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Renovação e Reabilitação da Cidade Velha de Jerusalém avaliadas pela Unesco

A “Cidade Velha de Jerusalém” é uma singularidade no mundo. Ela abriga, intramuros, as representações históricas e simbólicas das três religiões monoteístas, isto é, o Judaísmo, o Cristianismo e o Islamismo. Toda a sua simbologia é traduzida na riqueza histórica e cultural de cada um dos seus 220 monumentos[1] que, em 1981, por indicação da Jordânia, foram eleitos pela Unesco como “Patrimônio da Humanidade” e, no ano seguinte, “Patrimônio da Humanidade em Perigo”. Por estar situada numa área conflitiva com soberania indefinida, na lista da Unesco, a “Cidade Velhanão aparece como pertencente a um Estado específico.

Em 2004, a Cidade Velharecebeu a última visita de inspeção da Unesco e, ao longo dos últimos anos, foram feitas tentativas por parte deste organismo, para a realização de novas inspeções às obras de renovação e reabilitação da parte histórica da cidade, mas sem sucesso. A situação conflituosa entre Israel e a Palestina levou o Estado judaico a bloquear as visitas e o andamento de projetos de reabilitação da cidade. Recentemente, foi possível estabelecer um acordo entre Israel e a Palestina para uma visita de técnicos da entidade, marcada para 19 de maio[2].

O Acordo assinado significou o degelo das relações entre Israel e a Unesco, que estavam congeladas desde 2011, quando este organismo reconheceu o Estado palestino. De certo modo, também representou uma pequena vitória diplomática dos EUA e da Rússia, após as negociações realizadas em abril deste ano, e foi o coroar dos esforços do Secretário de Estado norte-americano, John Kerry, para melhorar a situação entre Israel e a Palestina e, assim, retomar as negociações para a paz[3].

O Acordo estabelecido com Israel, para permitir a missão da Unesco, contemplou o comprometimento da Autoridade Palestina em não promover manifestações contra Israel na conferência a realizar no Camboja, em junho, onde serão apresentados, pela equipe de técnicos da Unesco, os primeiros resultados da inspeção à Cidade Velha de Jerusalém. Portanto, o Acordo firmado teve, como condição prévia, a exigência de que a visita dos inspetores seria meramente técnica. Porém, na véspera da chegada da missão, Israel cancelou a visita, tendo alegado que os palestinos violaram o acordado ao tentarem dar um viés político à missão da Unesco[4].

Segundo informações israelenses, a visita foi apenas adiada. Enquanto permanece o impasse, um importante capital cultural da Humanidade continua à espera de novos projetos de renovação e de reabilitação. Especialistas, observadores e analistas confluem para a posição de que a “Cidade Velha de Jerusalém” é um museu a céu aberto que merece ser preservado. Entre as suas muralhas e suas oito portas há muitos significados espirituais e culturais que dependem da preservação material para continuarem a ser alguns dos mais importantes símbolos sagrados e históricos que conhecemos. Ante este fato, recai sobre as autoridades israelenses e palestinas o compromisso de entrarem em acordo em nome de riquezas espirituais e culturais que pertencem à família humana e  necessitam de preservação urgente.

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Imagem (Fonte):

https://ceiri.news/wp-content/uploads/2013/05/picture-0022.jpg

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://whc.unesco.org/en/list/148/

[2] Ver:

http://www.haaretz.com/news/diplomacy-defense/israel-to-allow-unesco-inspections-in-jerusalem-after-palestinians-agree-to-pull-damning-resolutions.premium-1.517228#

[3] Ver:

http://www.jpost.com/Diplomacy-and-Politics/Israel-nixes-UNESCO-Jlem-delegation-at-last-minute-313698

[4] Ver:

 http://www.jpost.com/Diplomacy-and-Politics/Israel-nixes-UNESCO-Jlem-delegation-at-last-minute-313698

About author

Possui graduação em Filosofia (bacharelado e licenciatura) pela Universidade Federal do Paraná (1999), com revalidação pela Universidade de Évora (2007), e mestrado em Sociologia (Poder e Sistemas Políticos) pela Universidade de Évora (2010). É doutoranda em Teoria Jurídico-Política e Relações Internacionais (Universidade de Évora). É professora da Faculdade São Braz (Curitiba), pesquisadora especialista do CEFi – Centro de Estudos de Filosofia da Universidade Católica Portuguesa (Lisboa), e pareceirista do CEIRI Newspaper (São Paulo).
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