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Renúncia do primeiro-ministro palestino possibilita reconciliação entre o Hamas e o “Al Fatah” com vistas a uma Palestina unida

Rechaçado pelo grupo Hamas (“Movimento Islâmico de Resistência”), que governa a “Faixa de Gaza”, e cada vez mais distante do “Al Fatah” (“Movimento de Libertação Nacional da Palestina”), grupo que governa a Cisjordânia, Salam Fayyad renunciou ao posto de primeiro-ministro da Autoridade Palestina (AP), na semana passada, abrindo uma via para a reconciliação entre essas duas principais formações palestinas[1].

Um dos principais obstáculos a reconciliação entre o Hamas e o Al Fatah era o não reconhecimento pelo Hamas do governo liderado por Fayyad, a quem o grupo islâmico considerava muito próximo do ocidente e  sobretudo a Israel[1].

Logo após a renúncia de Fayyad, Al Fatah e Hamas se reuniram no Egito para discutir a reconciliação e Mahmoud Abbas, presidente da AP, se reunirá com o líder, Khaled Meshal, com o objetivo de formar um Executivo de unidade nacional e convocar eleições[1].

Fayyad é um político respeitado pela diplomacia ocidental que considera seu afastamento um duro golpe para a obtenção de um Estado palestino pela via negociada. Para os Estados Unidos da América (EUA) Fayyad era um interlocutor moderado,  confiável, capaz de garantir o cumprimento de compromissos e abrir caminho para a paz com Israel. O antigo economista do “Fundo Monetário Internacional” (FMI) foi educado nos EUA e era um símbolo da boa governança e da luta contra a corrupção na palestina[2].

A renúncia de Fayyad coloca um ponto de interrogação sobre a perspectiva da ajuda internacional para a “Autoridade Palestina” enquanto Israel hesita em promover medidas econômicas na Cisjordânia sem o ex-primeiro-ministro à frente. Desse modo, em que pese a possível reconciliação entre o Hamas e o Al Fatah, a crise econômica na Cisjordânia certamente vai aprofundar, o que significa que o caminho para a próxima onda de violência é muito curto[2].

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Imagem (Fonte):

http://veja.abril.com.br/blog/ricardo-setti/tag/cisjordania/

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://internacional.elpais.com/internacional/2013/04/14/actualidad/1365962145_429155.html

[2] Ver:

http://www.haaretz.com/news/middle-east/fayyad-s-resignation-the-beginning-of-the-end-of-the-pa-1.515292

[3] Ver:

http://www.bbc.co.uk/news/world-middle-east-22139517

About author

Doutorando em Estudos Estratégicos Internacionais (UFRGS-RS), Mestre em Relações Internacionais (UFF-RJ), Especialista em História das Relações Internacionais pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e Graduado em Ciências Sociais e Jurídicas pela Universidade de Caxias do Sul (UCS). Também possui graduação em Ciências Militares pela Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN) e especialização em Ciências Militares pela Escola de Comando e Estado Maior do Exército. É professor universitário da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS) em Relações Internacionais e atua nas áreas de Política e Segurança Internacional.
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