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Rivalidade estratégica entre a China e os Estados Unidos marcará a Cúpula do Leste da Ásia

A ausência de um oficial americano de alto escalão no fórum regional na Tailândia não deve ser considerada como uma distensão da rivalidade estratégica entre Washington e Pequim, apontam analistas. A Cúpula do Leste da Ásia, que ocorre por dois dias, começou com reuniões preliminares em Bangkok, no domingo (3 de novembro de 2019), e o principal evento ocorreu hoje, no dia seguinte (4 de novembro de 2019), em Nonthaburi, uma cidade a 20 quilômetros ao norte da capital tailandesa, relata o jornal South China Morning Post.

Enquanto se esperava a presença do Primeiro-Ministro da China, Li Keqiang, do Primeiro-Ministro do Japão, Shinzo Abe, e do Primeiro-Ministro da Índia, Narendra Modi, a delegação estadunidense é chefiada pelo novo Conselheiro de Segurança Nacional, Robert O’Brien, e pelo Secretário de Comércio, Wilbur Ross. “A presença de oficiais americanos de escalões relativamente baixos pode ser interpretada como um sinal de que a atenção do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para a região está diminuindo”, observa Xu Liping, professor do Instituto de Estudos da Ásia-Pacífico na Academia Chinesa de Ciências Sociais. E completou: “Mas, isso não quer dizer que a contenda pelo poder entre a China e os Estados Unidos está em declínio. É provável que sua rivalidade esteja presente ao longo da Cúpula”.

Caças americanos no Mar do Sul da China

A Cúpula do Leste da Ásia é um encontro anual entre os líderes dos 10 Estados-membros da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) e de representantes da China, dos Estados Unidos, da Rússia, do Japão, da Índia, da Coreia do Sul e da Austrália. Este ano (2019) é o primeiro, desde a adesão dos Estados Unidos ao evento, em 2011, em que o país não será representado por um Ministro sênior, apesar do fato de as tensões estratégicas entre Washington e Pequim estarem particularmente elevadas no Mar do Sul da China, devido ao aumento da presença chinesa na região.

Na quinta-feira (31 de outubro de 2019), David Stilwell, Secretário de Estado Assistente para o Leste da Ásia e o Pacífico, dos Estados Unidos, declarou que “os membros da ASEAN devem trabalhar juntos para resistir às tentativas de Pequim de militarizar o Mar do Sul da China”.Um dia antes (30 de outubro de 2019), o Secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo, afirmou que “os Estados Unidos devem fazer mais quando a China ameaça seus vizinhos, como o Vietnã e as Filipinas, e quando ela clama por todo o Mar do Sul da China”.

Collin Koh, pesquisador do Instituto de Defesa e Estudos Estratégicos de Cingapura, atentou: “Enquanto a questão do Mar do Sul da China pode vir a ser discutida durante a Cúpula, é improvável que ocorram quaisquer tensões sérias entre os dois países”. Já Xu Liping afirmou que é mais plausível que Pequim enfrente uma forte oposição vinda de Hanói. Segundo ele: “É provável que o Vietnã use a sua posição de presidente da Cúpula do Leste da Ásia para avançar a sua agenda, e como ele foi eleito como membro não-permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas para o período 2020-2021, é provável que o país procure aumentar a sua influência internacional e tome maiores iniciativas em relação à questão do Mar do Sul da China”.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Encontro da Cúpula do Leste da Ásia (2015)” (Fonte): https://commons.m.wikimedia.org/wiki/File:A_session_of_the_10th_East_Asia_Summit_(EAS).png

Imagem 2 Caças americanos no Mar do Sul da China”(Fonte): https://commons.m.wikimedia.org/wiki/Category:South_China_Sea#/media/File%3A110629-M-KA277-089_(5905856284).jpg

About author

Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Ciência Política da Universidade de São Paulo (USP). Bacharel em Relações Internacionais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Durante a graduação, foi bolsista do Programa Santander Universidades na Universidade de Coimbra, em Portugal. Integra o Grupo de Pesquisa Pensamento e Política no Brasil da Universidade de São Paulo. Tem experiência na área de Ciência Política, com ênfase nas linhas de pesquisa de Pensamento Político Brasileiro e de Relações Internacionais, atuando principalmente nos estudos sobre Política Doméstica e Externa da China, Segurança Internacional, Diplomacia e Diásporas Asiáticas. Associado à Midwest Political Science Association (MPSA).
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