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ESPORTENOTAS ANALÍTICAS

REPORTAGEM – O Esporte como objeto de investigação das Ciências Sociais

Realizou-se, no Rio de Janeiro, nos dias 2 e 3 de Setembro de 2013, o “Seminário Internacional Esporte, Cultura, Nação e Estado – Encontro de Pesquisadores de Brasil e Portugal”, o qual foi idealizado, em grande parte, pelo “Laboratório de História do Esporte e do Lazer da Universidade Federal do Rio de Janeiro” (UFRJ), coordenado pelo Professor Victor Andrade de Melo.

Este Seminário teve por objetivo discutir a importância do esporte, manifestação cultural que perpassa, na arena mundial,  as mais diversas esferas da vida humana, tendo por base a análise das trajetórias  deste no Brasil e em Portugal.

Desta forma, o Seminário apresentou, no primeiro dia, a conferência inaugural “Cultura, Estado e Nação: comparando Brasil e Portugal”, bem como a Mesa Redonda “Dos Primórdios das Relações Esportivas entre Brasil e Portugal”, e a Mesa Redonda “O Esporte no Império Português”. Ao segundo dia coube: a Mesa Redonda “Esporte – Estado Novo, Estados Novos”; a Mesa Redonda “Da Euro 2004 ao Mundial 2014”; e, por fim, a Mesa Redonda “Estilos de Jogo”.

Em essência, o futebol acabou sendo o esporte protagonista no Seminário e a grande maioria das discussões e debates que foram promovidos, assim como os inúmeros questionamentos que foram levantados, tiveram como foco primordial o futebol, não obstante a importância das Olimpíadas e a atuação do Comitê Olímpico Internacional” (COI) no cenário mundial ter sido alvo de debates por parte dos pesquisadores.

A se ressaltar, alguns temas abordados no Seminário merecem ser aqui sumariamente descritos. Assim, em “O Esporte Português Além Fronteiras, do Brasil à França”, presente na Mesa Redonda “Dos Primórdios das Relações Esportivas entre Brasil e Portugal”, o pesquisador Victor Pereira, da “Universidade de Pau et des Pays de L’Adour”, fez várias explanações acerca de como algumas equipes de ponta do futebol português – Benfica, Porto e Sporting – eram incentivadas ou proibidas de, nas décadas de 1960 e 1970, disputarem partidas de futebol fora de Portugal, haja vista que, se por um lado vitórias ajudariam a exaltar o nome de Portugal no exterior, por outro, derrotas representariam o espraiamento de uma imagem negativa do país no cenário exterino.

Maior destaque coube à Mesa Redonda “Da Euro 2004 ao Mundial 2014”. Nesta, em “Os Novos Estádios da Euro 2004 em Perspectiva Histórica”, tema apresentado por Frederico Agoas, da “Universidade Nova de Lisboa”, muito se discutiu acerca de como a padronização dos modelos de estádio proposta pela FIFA vem suscitando inúmeras críticas em Portugal e no Brasil, seja devido aos custos da reforma e/ou construção ou à perda de uma identidade local consubstanciada em diferentes maneiras de torcer nos estádios, que, com as novas modificações, perdem a mística anterior que havia nestes.

Por fim, em “O Brasil na Era dos Megaeventos”, tema também presente na Mesa Redonda supramencionada, o pesquisador Gilmar Mascarenhas de Jesus, da “Universidade do Estado do Rio de Janeiro” (UERJ), empreende uma crítica de cunho marxista ao modelo capitalista de exploração dos megaeventos esportivos, considerando o COI e, principalmente, a FIFA como os únicos vilões nesta dinâmica, no que foi prontamente questionado pelo público presente ao Seminário por minimizar o fato de que sediar um megaevento esportivo vem se tornando, cada vez mais, uma importante estratégia de inserção internacional de inúmeros países e algo pelo qual estes engendram esforços por vezes hercúleos.

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ImagemSeminário Internacional Esporte, Cultura, Nação e Estado” (Fonte):

http://sergioamoura.blogspot.com.br/2013/07/seminario-internacional-esporte-cultura.html

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Fonte consultada:

Reportagem In loco por Mário A. Santos

About author

Mestre em Relações Internacionais pela UERJ, Especialista em História das Relações Internacionais e Bacharel em Ciências Econômicas pela UFRJ. Possui experiência na área de Economia, com ênfase em Economia Política Internacional e Formação Econômica Brasileira. Foi bolsista de FAPERJ por um ano e Bolsista de Vocação para Diplomacia do Instituto Rio Branco (IRBr) por 4 (quatro) anos. Áreas de interesse: Esporte e Relações Internacionais; Diplomacia Futebolística; e Soft Power e Política Externa.
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