniano”, posições que num primeiro momento não são compartilhadas pelos seus pares no Oriente.

A comunidade internacional observa com cautela essa movimentação das potências, pois nada, até o momento, é estável e definitivo. As opiniões convergem para a percepção de que os “Estados Unidos” utilizarão como ferramentas políticas a manutenção do status quo em suas zonas de influência, bem como o aprofundamento das relações bilaterais com os Estados chaves para sua política externa.

Da mesma forma usarão as descobertas do gás de xisto em “Dakota do Norte” e no “Texas”, além da possibilidade de exploração e investimento nas jazidas do “Pré-Sal” brasileiro. Como acréscimo a essa postura, acreditam os observadores que as significativas importações de seus aliados do “Oriente Médio” serão mantidas, pois elas funcionam muito mais como estratégia para acalmar os ânimos na região.

Diante desse quadro, não se acredita que haverá mudança de posicionamento entre a China e EUA como principal ator no sistema internacional, talvez apenas como maior consumidora de hidrocarbonetos do planeta, fato que, no entanto, se torna preocupante, não pela questão da hierarquia no “Sistema Internacional”, mas pelo fato de que a população chinesa é imensamente maior que a dos “Estados Unidos” e faz emergir grandes preocupações ambientais pelo consumo exagerado dos recursos energéticos.

———————

Imagem (Fonte):

http://diariodopresal.files.wordpress.com/2010/11/a-us-soldier-guards-an-iraqi-oil-well-dpa.jpg?w=224&h=336

———————

Fontes consultadas:

Ver:

http://online.wsj.com/article/SB10001424052702303722604579111970305859120.html?mod=WSJP_inicio_MiddleTop&linkSource=valor

Ver:

http://www.iea.org/countries/membercountries/unitedstates/statistics/

Ver:

http://online.wsj.com/article/SB10001424052702303464504579105922118999200.html?mod=WSJP_inicio_LeftWhatsNews&linkSource=valor

Ver:

http://online.wsj.com/article/SB10001424052702304106704579134030982983414.html?mod=WSJP_inicio_MiddleFirst&linkSource=valor

Ver:

http://www.pragmatismopolitico.com.br/2013/10/leilao-libra-petroleo-brasil-eua.html

Ver:

http://www.diplomatique.org.br/artigo.php?id=1504

Ver:

http://www.valor.com.br/internacional/3314142/estoques-de-petroleo-dos-eua-aumentam-na-semana

Ver:

http://geopoliticadopetroleo.wordpress.com/

About author

Bacharel em Relações Internacionais (2009) pela Faculdades de Campinas (FACAMP), Especialista em Direito Internacional pela Escola Paulista de Direito (EPD) e Especialista em Política Internacional pelo CEIRI (Centro de Estratégia, Inteligência e Relações Internacionais). Atuou em duas grandes multinacionais do setor de tecnologia e na área de Cooperação Internacional na Prefeitura Municipal de Campinas com captação de recursos externos, desenvolvimento de projetos na área econômica e comercial e buscando oportunidades de negócios para o município. Foi Consultor de Novos Negócios na Avanth International em Campinas/SP e atualmente é Analista de Foreign Trade e Customer Care na Novus International Inc. Escreve sobre América do Norte com foco nos Estados Unidos.
Related posts
ÁSIAECONOMIA INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Fundo Monetário Internacional estima crescimento da economia chinesa em quase 2%, contrariando tendência mundial

NOTAS ANALÍTICASPOLÍTICAS PÚBLICASSAÚDE

Conselho Europeu se reúne para tratar de ação conjunta europeia para combater a COVID-19

NOTAS ANALÍTICASPARADIPLOMACIA

As cidades mais caras da América Latina

NOTAS ANALÍTICASPOLÍTICAS PÚBLICASSAÚDE

Resposta à COVID-19 nas Américas pode sofrer transformação a partir de novos testes rápidos

Receba nossa Newsletter

 

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Open chat
Olá!