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Rússia apresenta novo quebra-gelo nuclear

No sábado passado, dia 25 de maio (2019), a Rússia apresentou o novo quebra-gelo nuclear que faz parte da frota do “Projeto 22220”. Batizado de Ural, o navio foi lançado no Estaleiro Báltico em São Petersburgo e integra uma frota de outras 3 embarcações semelhantes que, quando concluídas, constituirão a esquadra de quebra-gelos mais poderosa do mundo. Os quebra-gelos nucleares são navios movidos a propulsão nuclear para navegação em áreas cobertas de gelo, eles são mais potentes que aqueles movidos a diesel e não exigem grandes volumes de combustível para operar.

O “Projeto 22220” compreende a construção de 3 navios: Arktika, Sibir e Ural. Os dois primeiros estão para entrar em serviço em 2020 e em 2021, respectivamente, enquanto que o Ural será finalizado completamente em 2022. Os investimentos para a construção dos quebra-gelos são em torno de 120 bilhões de rublos*. Além disso, há a previsão da construção de mais 2 navios pela empresa de energia nuclear civil russa, Rosatom, sendo que o quarto entraria em operação em 2024 e o quinto em 2027.

O objetivo da Rússia é utilizar essa nova esquadra de quebra-gelos nucleares para explorar a Rota do Mar do Norte (NSR, sigla em inglês), uma rota marítima que corre ao longo da costa russa do Ártico, desde da Sibéria até o Estreito de Bering, e também pelas costas do Alaska, Canadá, Dinamarca, Finlândia, Islândia, Noruega e Suécia. Durante dois meses do ano esse percurso fica livre de gelo, permitindo que navios comuns adentrem o espaço, entretanto, ao longo dos outros meses o deslocamento só é possível com os quebra-gelos. Com essa nova frota, o NSR será navegável o ano todo.

Mapa da região do Ártico onde é destacada a Rota do Mar do Norte pela Passagem a Noroeste e pela Passagem ao Nordeste

A partir do momento que a circulação marítima é facilitada, a Federação Russa consegue ter mais controle sobre essa região do globo em relação aos outros países que também utilizam do Ártico para rota comercial. Outra questão importante é que a região possui grandes quantidades de petróleo e gás natural. De acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos, há aproximadamente uma reserva energética de 412 bilhões de barris, isso equivale a 22% do total não descoberto de petróleo e gás do mundo.

Especialistas destacam que essa estratégia russa coloca o país em vantagem na corrida pelo Ártico. Em alguns anos, as mudanças climáticas vão resultar no derretimento do gelo, mas, enquanto isso não ocorre, a Rússia já coloca uma frota de quebra-gelos em ação para o melhor reconhecimento da área.

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Nota:

* 120 bilhões de rublos correspondem a aproximadamente 1,8 bilhão de dólares que, consequentemente, correspondem a aproximadamente 7,2 bilhões de reais (cotação do dia 27 de maio 2019).

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Fontes das Imagens:

Imagem 1O quebragelo nuclear Yamal” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/f/f5/Yamal_2009.JPG/300px-Yamal_2009.JPG

Imagem 2Mapa da região do Ártico onde é destacada a Rota do Mar do Norte pela Passagem a Noroeste e pela Passagem ao Nordeste” (Fonte): https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/b/bc/Map_of_the_Arctic_region_showing_the_Northeast_Passage%2C_the_Northern_Sea_Route_and_Northwest_Passage%2C_and_bathymetry.png/440px-Map_of_the_Arctic_region_showing_the_Northeast_Passage%2C_the_Northern_Sea_Route_and_Northwest_Passage%2C_and_bathymetry.png

About author

Bacharela em Relações Internacionais e em Ciências Econômicas, ambas pelas Faculdades de Campinas (FACAMP). Participou da Newsletter do Centro de Estudos de Relações Internacionais (CERI) da FACAMP como redatora e corretora de artigos. Fez sua tese de conclusão de curso sobre as relações diplomáticas entre a Rússia e os Estados Unidos no pós Guerra Fria. Tem grande paixão pela escrita e por assuntos relacionados à Segurança Internacional e Diplomacia.
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