NOTAS ANALÍTICASPARADIPLOMACIA

Rio2016 e a Paradiplomacia Olímpica

Sob o lema “A paixão nos une” a cidade do Rio de Janeiro reunirá em agosto atletas e turistas do mundo inteiro para celebrar os jogos olímpicos Rio2016.

A cidade será a primeira da América Latina a sediar uma Olimpíada, sendo esta uma grande oportunidade tanto para o município quanto para o Brasil, principalmente após as sucessivas notícias negativas, que tem afetado a visibilidade do país, e a crescente tensão social, derivada da crise política e econômica que enfrenta o Brasil. Esta é a oportunidade de acalmar os ânimos e promover uma maior divulgação do potencial brasileiro, para além da crise, recuperando a confiança da população e do exterior.

O Rio de Janeiro possui uma longa tradição em organizar eventos de grande porte, tais como o Carnaval, o festival de música Rock In Rio e o Réveillon.  Mas, sem dúvidas, a Olimpíada transformou-se em uma prova de fogo para a cidade, que aspira ser um novo exemplo de reestruturação pós-olímpica e uma referência global em transformação socioeconômica, após a organização da competição.

São muitas as dúvidas que pairam sobre os Jogos Olímpicos no Rio. A disposição da infraestrutura e se a mesma será concluída a tempo, os fatores ambientais que podem afetar o desenvolvimento do evento, a segurança na cidade, a infraestrutura para receber os turistas e participantes e, finalmente, a mais importante: O Legado dos Jogos Olímpicos para o Rio de Janeiro e sua população, após o fim do acontecimento.

O Legado Olímpico é uma característica dos jogos, havendo exemplos positivos, tais como Barcelona ou Sidney, e outros negativos, como Atenas. Esse Legado se constituí não somente da infraestrutura construída para o acontecimento, como também mudanças na gestão da cidade e seus reflexos na sociedade.

A paradiplomacia pode ser beneficiada durante o processo, pois a maior visibilidade da cidade promove fluxos cooperativos entre as cidades que já foram sede do evento e cidades que desejam sediar o mesmo. Além disso, pode proporcionar ao município ferramentas para derivar o complexo processo decisório da política externa brasileira, buscando cooperação tecnológica e investimentos na cidade, algo que pode ser feito através da atividade internacional do próprio município do Rio de Janeiro, mediante o órgão responsável pela organização dos jogos e o trabalho conjunto da prefeitura do Rio de Janeiro e do Governo de Estado. Este é papel da paradiplomacia.

O Rio de Janeiro foi o primeiro Estado do Brasil a inserir a paradiplomacia na política local e, através dos Jogos Olímpicos Rio2016, pode potencializar a mesma, reforçando a atividade da cidade no panorama internacional como centro de eventos, polo turístico, destino de investimentos e como exemplo de remodelação social e inclusão, através do esporte e do legado olímpico.

A cidade, de momento, já ganhou dois novos museus, a revitalização de áreas degradadas no centro, a expansão no transporte público, novos programas de inserção nas comunidades próximas aos locais das competições e novas políticas para atrair investimento produtivo na região, embora caiba lembrar que o legado pós-olímpico nem sempre é imediato aos jogos, pois é necessário haver uma continuidade no projeto. A cidade de Barcelona, por exemplo, somente terminou o projeto que começou nas Olimpíadas de 1992 em 2014, com a inauguração do Distrito [email protected]

O Rio de Janeiro, além de Cidade Maravilhosa, também se transformará em Cidade Olímpica, um título que poucas cidades possuem e que deve honrar, gerando oportunidades, antes, durante e depois do acontecimento.

———————————————————————————————-

Imagem (Fonte):

http://www.rio2016.com/

About author

Atuou como consultor internacional na área de Paradiplomacia para o Escritório Exterior de Comércio e Investimentos do Governo da Catalunha. Formado em Negociações e Marketing Internacional pelo Centro de Promoção Econômica de Barcelona, Bacharel em Administração pela Universidade Católica de Brasília, especialista pós-graduado em Ciências Políticas e Relações Internacionais pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo – FESPSP, MBA em Novas Parcerias Globais pelo Instituto Latinoamericano para o Desenvolvimento da Educação, Ciência e Cultura e mestrando em Polítcias Sociais em Migrações na Universidad de La Coruña (España). Fundador do thinktank NEMRI – Núcleo de Estudos Multidisciplinar das Relações Internacionais. Especialista em paradiplomacia, acordos de cooperação e transferência acadêmica e tecnológica, smartcities e desenvolvimento econômico e social. Morou na Espanha, Itália, França e Suíça.
Related posts
ÁFRICANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Agricultura familiar nos PALOP

AMÉRICA DO NORTEEUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Barack Obama retorna à Dinamarca

AMÉRICA DO NORTENOTAS ANALÍTICASORIENTE MÉDIOPOLÍTICA INTERNACIONAL

Acordo de Paz entre EUA e Afeganistão ameaça os direitos das mulheres

EURÁSIAEUROPANOTAS ANALÍTICASPOLÍTICA INTERNACIONAL

Macron e Putin realizam encontro bilateral às vésperas do G7

Receba nossa Newsletter

 

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Olá!
Powered by