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Reviravolta socialista na Espanha

Depois de 2 meses das Eleições Presidenciais realizadas na Espanha, no dia 20 de dezembro de 2015, o país continua sem um Presidente oficial. Embora o candidato à reeleição, Mariano Rajoy, do Partido Popular, representante da centro-direita, tenha ganho o pleito eleitoral, o número de votos não foram suficientes para garantir-lhe uma maioria, impossibilitando, assim, que o mesmo seja instituído no cargo presidencial. Desde então, várias negociações com outros partidos buscavam estabelecer uma série de pactos que lhe fornecessem a maioria desejada.

O Rei Felipe VI da Espanha – máximo representante do Estado – fez reunião com todos os candidatos à Presidência, na busca de uma solução para a crise institucional que enfrenta o país Ibérico. As tensões sociais e os escândalos de corrupção que envolvem o Partido Popular fizeram com que Felipe VI acabasse se decantando pelo candidato de esquerda, o Sr. Pedro Sanchéz, do Partido Socialista Obreiro Espanhol, reforçando, dessa forma, o papel da Monarquia nos assuntos de Estado e da Monarquia Parlamentar, em si. Ainda assim, para que Pedro Sanchéz assuma a Presidência é necessário que consiga o apoio de outros Partidos, pois, dessa forma, poderá viabilizar seu Governo e seus projetos, cumprindo com o desejo do Rei – Chefe de Estado Espanhol.

O principal candidato é o partido de esquerda Podemos, que nasceu no auge da crise que enfrentou a Espanha até 2014. Outro candidato seria o partido de centro-direita Cidadãos. Por último, e menos provável, o próprio Partido Popular, que se divide perante tal possibilidade.

O Presidente espanhol instituído enfrentará o processo de separação da Catalunha; a crise migratória do estreito de Gibraltar; os novos desafios da integração europeia; terá de conciliar o crescimento econômico com a recuperação dos serviços sociais – que foram drasticamente reduzidos devido as políticas de austeridade; deverá combater a corrupção instalada no país; reduzir o elevado desemprego, que ainda supera os 20%; e, por último, mas também decisivo, lutar contra a ameaça terrorista que assusta a Europa e que, na Espanha, possui um significado empírico, devido ao histórico de ataques jihadistas na região, os quais seguem assustando a população, como ocorreu no recente estado de alerta máximo decretado no aeroporto de Madrid, no dia 4 de fevereiro, após uma ameaça de bomba em um voo com destino à Arábia Saudita.

Na Europa, as políticas de austeridade dos últimos anos geraram duas tendências bem definidas. Por um lado, o aumento da pressão dos partidos de direita e, por outro, uma nova ascensão dos partidos de esquerda, principalmente nos países do Mediterrâneo.

As políticas de esquerda na Europa estão relativamente mais alinhadas ao Welfare State, ou Estado de Bem-Estar, típico do continente. Ressalte-se, contudo, que o socialismo europeu se fortalece perante a crescente desigualdade social que existe no Bloco. Alguns países da região, inclusive, estudam projetos parecidos ao Renda Mínima ou a o Bolsa Família aplicados no Brasil (Suíça, Finlândia e Reino Unido), com o objetivo de reduzir a desigualdade, bem como estimular a economia regional e o consumo, principalmente com o agravamento da crise na economia mundial e a redução de demanda dos produtos europeus nos mercados emergentes.  Por outro lado, a esquerda também sofre com a tensão econômica e política e, nos países onde está a mais tempo instalada, a esquerda sofre uma crescente oposição, sendo a Grécia o melhor exemplo.

Fato curioso de ser observado é que existe um movimento contrário nos países da América Latina, onde a esquerda vem sofrendo uma série de derrotas e problemas nos últimos anos, sendo a vitória de Maurício Macri para a Presidência da Argentina, um dos maiores exemplos. Por outro lado, e não menos curioso, emerge o fato de estarem ganhando força nos Estados Unidos os discursos repletos de medidas sociais de candidatos do Partido Democrata, como Hillary Clinton e, principalmente, Bernard “Bernie” Sanders.

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Imagem (Fonte):

http://www.nacion.com/mundo/europa/socialista-monarca-espanol-Felipe-VI_LNCIMA20160202_0110_5.jpg

About author

Pesquisador de Paradiplomacia do IGADI - Instituto Galego de Análise e Documentação Internacional e do OGALUS - Observatório Galego da Lusofonia. Atuou como consultor internacional na área de Paradiplomacia para o Escritório Exterior de Comércio e Investimentos do Governo da Catalunha (ACCIÓ). Formado em Negociações e Marketing Internacional pelo Centro de Promoção Econômica de Barcelona, Bacharel em Administração pela Universidade Católica de Brasília, especialista pós-graduado em Ciências Políticas e Relações Internacionais pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo – FESPSP, MBA em Novas Parcerias Globais pelo Instituto Latino-americano para o Desenvolvimento da Educação, Ciência e Cultura e Mestrando em Políticas Sociais com especialidade em Migrações na Universidad de La Coruña (España), Mestrado em Gestão e Desenvolvimento de Cidades Inteligentes (Smartcities) da Universitat Carlemany do Principado de Andorra e doutorando em Sociologia e Mudanças da Sociedade Global. Fundador do thinktank CERES – Centro de Estudos das Relações Internacionais. Membro da Associação Internacional IAPSS para Estudantes de Ciências Políticas, do Smartcity Council, da aliança Eurolatina para Cooperação de Cidades, ECPR Consório Europeo de Pesquisa Política e da rede Bee Smartcities. Especialista em paradiplomacia, acordos de cooperação e transferência acadêmica e tecnológica, smartcities e desenvolvimento econômico e social. Morou na Espanha, Itália, França e Suíça e atualmente reside na região da Galícia (Espanha).
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