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Resultados e perspectivas da décima Cúpula dos BRICS

Entre os dias 25 e 27 de julho (2018) ocorreu a décima Cúpula dos Chefes de Estado dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), em Johannesburgo, na África do Sul. A Declaração emitida durante o evento cobre uma ampla gama de tópicos, entre outros: 1) iniciativas visando à promoção do desenvolvimento e infraestrutura sanitária e de energia; 2) estímulo à inovação tecnológica com foco nos setores compreendidos pela Quarta Revolução Industrial*; 3) o compromisso conjunto no combate ao terrorismo; 4) o compromisso dos membros com a resolução do conflito na Síria.

Localização dos BRICS no mapa mundial

Diversas opiniões sustentadas na mídia ocidental após o ano de 2010 enfatizavam as diferenças e a diversidade política, cultural e econômica entre estes países como fatores que levariam ao fim dos BRICS. Por outro lado, a coligação vem aumentando o seu grau de institucionalização. A criação e expansão do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB, na sigla em inglês), que conta com investimentos aprovados no valor de US$ 5,1 bilhões, é o fato mais emblemático neste sentido. Além disso, existe a prática institucionalizada de promoção de reuniões anuais entre Ministros dos BRICS, possibilitando a troca de boas práticas e a cooperação internacional em diversas áreas. Apenas no ano de 2018 ocorreram dezesseis reuniões ministeriais.

Escrita estilizada do acrônimo BRICS

Análises afirmam que as dinâmicas do sistema internacional estão se deslocando progressivamente rumo à Ásia. O canal de diálogo aberto pelos BRICS possibilita uma janela de oportunidade para a adaptação destes países à um sistema internacional menos centrado no Ocidente. O peso econômico e político da China vem crescendo e, devido às assimetrias de recursos, a sua capacidade propositiva na formação da agenda do grupo é consideravelmente elevada. Por outro lado, os demais membros podem se beneficiar sobretudo na cooperação em setores de tecnologia de ponta, nos quais a expertise chinesa poderá ser muito importante nas próximas décadas.

Neste sentido, é imprescindível que os mandatários dos BRICS formulem estratégias e políticas de Estado visando à condução de suas relações com a China, devido às desproporções existentes entre o gigante asiático e os demais membros da coligação. Como vem sendo observado por especialistas, as oportunidades estão sendo desenvolvidas, mas precisa haver vontade política consciente e ações práticas. O progresso na institucionalização do grupo demonstra que a integração internacional e o estímulo à globalização são caminhos possíveis para os países emergentes.

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Nota:

* Este termo engloba setores industriais como, entre outros: internet of things; impressoras 3D; desenvolvimento de produtos ligados à biotecnologia; inteligência artificial; robótica avançada; tecnologia aeroespacial.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Chefes de Estado dos países que compõem os BRICS” (Fonte):

https://www.flickr.com/photos/micheltemer/36782857225

Imagem 2Localização dos BRICS no mapa mundial” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/b/bb/BRICS.svg

Imagem 2 Escrita estilizada do acrônimo BRICS” (Fonte):

https://pixabay.com/pt/brics-brasil-r%C3%BAssia-%C3%ADndia-china-1301745/

About author

Mestrando em Estudos Contemporâneos da China pela Renmin University of China (RUC) e pesquisador afiliado pela Silk Road School. Mestre em Relações Relações Internacionais pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Possui especialização em Estratégia e Relações Internacionais Contemporâneas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Graduado em Relações Internacionais pela Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA). Agente consular junto ao Consulado Honorário da França em Porto Alegre, atuando paralelamente no escritório RGF Propriedade Intelectual, no período de 2013-2016.
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