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Reforço da aliança militar entre Rússia e China

Há exatos 70 anos, o Partido Comunista assumia o poder na China e anunciava o nascimento de uma nova nação, a República Popular da China (RPC), que teria a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) como primeira aliada no tocante ao reconhecimento de sua soberania, estabelecendo, assim, uma relação de cooperação que atravessaria as linhas do tempo.

Após sete décadas de sua fundação, o maior país comunista do mundo caminha, segundo analistas, para se tornar a principal potência econômica do planeta, ultrapassando, dessa forma, o atual primeiro lugar que pertence aos EUA.

Politicamente comunista, mas, economicamente portadora do que é chamado de “capitalismo estatal”*, a China se apresenta hoje como parte reclamada em um processo estruturado por parceiros comerciais, no tocante ao enorme auxílio estatal direcionado a empresas privadas locais, colocando-as em vantagem na comparação com seus rivais internacionais, o que provocou uma guerra comercial entre o país asiático e os Estados Unidos.

Pronunciamento de Vladimir Putin no Clube de Discussões Valdai – 2019

Este processo não só demonstrou um conflito econômico de grandes proporções por conta de sanções comerciais impostas à China, como, também, colocou em pauta uma questão relativa à segurança internacional relatada pelo Presidente russo, Vladimir Putin, no dia 3 de outubro (2019), em encontro anual do Clube Internacional de Discussões Valdai**, realizado em Sochi, no qual comentou o papel não só da Federação Russa, como, também, o papel de seu parceiro asiático no cenário internacional.

Segundo Putin, a questão da segurança internacional piorou por conta das ações perpetradas pelos EUA no mundo e acrescentou que, com relação às tentativas de restringir a China, seria um processo impossível de ser realizado e quem tentasse fazê-lo apenas se prejudicaria.

De acordo com o presidente chinês Xi Jinping, tais declarações são proferidas em um momento onde as relações entre Rússia e China se encontram num elevado nível de confraternização diplomática, em termos de confiança mútua, coordenação e valor estratégico, além de fazer contribuições importantes para a manutenção da paz, da estabilidade e do desenvolvimento.

Posto isso, um reforço da aliança militar entre os dois países está se desenvolvendo,  onde a Rússia irá ajudar a China a construir um sistema de alerta para rastrear lançamentos de mísseis balísticos intercontinentais, o qual opera através de uma rede de radares no solo e satélites, equipamento esse que só a Federação Russa e os EUA possuem atualmente.

Os detalhes do tamanho e das características do sistema de defesa de mísseis que a Rússia construirá para a China é ainda desconhecido. Atualmente, os chineses empregam recursos limitados que incluem um pequeno sistema russo S-300, que considera apenas um modesto impedimento contra mísseis de cruzeiro e balísticos. A proposta russa existente são os S-400, capazes de interceptar mísseis balísticos com grande precisão.

Para especialistas, tal sistema é visto como “uma parte crucial da dissuasão nuclear moderna”, e as abordagens adotadas por Rússia e China, no sentido de se autoproclamarem nações inseridas no conceito de uma simetria política assertiva, com personalidades semelhantes ou muito próximas para problemas modernos chaves, demonstram a formação de uma nova ordem mundial baseada na lei internacional, no respeito à autoidentidade de diferentes povos, no direito de todos a escolher independentemente o modo como querem se desenvolver.

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Notas:

* O Capitalismo de Estado, inicialmente, era uma ideia associada à organização econômica de Estados socialistas, tal como a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). Hoje, o conceito está ligado também a países que não são completamente socialistas, mas onde o Estado interventor opera arduamente na área econômica. É o arranjo econômico mais próximo ao Socialismo, pois, os governos usam o mercado para promover seus próprios interesses. Pode ser exercido tanto através de regulamentações e benefícios do Estado sobre o meio econômico de um país, como em sua participação ativa gerenciando empresas, entre outras ações.

** O Clube de Discussão Valdai foi criado em 2004. O nome faz menção ao lago Valdai, que está localizado perto de Veliky Novgorod, onde a primeira reunião do teve lugar. O potencial intelectual do Clube de Discussão Valdai é altamente considerado tanto na Rússia como no exterior. Mais de 1.000 representantes da comunidade acadêmica internacional de 71 países participam das suas atividades. A Fundação sem fins lucrativos para o desenvolvimento e apoio do clube foi criada em 2011, com o fim de ampliar suas atividades para novas áreas, incluindo trabalhos de pesquisa e divulgação, programas regionais e temáticos. Em 2014, a Fundação assumiu toda a responsabilidade pela gestão dos projetos do clube. Fundadores:

– Conselho de Política Externa e de Defesa (CFDP).

– Conselho de Assuntos Internacionais da Rússia (RIAC).

– Instituto Estadual de Relações Internacionais de Moscou (Universidade) do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Federação Russa (Universidade MGIMO).

– Escola Superior de Economia da Universidade Nacional de Pesquisa.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Vladimir Putin e Xi Jinping” (Fonte): http://www.russia.org.cn/en/russia_china/vladimir-putin-and-xi-jinping-hold-bilateral-talks-in-beijing/

Imagem 2 Pronunciamento de Vladimir Putin no Clube de Discussões Valdai 2019” (Fonte): http://en.kremlin.ru/events/president/news/61719/photos/61209

About author

Bacharel em Ciências Econômicas pelo Centro Universitário da Fundação Santo André (CUFSA) e pós-graduado em Economia pela FEA-USP (MBA). Habilitado em Iniciação Científica em Defesa, pela Escola Superior de Guerra (ESG-RJ), e Especialista em Docência no Ensino Superior (SENAC). Atuou durante 7 anos como educador no Projeto Formare da Fundação Iochpe, ministrando aulas sobre Ética, Sociedade, Política e Democracia. Atualmente, é pós-graduando em Política e Relações Internacionais pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP). Tem grande interesse nas áreas de Geopolítica, Relações Internacionais e Economia Política Internacional
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