NOTAS ANALÍTICASTecnologia

Robótica e mineração: as inovações russas para exploração do Ártico

Com o intuito de explorar as maiores reservas de hidrocarbonetos e metais raros do mundo, localizadas no fundo do Oceano Glacial Ártico, e que apresentam difícil acesso por conta da profundidade e da temperatura extremamente baixa, a Federação Russa está lançando um ambicioso projeto de mineração com o emprego de tecnologias nunca antes utilizadas para esse propósito.

Horizonte do Oceano Ártico

Nesse âmbito, a Fundação de Pesquisas Avançadas da Rússia*, criou dentro de sua estrutura o Centro Nacional de Desenvolvimento de Tecnologias e Elementos Básicos de Robótica que, desde 2015, vem desenvolvendo técnicas de exploração mineral com a utilização de submarinos não tripulados em águas profundas, ou mais conhecidos como Veículos Subaquáticos Autônomos (AUV – do inglês Autonomous Underwater Vehicle). Os AUVs são atualmente usados em pequeno número por muitos países e geralmente controlados de perto por operadores, em vez de circularem livremente.

A total autonomia veicular, que será de grande importância para explorar as profundezas do Ártico, é o objetivo da pesquisa que já construiu protótipos para se testar os algoritmos** robóticos e confirmar seu atendimento aos requisitos operacionais e definir a navegabilidade do veículo. Alguns desses protótipos foram testados com elevada margem de sucesso, como são os casos do Klavesin-2R-PM UUV, utilizado em operações de exploração até 6 mil metros de profundidade, juntamente com o Vityaz UUV, veículo totalmente autônomo que terá capacidade exploratória em ambientes com mais de 10 mil metros de profundidade.

Além dos veículos autônomos, o governo russo quer complementar o desenvolvimento das novas tecnologias com a implementação de instalações robóticas no fundo do leito oceânico para prospecção mineral, que, segundo o chefe de projeto da fundação, Viktor Litvinenko, será um trabalho desafiador, pois utilizará tecnologias que essencialmente não existem nos dias atuais e que necessitará de parceiros altamente qualificados para respaldar o projeto, como é o caso da Rosatom, companhia estatal de energia nuclear da Rússia, juntamente com sua subsidiária no campo de exploração de urânio, a JSC Atomredmetzoloto (ARMZ Uranium Holding Co.), que já se prontificaram para serem clientes cooperativos.

Apesar de não ter sido divulgado o tamanho do gasto para o desenvolvimento e a implementação dessas novas tecnologias, o retorno desse enorme investimento é praticamente certo, pois servirá para explorar jazidas de zinco, urânio, ferro e diamantes, além de depósitos de hidrocarbonetos em áreas submersas, com capacidades estimadas em 28 bilhões de barris de petróleo, 31 bilhões de barris de gás natural liquefeito, além dos incríveis 356 bilhões de metros cúbicos de gás, segundo estudos do United States Geological Survey (USGS).

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Notas:

* A FPI (do russo – Fond Perspektivnyh Issledovaniy), foi criada em 2012 para apoiar pesquisas e desenvolvimentos científicos de acordo com os interesses da defesa e segurança da Federação Russa. A organização realiza suas atividades em três direções principais – químico-biológica e médica, físico-técnica e de informação.

** Termo utilizado em MATEMÁTICA: sequência finita de regras, raciocínios ou operações que, aplicada a um número finito de dados, permite solucionar classes semelhantes de problemas. Em INFORMÁTICA: conjunto das regras e procedimentos lógicos perfeitamente definidos que levam à solução de um problema em um número finito de etapas.

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Imagem 1 Navios quebra-gelo” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/b/b6/Three_icebreakers_–_Yamal%2C_St_Laurent%2C_Polar_Sea.jpg

 

Imagem 2 “Horizonte do Oceano Ártico” (Fonte):                                                                                           

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/b/b5/Arctic_Sky_%284371010590%29.jpg

 

About author

Bacharel em Ciências Econômicas pelo Centro Universitário da Fundação Santo André (CUFSA) e pós-graduado em Economia pela FEA-USP (MBA). Habilitado em Iniciação Científica em Defesa, pela Escola Superior de Guerra (ESG-RJ), e Especialista em Docência no Ensino Superior (SENAC). Atuou durante 7 anos como educador no Projeto Formare da Fundação Iochpe, ministrando aulas sobre Ética, Sociedade, Política e Democracia. Atualmente, é pós-graduando em Política e Relações Internacionais pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP). Tem grande interesse nas áreas de Geopolítica, Relações Internacionais e Economia Política Internacional
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