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Robert Mugabe é eleito pela sétima vez no Zimbábue

O polêmico Robert Mugabe, por muitos considerado um “Ditador”, foi reeleito Presidente do Zimbábueno dia 3 de agosto de 2013, assumindo, assim, este cargo pela sétima vez. A contagem de votos apontou o montante de 61% dos votos válidos a seu favor, contra 34% do seu opositor, o premiê Morgan Tsvangirai. Antes mesmo da publicação oficial dos resultados, este já alegava fraude no processo eleitoral, bem como afirmou que ingressaria com ação judicial a fim de questionar a legalidade e higidez do procedimento. Ademais, ressaltou que o partido do qual faz parte – “Movimento para Mudança Democrática” (MDC)irá se desvincular do partido de Mugabe.

Tsvangirai, seus apoiadores e a “Rede de Apoio à Eleição no Zimbábue” (Zesn, em inglês) contestaram veementemente o pleito: “A credibilidade desse processo eleitoral foi minada por violações administrativas e legais, que prejudicam a credibilidade e legitimidade desse resultado. Essa eleição é uma farsa que não reflete o desejo das pessoas[1]. Afirmavam, ainda, que cerca de 1 milhão de pessoas teria sido impedida de votar, especialmente nas regiões mais favoráveis ao Premiê.

O “Chefe de Estado” reeleito possui 89 anos de idade e é o mais velho líder no continente africano, comandando o Zimbábue desde 1980, quando exercia a função de Primeiro-Ministro. No Congresso, seu partido, o “Zanu-PF”, garantiu o número de 137 assentos de um total de 210, o que lhe permite uma boa base de apoio legislativo.

Em contraposição aos argumentos de problemas durante o processo eleitoral, por parte do candidato vencido, bem como seus seguidores, o Partido do vencedor, apoiado por observadores da “União Africana” (UA) e da “Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral” (SADC, na sigla em inglês), afirmam não ter havido qualquer ilicitude durante o processo, o que vem corroborado pela posição do Diplomata Brasileiro na Embaixada de Pretória (África do Sul), Antonio Carlos de Souza Leão: “A votação foi extremamente tranquila e muito organizada. Bem diferente do que vimos na eleição anterior (em 2008). Houve, sim, problemas com as listas eleitorais, que foram distribuídas muito em cima da hora. Mas isso não impediu que os partidos topassem participar [1].

Grande parte do endosso recebido por Mugabe remete aos anos 70, quando ele era visto como um “herói revolucionário”, por ter lutado pela liberdade de seu povo contra o domínio de uma minoria branca que controlava o país. Porém, a realidade atual é muito diferente, especialmente no que respeita à situação econômico-social do país: este se viu diante de uma crise sem precedentes, uma taxa inflacionária anual de 100.000% (destaque-se: a mais elevada do mundo) e uma economia em forte retração.

Uma das grandes dificuldade culturais locais é implantar o conceito de Democracia, porquanto a preponderância da ideia de Monarquia – e, com ela, de vitaliciedade no poder – continua muito arraigada nas consciências de diversos africanos, como deixa claro um apoiador de Robert Mugabe, Didymus Mutasa, que assim se manifestou: “Reis só são substituídos quando morrem. E Mugabe é o nosso rei[1].

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Imagem (Fonte):

http://newsimg.bbc.co.uk/olmedia/740000/images/_744174_mugabe-fist300.jpg

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www1.folha.uol.com.br/bbc/2013/08/1321291-em-meio-a-criticas-mugabe-e-reeleito-no-zimbabue-pela-setima-vez.shtml

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About author

Advogado (Unicuritiba). Pós-Graduado pela mesma instituição, em Direito Internacional. Realizou curso de aperfeiçoamento em Negócios Internacionais ("International Trade") no Holmes Institute, em Melbourne (Austrália). Mestrando em Ciência Política pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Atual membro da Comissão de Direito Internacional da OAB/PR.
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