NOTAS ANALÍTICAS

Questionamentos sobre a possibilidade de mudanças nas relações diplomáticas entre “Coreia do Norte” e China

Tensão entre as Coreias Com os recentes testes nucleares e de outros equipamentos bélicos por parte da “Coreia do Norte”, muitos se perguntam quanto tempo levará para a frente liderada pelos “Estados Unidos” e “Coreia do Sul” invadir o território norte-coreano. Além disso, vários observadores também questionam sobre as relações sino-norte-coreanas, mas especificamente, se elas permanecerão estáveis como foram até o momento.

Analistas confluem para a ideia de que, em meio a um cenário de crises em todo o mundo, com conflitos no “Oriente Médio” e em algumas regiões do continente africano, a “Coreia do Norte” está sendo apenas um instrumento dentro da estratégia do Governo chinês.

Conforme vem sendo repetido ao longo dos últimos dois meses, o Presidente eleito, Xi Jinping tem de enfrentar imediatamente a questão de como a China deve atuar para ser o ator prioritário no reequilíbrio da economia internacional, sendo necessário ainda resolver os casos de conflitos territoriais com o Japão e outros países na região, além de não poder mais se posicionar de forma neutra em assuntos que se relacionam com a segurança regional, principalmente no que tange a Pyongyang.

Os observadores internacionais que acompanham as notícias diretamente da China e da “Coreia do Norte” têm declarado que as relações diplomáticas entre os dois países são praticamente inexistentes e não estão sendo divulgados dados a respeito dos contatos entre seus líderes. Por essa razão, especialistas tentam traçar uma linha de como estes dois países manterão os relacionamentos a partir deste momento em que a “ameaça nuclear norte-coreana” se converteu numa ameaça à segurança internacional.

Quanto aos desafios que Jinping terá de encarar, o especialista em política chinesa que atua em “Hong Kong”, Lau Yui-siu, fez algumas considerações em entrevista para a NHK japonesa a respeito de questões ligadas à China, à “Coreia do Norte” e ao Japão. Para ele, as relações sino-norte-coreanas não serão afetadas pelos últimos acontecimentos, pois crê que as medidas tomadas por Beijing em aceitar sansões contra o governo de Kim Jong Un são apenas superficiais e, embora o líder norte-coreano não siga os conselhos de Pequim, um corte de relações está distante.

Encerrar os relacionamentos com Pyongyang neste momento seria inviável, agora que muitas instituições e pessoas oriundas da China são acusadas de ataques cibernéticos contra empresas norte-americanas. Por isso, independente da gravidade de suas ações, hoje, a “Coreia do Norte”  é quem chama a atenção na região, podendo servir como um ofuscador de outros atos chineses que possam afetar a estabilidade e a segurança em qualquer parte do mundo. Nesse sentido, a atuação unilateral dos norte-coreanos é positiva para os chineses. Lau Yui-siu indiretamente também respaldou essa consideração quando afirmou ao noticiário da NHK que: “O presente líder supremo da Coreia do Norte, Kim Jong Un, tem insistido em realizar negociações diretas com os Estados Unidos desde que assumiu o poder. O governo norte-coreano não exibe mais a obediência cega à China que cumpria no passado[1]

Os chineses disputam territórios com muitos aliados dos “Estados Unidos” em questões de segurança, o quais, apesar das contendas, são dependentes da economia chinesa para se manterem ativos. De forma interessante, essas dependências e divergências acabam gerando uma certa estabilidade.

Enquanto Washington está concentrado em resolver um problema que ameaça diretamente a sua segurança e a de seus aliados (o “Programa Nuclear Norte-Coreano”), as energias que poderiam ser direcionadas para essas pequenas nações asiáticas não são trabalhadas, dando aos chineses possibilidade de focar seus principais objetivos, ou seja, sua economia e sua imagem positiva no mundo.

Nos últimos anos, embora Pequim venha investindo em equipamentos militares, a China evita se envolver em conflitos que não estejam dentro de algum programa da ONU, tanto regionais, como em outros locais no mundo. Como já dito em Análises e Notas anteriores, o objetivo é promover a ideia de que a China trata de assuntos leves ou graves de uma única maneira: por meio da Diplomacia.

O país substituiu a imagem de seus Tanques, da época em que o mundo vivia a “Guerra Fria”, pelas negociações e pelo poder econômico. Essas novas armas são seus maiores trunfos na consecução de vários interesses nos últimos anos, tanto que se tornou a 2a maior economia do mundo e a referência em diversos setores econômicos.

Por isso, conforme apontam os especialistas, a China, hoje, não abriria mão de seus feitos por Pyongyang, mas, curiosamente, essas atitudes do Governo norte-coreano estão sendo instrumentalizadas para consecução dos interesses estratégicos chineses. A partir do momento que Pyongyang desconsiderar a opinião chinesa e atuar por conta própria em assuntos que envolvam a segurança regional, Beijing poderá se distanciar do governo do jovem Kim, mas apenas para se livrar  de possíveis críticas referentes a falta de um posicionamento sobre as ações norte-coreanas.

Até o momento, o governo norte-coreano não agiu de forma que afete diretamente aos chineses, por isso, é possível que sejam mantidas as suas relações diplomáticas intactas, porém, o intenso desafio feito a Washington está sendo desagradável, pois não é conveniente para Pequim um combate próximo ao seu território, ainda mais liderado pelo seu maior rival político-econômico da atualidade.

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www3.nhk.or.jp/nhkworld/portuguese/top/news04.html

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Ver também:

http://idgnow.uol.com.br/internet/2013/02/19/china-tem-grupo-de-ciberespionagem-que-rouba-segredos-dos-eua-diz-relatorio/

Ver também:

http://www.cfr.org/china/china-north-korea-relationship/p11097

About author

Bacharel em Relações Internacionais (2009) e técnico em Negociações Internacionais (2007) pela Universidade Anhembi Morumbi (UAM). Atua na área de Política Econômica com foco nos países do sudeste e leste asiático, sendo referência em questões relacionadas a China. É membro da Júnior Chamber International Brasil-China, promovendo as relações sócio-culturais sino-brasileiras em São Paulo e Articulista da Revista da Câmara de Comércio BRICS. Também atuou como Consultor de Câmbio no Grupo Confidence. Atualmente trabalha como repórter fotográfico.
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