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ÁSIACOOPERAÇÃO INTERNACIONALNOTAS ANALÍTICAS

Refugiados sírios: uma análise sob a ótica humanitária

Entre as diversas análises a respeito da guerra civil na Síria que já se desenrola por dois anos, observa-se a divisão dos analistas (mas também da comunidade em geral) sobre várias questões, dentre as quais podem ser destacas: (1) qual Governo tem posicionamentos mais acertados em suas declarações sobre o conflito; (2) qual das facções seria a mais cruel no momento e qual delas merece nossa atenção ou não; (3) quais medidas seriam necessárias para aprovar intervenções militares; (4) quais seriam os custos políticos, financeiros e diplomáticos de uma operação de paz.

No entanto, enquanto os debates estão concentrados nessas questões há certas urgências que também se apresentam, pois as vidas de cerca de 80 mil pessoas foram desperdiçadas e mais de 1 milhão de refugiados não sabem qual serão os seus futuros. Estimativas do “Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados” (ACNUR) são de que esse número possa chegar aos 3 milhões até o fim no ano, se a proporção atual de violência na região não diminuir[1]. Na Jordânia e no Líbano existem ao menos 500 mil refugiados, em cada país. Na Turquia, há mais de 375 mil, de acordo com o ACNUR[2].

Em comunicado recente, a “Coordenadora do UN Emergency Relief, Valerie Amos, destacou que 1 de cada 3 sírios está precisando de ajuda, em caráter de urgência. Amos destacou: “Homens, mulheres e crianças que não possuem envolvimento nenhum com a guerra civil estão arcando com o ônus da crise. Mais de 80.000 pessoas foram mortas. (…) É uma tragédia humana[3].

A “Organização das Nações Unidas” (ONU) tem se apresentado institucionalmente paralisada em relação ao conflito na Síria e até mesmo em relação à ajuda humanitária que poderia ser deveras ampliada, a despeito de seus funcionários de ajuda humanitária e ativistas que vão até o local do conflito para auxiliar as vítimas e mesmo pensar em soluções para a crise. O enfraquecimento da ONU causa grande descrédito na instituição como Fórum multilateral.

Ao comentar a inércia dos demais países, da sociedade civil e da própria ONU, a diretora da ONG de Direitos Humanos, “Human Rights Watch, Peggy Hicks, que acompanha de perto os bastidores das “Nações Unidas” em relação à situação síria, afirmou: “É preciso deixar claro: estamos escrevendo um capítulo nefasto da História[4].

Ao pensar a situação dos civis que perdem familiares ou se encontram na situação de precisar fugir por medo, por perseguição e estão, atualmente, sem condições adequadas de sobrevivência e vivendo em acampamentos improvisados, nos quais não há cuidados de saúde, sem saneamento, com escolas destruídas, com falta de alimentação, deixa de ser prioritário identificar a quem responsabilizar pelos direitos humanos não atendidos e/ou crimes de guerra cometidos, mas, sim, identificar soluções e pensar a responsabilidade da comunidade internacional de proteger os demais seres humanos por serem participes da mesma condição humana.

A possibilidade de receber refugiados sírios já é cogitada em Washington, caso haja a solicitação formal peloAlto Comissariado das Nações Unidas” (ACNUR). A Alemanha também manifestou-se como aberta à possibilidade de receber refugiados sírios em seu território[5].

Essa solução seria feita através do Reassentamento (programa do ACNUR), como meio de estabelecer refugiados em outros países. Receber refugiados que passaram por traumas de guerra, perdas de familiares e integrá-los na sociedade doméstica é um esforço que os diversos países deveriam considerar como imperativo ao depararem-se com crises humanitárias como a que está ocorrendo na Síria[6].

Conforme apontam alguns analistas, além dos debates sobre como deter as guerras ou negociar a paz, deve existir a discussão sobre como oferecer alívio prático para aqueles que estão a perecer em razão dessa situação, sendo necessário não dissociar tais preocupações.  

De positivo, identifica-se que funcionários da ONU, especialistas em Refúgio, diplomatas e grupos de ajuda não-governamentais planejam discutir possíveis planos de Reassentamento em uma reunião de alto nível, esta semana, em Genebra[7].

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.upi.com/Top_News/US/2013/06/07/UN-seeking-to-raise-52-billion-in-2013-for-Syrian-war-refugees/UPI-69961370626378/?rel=42661370865722

[2] Ver:

http://www.latimes.com/news/nationworld/world/middleeast/la-fg-syria-refugees-20130610,0,6484601.story

[3] Ver:

http://www.upi.com/Top_News/US/2013/06/07/UN-seeking-to-raise-52-billion-in-2013-for-Syrian-war-refugees/UPI-69961370626378/?rel=42661370865722

[4] Ver:

http://topicos.estadao.com.br/siria

[5] Ver:

http://www.latimes.com/news/nationworld/world/middleeast/la-fg-syria-refugees-20130610,0,6484601.story

[6] Ver:

http://www.acnur.org/t3/portugues/a-quem-ajudamos/solucoes-duradouras/reassentamento/?L=gulnlxwoshxdx

[7]  Ver:

http://www.latimes.com/news/nationworld/world/middleeast/la-fg-syria-refugees-20130610,0,6484601.story  

About author

Bacharel em Relações Internacionais pela Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (2010). Desde a graduação, desenvolve pesquisas relacionadas aos direitos humanos e aos refugiados. Entre 2011 e 2012, na Universidade de São Paulo (USP), focou seus estudos na questão dos refugiados palestinos e as problemáticas históricas e culturais que perpassam o conflito Israel versus Palestina.
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