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Recrudescem as tensões no Egito após a Promotoria abrir investigação contra Mohamed Morsi

Elevam-se as tensões no Egito após a Promotoria anunciar a investigação contra o Presidente deposto, Mohamed Morsi. Recaem sobre o Ex-Presidente as acusações de assassinato e de conspiração com o Hamas, em 2011, quando do levante que levou à destituição do presidente Hosni Mubarak. Naquele momento, Mohamed Morsi se encontrava preso e fugiu do cárcere juntamente com mais trinta pessoas ligadas à “Irmandade Muçulmana”. Segundo as autoridades egípcias, o ato para forjar a fuga contou com a colaboração do grupo palestino e, no decorrer da libertação dos presos, foram mortos quatorze guardas[1].

 Desde que Mohamed Morsi foi deposto e preso pelo Exército, esta é a primeira vez que foi anunciada a situação do Ex-Chefe de Estado perante a Justiça, podendo ser deduzidas as acusações contra ele. A situação é tensa após o aumento do vigor das manifestações entre os partidários de Mohamed Morsi e os manifestantes que apoiam o Exército, fato que fez elevar o nível de preocupação da ONU e da “União Europeia”.

A “Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos”, Navi Pillay, pediu para que as partes renunciem à violência e procurem resolver de modo pacífico as diferenças existentes[2]. Navi Pillay também chamou a atenção do Governo egípcio em relação ao uso excessivo da força e às falhas quanto à proteção do povo, principalmente as mulheres. Segundo um relatório acabado de divulgar, nos últimos dias, vinte e cinco mulheres sofreram agressões sexuais na “Praça Tharir”, no Cairo[3].

O “Secretário-Geral da ONU”, Ban Ki-moon, temendo que a situação política do Egito piore, alertou os líderes daquele país acerca do agravamento da situação gerada por mortes, o que dificultará ainda mais uma resolução pacífica da crise. Ban Ki-moon também pediu que o ex-presidente Mohamed Morsi seja libertado ou que lhe seja concedida uma investigação e um julgamento transparentes[4]. Ante a situação tensa no Egito, a “Chefe da Política Externa da União Europeia”, Catherine Ashton, também se reuniu com “Chefe das Forças Armadas” e “Ministro da Defesa” egípcio, o general Abdel Fattah el-Sissi[5].

As tensões aumentaram substancialmente e, no último final de semana, quando o Egito teve o dia mais violento desde a deposição de Mohamed Morsi, pois aproximadamente setenta e duas pessoas foram mortas. No último domingo, o Governo interino do Egito emitiu um decreto que permite aos militares prenderem civis[6]. Neste quadro de instabilidade e de divisão política, a onda de violência no Egito transpôs as grandes cidades e emergiu no Sinai, onde foram registradas repressões aos opositores islâmicos.

Tal situação preocupa os grupos de “Direitos Humanos” que temem pelos beduínos, a maioria dos habitantes da região[7]. O alargamento do conflito para o Sinai é preocupante, na medida em que este território de fronteira, em períodos de normalidade, não é totalmente seguro. A situação presente requer, pois, esforços redobrados da diplomacia no sentido de se consolidar o entendimento entre as diferentes posições políticas no Egito e o retorno à segurança e à paz.

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Imagem (Fonte):

http://www.todayonline.com/sites/default/files/styles/photo_gallery_image_lightbox/public/15545443_1.JPG

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,morsi-e-acusado-de-atuar-com-hamas-para-fugir-da-prisao,1057618,0.htm

[2] Ver:

http://www.unmultimedia.org/radio/english/2013/01/un-high-commissioner-for-human-rights-calls-for-an-end-to-the-violence-in-egypt/

[3] Ver:

http://www.unmultimedia.org/radio/english/2013/01/un-high-commissioner-for-human-rights-calls-for-an-end-to-the-violence-in-egypt/

[4] Ver:

http://sicnoticias.sapo.pt/mundo/2013/07/29/ban-ki-moon-apela-a-libertacao-de-presidente-egipcio-deposto-morsi

[5] Ver:

http://www.jpost.com/Middle-East/Morsi-supporters-march-on-Egypt-army-intel-headquarters-321349  

[6] Ver:

http://www.washingtonpost.com/world/insurgency-takes-root-in-egypts-sinai/2013/07/28/2e3e01da-f7a4-11e2-a954-358d90d5d72d_story.html

[7] Ver:

http://www.washingtonpost.com/world/insurgency-takes-root-in-egypts-sinai/2013/07/28/2e3e01da-f7a4-11e2-a954-358d90d5d72d_story.html

About author

Possui graduação em Filosofia (bacharelado e licenciatura) pela Universidade Federal do Paraná (1999), com revalidação pela Universidade de Évora (2007), e mestrado em Sociologia (Poder e Sistemas Políticos) pela Universidade de Évora (2010). É doutoranda em Teoria Jurídico-Política e Relações Internacionais (Universidade de Évora). É professora da Faculdade São Braz (Curitiba), pesquisadora especialista do CEFi – Centro de Estudos de Filosofia da Universidade Católica Portuguesa (Lisboa), e pareceirista do CEIRI Newspaper (São Paulo).
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