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Rússia e EUA: aspectos políticos sobre a crise da Venezuela

Uma nova etapa da crise política da Venezuela tomou forma, no dia 30 de abril de 2019, quando o autoproclamado Presidente, Juan Guaidó, lançou o que foi chamado de “a fase final da Operação Liberdade”, um movimento iniciado em janeiro deste ano (2019), e que envolveu tanto civis como militares em uma ação para a derrubada do atual presidente Nicolás Maduro.

Para analistas internacionais, a ação não só poderá resultar num conflito civil de grandes proporções, o que causará mais desalento a já cambaleante nação venezuelana, como também é mais uma peça a ser somada ao cenário geopolítico que esta ressuscitando velhos fantasmas ideológicos na região, por conta da repercussão internacional envolvendo EUA e Rússia.

Considerando aspectos históricos na relação entre as duas nações, a extinta URSS (União das Republicas Socialistas Soviéticas) geralmente evitava intervir diretamente na América Latina durante a Guerra Fria, e os Estados Unidos adotavam postura semelhante na Europa Oriental. Ambas as regiões eram consideradas “zonas de influência” das superpotências globais, onde cada qual tinha um amplo controle político e militar na sua respectiva Zona, ao menos oficialmente, levando-se em consideração a exceção que foi o caso de Cuba*.

Protestos na Venezuela

Passadas quase três décadas da dissolução da União Soviética, a Federação Russa adentra no território latino-americano como principal protagonista estrangeiro, dando sustentação internacional crucial a Nicolás Maduro, cujo governo, e o de seu antecessor, o presidente Hugo Chávez (1999-2013), assumiram fortes laços político-econômicos com o Governo russo, principalmente no tocante à aquisição de material bélico, tais como aviões de combate, tanques e sistemas de defesa aérea, deixando claro que a Venezuela não é mais considerada como um país sob influência dos EUA.

A ideia da influência norte-americana sobre a América Latina remete aos princípios da doutrina Monroe, implementada pelo presidente americano James Monroe, em 1823, que se resumia na frase “América para os americanos”, estabelecendo que qualquer intervenção europeia em qualquer território do continente americano seria vista como uma agressão que demandaria a intervenção dos EUA, espalhando, assim, sua própria hegemonia sobre a região.

A força dessa ideologia permanece nos dias de hoje ao ser evocada pelo Conselheiro de Segurança Nacional dos Estados Unidos, John Bolton, para justificar a política norte-americana para a Venezuela, principalmente pelo fato da presença explicita de comitiva militar russa em território venezuelano, o que, para especialistas, é algo excepcional, mesmo para os antigos parâmetros da Guerra Fria.

A Rússia, por sua vez, destaca que sua presença na Venezuela foi pactuada com o Governo daquele país e está de acordo com as leis internacionais, além de ressaltar que irá criar grupo internacional para atuar contra os planos de intervenção militar norte-americana, o que, segundo o Kremlin, iria contra os preceitos do Direito Internacional e da Constituição da Venezuela. O chanceler russo Sergei Lavrov informou que as posições de Moscou e Washington sobre a crise no país sul-americano são “inconciliáveis”, mas ressaltou que as autoridades russas estão dispostas e prontas ao diálogo.

Jornalista ferido em confrontos na Venezuela

Enquanto o embate político entre EUA e Rússia tomam proporção, órgãos internacionais como ONU (Organização das Nações Unidas), OEA (Organização dos Estados Americanos) e União Europeia, através do Grupo de Contato Internacional (ICG – International Contact Group) apelaram para uma solução pacífica e democrática desenvolvida pela própria Venezuela, respeitando os direitos humanos e as liberdades civis, e que, de uma forma urgente, terminem com a terrível situação humanitária a qual se agravou com os últimos acontecimentos.

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Nota:

* Em 1962, quando um avião espião dos EUA descobriu a instalação de mísseis nucleares soviéticos na ilha, o mundo chegou à beira de uma guerra nuclear. O episódio ficou conhecido como a “crise dos mísseis.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Confrontos entre manifestantes e a polícia na Venezuela” (Fonte): https://www.hrw.org/view-mode/modal/303179

Imagem 2 Protestos na Venezuela” (Fonte): http://www.as-coa.org/sites/default/files/styles/tab_content_detail/public/VenProtest643.jpg?itok=1GEYMUV_

Imagem 3 Jornalista ferido em confrontos na Venezuela” (Fonte): https://www.hrw.org/view-mode/modal/329828

About author

Bacharel em Ciências Econômicas pelo Centro Universitário Fundação Santo André (CUFSA) e pós-graduado em Economia de Empresas pela FEA-USP. Especialista em finanças (FP&A) com mais de 20 anos de experiência em empresas multinacionais na área de Planejamento Financeiro e Controladoria com certificação 6Sigma Green Belt. Atuou durante 7 anos como educador no Projeto Formare da Fundação Iochpe ministrando aulas sobre Ética, Sociedade, Política e Democracia. Atualmente é pós-graduando em Política e Relações Internacionais pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP). Tem grande interesse nas áreas de Geopolítica, Relações Internacionais e Economia Política Internacional.
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