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Samer Issawi: greve de fome e resistência em prol da Palestina

O palestino Samer Tariq Issawi, natural deIssawiyeh (Nordeste de Jerusalém), 33 anos, membro da “Frente Democrática para a Libertação da Palestina”, resistiu a uma greve de fome durante mais de oito meses, numa prisão israelense. Em 12 de abril de 2002, ele foi capturado pelo Exército israelense, em Ramallah, durante a “Operação Escudo Defensivo” e preso sob a acusação de possuir armas e por formação de grupos paramilitares em Jerusalém.

Condenado a 26 anos de prisão, ele foi solto em 2011 juntamente com mais 1027 prisioneiros palestinos na sequência das negociações entre Israel e o Hamas para a libertação do soldado israelense Gilad Shalit. Em menos de um ano, em 7 de julho de 2012, Issawi voltou para a prisão, acusado de ter violado os termos da sua liberdade condicional pelo fato de ter viajado de Jerusalém Oriental para a Cisjordânia onde, segundo informado, ele iria estabelecer células terroristas[1].

Issawi foi condenado a oito meses de reclusão, incluindo a possibilidade de ser restabelecida a sentença original de 26 anos. Ante tal situação, adotou a greve de fome como o meio de resposta no cárcere. O palestino permaneceu sem se alimentar entre 29 de julho de 2012 e 23 de abril de 2013. Devido ao longo período sem alimentação, a saúde de Issawi, nos últimos tempos, deteriorou-se, o que acabou por pressionar o Governo de Israel no sentido de encontrar uma solução para evitar a sua morte, algo que poderia levar ao aumento das tensões entre os palestinos e israelenses, tornando o país alvo de uma possível reprovação pela Comunidade Internacional.

Segundo os médicos, Issawi corria risco de morrer. Nos últimos dias, Israel fez algumas propostas para que ele pusesse fim ao protesto. Dentre elas constavam: o convite para o exílio num país europeu, o confinamento em Gaza durante 10 anos, bem como a deportação para o Egito, Jordânia ou a Turquia[2]. Porém, Issawi recusou todas as propostas de Israel, afirmando que desejava voltar para Jerusalém.

Consciente de seus objetivos políticos, Issawi anunciou que preferia morrer a permanecer preso e estava determinado a não aceitar quaisquer propostas israelenses que não contemplassem suas metas. Esta determinação estratégica visou pressionar o governo para garantir a sua liberdade, vinculando-a a causa palestina. Ante o agravamento do estado de saúde de Issawi, Israel cedeu, permitindo o retorno do palestino para a sua cidade.

Issawi é hoje, de acordo com a imprensa local, o símbolo da resistência palestina[3]. Ele não se tornou um novo mártir mas, para os palestinos que confrontam o Estado israelense ele é atualmente um símbolo da mobilização popular em torno dos prisioneiros[4].

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Imagem (Fonte):

https://ceiri.news/wp-content/uploads/2013/04/File:Samer_Tariq_Issawi.jpg

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.maannews.net/eng/ViewDetails.aspx?ID=586169

[2] Ver:

http://www.maannews.net/eng/ViewDetails.aspx?ID=586169

[3] Ver:

http://www.maannews.net/eng/ViewDetails.aspx?ID=588627

[4] Ver:

http://www.haaretz.com/news/diplomacy-defense/for-palestinian-prisoners-in-israel-hunger-strikes-become-a-winning-strategy-1.517263

About author

Possui graduação em Filosofia (bacharelado e licenciatura) pela Universidade Federal do Paraná (1999), com revalidação pela Universidade de Évora (2007), e mestrado em Sociologia (Poder e Sistemas Políticos) pela Universidade de Évora (2010). É doutoranda em Teoria Jurídico-Política e Relações Internacionais (Universidade de Évora). É professora da Faculdade São Braz (Curitiba), pesquisadora especialista do CEFi – Centro de Estudos de Filosofia da Universidade Católica Portuguesa (Lisboa), e pareceirista do CEIRI Newspaper (São Paulo).
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