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Reformas econômicas e políticas prosseguem na Etiópia

A fim de dar continuidade à entrada de Investimento Estrangeiro Direto (IED) e com o intuito de reduzir os confrontos civis com as forças policiais, o Estado etíope promulgou novas reformas econômicas e políticas. O primeiro-ministro Abiy Ahmed, empossado como Chefe de Governo em abril deste ano (2018), tem levado a cabo algumas medidas para devolver a estabilidade, ampliar o espaço de atuação das corporações estrangeiras na economia nacional e incrementar as receitas com exportações de produtos manufaturados.

Entre as principais medidas adotadas na semana passada, está a nomeação de novas autoridades aos cargos militares mais altos do país. Seare Mekonnen e Adem Mohamed foram apontados, respectivamente, como chefe das Forças Armadas e diretor do Serviço Nacional de Segurança e Inteligência. Entretanto, ambos os nomes não foram recebidos com ânimo por parte da população, uma vez que esta pede por maior representatividade política das etnias Oromo e Amhara nos principais organismos do Estado.

Fronteira entre Etiópia e Eritreia sempre esteve envolvida em conflitos

Mekonnen e Mohamed são filiados à Frente de Libertação do Povo Tigré (FLPT), um dos partidos que compõem a Frente Democrática Revolucionária do Povo Etíope (FDRPE) – o partido governista, desde 1995. As manifestações civis que assolam o país desde 2015 clamam por maior participação de outras etnias nas principais agências estatais, argumentando que a FLPT goza de maior poder decisório dentro da FDRPE.

Em contrapartida, Ahmed sustenta as nomeações a partir das atuais intenções do Governo em resolver os problemas diplomáticos com a Eritreia. Após este país declarar independência em 1993, severos conflitos assolaram a fronteira por sete anos, até que um acordo de paz fora selado. Entretanto, a Etiópia nunca reconheceu, efetivamente, a autonomia do país vizinho.

Com o intuito de pôr fim a este imbróglio, fontes locais afirmam que um dos principais objetivos da política externa de Ahmed é implementar, de fato, o acordo de paz, reconhecendo a independência do país vizinho e caminhar rumo ao fortalecimento dos laços diplomáticos. Para tanto, a nomeação de Mekonnen é vista como fator chave, tendo em vista a sua longa experiência em questões políticas, econômicas e sociais envolvendo a Eritreia.

Paralelamente às referentes nomeações, o Governo também manifestou interesse em ceder espaço a investidores internacionais nas corporações estatais, principalmente através da venda de ações. Entre as principais empresas contidas no plano de privatização estão a Ethiopian Arilines e a Ethio-Telecom. Essa medida, na verdade, faz parte de um consolidado projeto de abertura da economia nacional ao capital estrangeiro, com vistas a mobilizá-lo como fonte de financiamento ao processo de industrialização.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Crescimento econômico na Etiópia depende, principalmente, da estabilidade política e dos investimentos estrangeiros” (Fonte):

https://financialtribune.com/articles/world-economy/65898/ethiopia-to-become-economic-giant-of-east-africa-in-2017

Imagem 2Fronteira entre Etiópia e Eritreia sempre esteve envolvida em conflitos” (Fonte):

https://www.infoescola.com/africa/eritreia/

About author

Economista pela ESALQ-USP, é atualmente mestrando em Sociologia pelo Programa de Pós- Graduação do IFCH-UFRGS. Foi pesquisador do Programa de Mudanças Climáticas do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (IDESAM). Atualmente desenvolve pesquisas na área de Sociologia Econômica, Economia Política e Sociologia do Desenvolvimento. Escreve no CEIRI Newspaper sobre economia e política africana, como foco em Angola, Etiópia e Moçambique
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