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Rússia e China criam agência de avaliação de risco

A Universal Credit Rating Group (UCRG, na sigla em inglês), criada conjuntamente pela China e pela Rússia, é uma agência de avaliação de risco que examina os títulos financeiros oferecidos pelos diferentes mercados nacionais. Basicamente, as agências de avaliação de risco avaliam a capacidade dos países, instituições e corporações (as que atuem no sistema financeiro) de pagar efetivamente a dívida contraída perante os seus credores, contabilizando os devidos juros.

Logo da Agência de Avaliação Moody’s. Fonte: Wikipedia

As três maiores agências de avaliação de risco no mundo são a Moody’s, a Standard&Poors (S&P) e o Grupo Fitch, oriundas dos Estados Unidos e com sedes na Europa, controlando cerca de 95% do mercado de avaliação de risco. A agência Moody’s rebaixou recentemente a sigla de avaliação do risco da China, de Aa3, para A1, devido à sua preocupação com o endividamento do Estado chinês. Isto coloca a China no patamar de países como Japão, Coreia do Sul e Israel. O nível de endividamento do Estado chinês relativamente ao seu PIB se encontra em aproximadamente 250%, uma cifra que, segundo a Moody’s, revela certo perigo, ao passo que pode ocasionar o surgimento de uma bolha em setores econômicos superaquecidos.

A UCRG foi criada no ano de 2013, denunciando a atuação das agências tradicionais como instrumentos políticos capazes de influenciar e mesmo desestabilizar economias nacionais. Adicionalmente, a UCRG foi criada sobre o preceito da necessidade de reforma do sistema financeiro global, evidenciada pela crise econômica mundial de 2008, que colocou dúvidas sobre a legitimidade das avaliações produzidas pelas grandes agências. As instabilidades ligadas a acontecimentos políticos produzem efeitos nos mercados financeiros, alterando a expectativa de rentabilidade dos investimentos e podendo ocasionar a fuga de capital de curto prazo, sobretudo em países emergentes.

Mapa global mostrando as tendências de risco por país, na década de 2000-2010. Fonte: Wikipedia

A análise política aliada ao instrumental econômico se torna especialmente importante em uma conjuntura global de instabilidade e risco geopolítico, ligados, por exemplo, à eleição de Donald Trump nos Estados Unidos; às reformas econômicas e desaceleração relativa da economia Chinesa; ao referendo que decidiu pela saída do Reino Unido da União Europeia e o doloroso processo que ainda está por vir; passando pela recessão geopolítica na América do Sul, emblemática no caso do Brasil e da Venezuela e, chegando mesmo às tensões suscitadas pelo armamento nuclear da Coreia do Norte.

Estes variados acontecimentos foram citados com o intuito de demonstrar que em uma conjuntura de crescentes incertezas, a atuação de agências de avaliação de risco se torna cada vez mais relevante, contanto que se possa obter análises comprometidas com metodologias definidas e que não visem à produção de um discurso particular acerca da realidade que se apresenta. Por estas razões, é importante que haja uma multiplicidade de perspectivas e visões acerca dos riscos políticos e suas possíveis consequências econômicas.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Imagem contendo notas da moeda chinesa, o Yuan (Renminbi)” (Fonte):

http://maxpixel.freegreatpicture.com/static/photo/1x/Rmb-Bank-Note-Chinese-Yuan-Asia-Money-China-938269.jpg

Imagem 2 Logo da Agência de Avaliação Moodys” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/c/c1/Moodys_logo_blue.jpg

Imagem 3 Mapa global mostrando as tendências de risco por país, na década de 20002010” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/7/7d/Annual_Trend_in_Euromoney_Country_Risk%2C_March_2000_-_March_2011.svg/1280px-Annual_Trend_in_Euromoney_Country_Risk%2C_March_2000_-_March_2011.svg.png

About author

Mestrando em Estudos Contemporâneos da China pela Renmin University of China (RUC) e pesquisador afiliado pela Silk Road School. Mestre em Relações Relações Internacionais pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Possui especialização em Estratégia e Relações Internacionais Contemporâneas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Graduado em Relações Internacionais pela Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA). Agente consular junto ao Consulado Honorário da França em Porto Alegre, atuando paralelamente no escritório RGF Propriedade Intelectual, no período de 2013-2016.
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