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Rússia declara que eleições ucranianas para maio são ilegítimas

Em uma nova etapa na “Crise Russo-Ucranianao representante russo na OSCE*, Andrei Kelin, declarou em Viena, numa conferência de vídeo transmitida para Moscou, que as eleições programadas para maio na Ucrânia são ilegítimas[1][2]. Afirmou que a ilegitimidade do processo se dá graças ao acordo que havia sido firmado entre o presidente deposto Viktor Yanukovych e a Oposição em 21 de fevereiro deste ano (2014)[3], pelo qual as eleições ocorreriam até dezembro e um governo interino seria formado para governar até então.

O posicionamento russo denunciando o não cumprimento dos Acordos elaborados no período em que seu aliado Yanukovych estava no poder era esperado pelos especialistas, justamente pelo fato de o Governo russo não considerar legítima a destituição do Presidente, chegando inclusive a dizer que houve um “Golpe de Estado” na Ucrânia.

Observadores acrescentam que essa consideração por parte do Governo russo não é contraditória se compará-la com o caso da Crimeia, pois o argumento das nações que não consideraram legítimas o Referendo na Crimeia são diferentes dos argumentos utilizados pela Rússia acerca da deposição de Yanukovych.

A nações do oeste europeu e os EUA desqualificaram o Referendo por verem uma ação russa contra soberania ucraniana, ignorando as relações históricas que há entre os dois vizinhos, bem como o percentual da população que é de etnia russa. No caso das considerações da Rússia, esta sinaliza que os atuais acontecimentos na política ucraniana se deram fora dos acordos feitos entre o Governo e Oposição.

Acreditam os analistas que a Ucrânia irá enfrentar um período de abalo econômico, pois a Rússia, seu vizinho, maior parceiro comercial e fornecedor de recursos energéticos, não reconhece a legitimidade do atual “Governo Interino” e os recentes apoiadores deste, especialmente os EUA, necessitam dar uma cobertura de recursos financeiros e energéticos que talvez não tenham, lançando a questão de saber se o Governo norte-americano tem capacidade imediata com suas reservas de abastecer tanto Ucrânia, quanto a Europa, que também depende significativamente do fornecimento russo, pois muito tem sido falado em acabar com a dependência energética russa, mas pouco foi apresentado acerca de soluções concretas.

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* Organization for Security and Co-operation in Europe (OSCE). Para consulta:

http://www.osce.org/who/108218

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[1] Ver “May presidential elections in Ukraine illegitimate, it runs counter to Feb 21 agreement – Russian envoy to OSCE” (28/03/2014):

http://voiceofrussia.com/news/2014_03_28/May-presidential-elections-in-Ukraine-illegitimate-it-runs-counter-to-Feb-21-agreement-Russian-envoy-to-OSCE-4704/

[2] Ver Москва не считает легитимными майские выборы на Украине (28/03/2014):

http://ria.ru/world/20140328/1001454090.html

[3] Ver “Yanukovich assina acordo com oposição ucraniana” (21/02/2014):

http://ansabrasil.com.br/brasil/noticias/mundo/noticias/2014/02/21/Yanukovich-assina-acordo-com-oposicao-ucraniana_7600844.html

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Ver também “OSCE will monitor security, human rights in Ukraine” (28/03/2014):

http://en.itar-tass.com/world/725721

Ver tambémComment by the Russian Ministry of Foreign Affairs regarding the decision about the deployment of the OSCE’s monitoring mission in Ukraine” (22/03/2014): http://www.mid.ru/bdomp/brp_4.nsf/e78a48070f128a7b43256999005bcbb3/e8987ffbb5ee3da944257ca600329825!OpenDocument

 

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About author

Pósgraduado em Ciência Política (IUPERJ) e Bacharel em Relações Internacionais (UCAM). Experiência profissional em Representação Comercial e atualmente Gerente de Projetos e Novos Negócios na Prefeitura do Rio de Janeiro. No CEIRI Newspaper escreve no grupo Europa desde março de 2013, em que desenvolve publicações com ênfase na Política Externa Russa.
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