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Shimon Peres garante que Israel honrará acordos referentes a locais sagrados

Na quarta-feira, dia 8 de maio de 2013, Israel comemorou o “Yom Yerushalaim”*, ou “Dia de Jerusalém”. De acordo com a “Partilha da Palestina votada pela ONU, em 1947, Jerusalém deveria ser uma cidade internacional. Porém, como resultado da primeira guerra árabe-israelense em 1948, ela acabou sendo dividida entre Israel e Jordânia. Posteriormente, na “Guerra de 1967”, os israelenses entraram na parte jordaniana, compreendida como “Jerusalém Oriental”, e a cidade passou a ser unificada sob o governo de Israel.  A data em hebraico – que varia no calendário gregoriano – foi o dia “28 de Yiar e é feriado nacional.

A questão tem gerado polêmica ao longo dos anos e, raramente, a data passa sem algum tipo de manifestação crítica, seja por parte de palestinos, de israelenses ou de outros grupos e países da região. Desta vez, foi a Jordânia. O Parlamento jordaniano votou nesta quarta-feira pela apelação ao governo, para que expulse o embaixador israelense, Daniel Nevo, e retire seu embaixador em Israel, Walit Obeidat.  

A votação ocorreu após Israel limitar a entrada de muçulmanos ao “Monte do Templo” durante a última terça-feira, 7 de maio, e permitir que judeus pudessem visitar o local durante o “Dia de Jerusalém”, que continuou até quarta feira. A decisão teria sido também em protesto ao episódio da detenção de Muhammad Hussein, “Mufti** de Jerusalém”, no mesmo dia, próximo à “Mesquita de Omar”, que ocorreu após seu suposto envolvimento em atos violentos no local, quando um grupo de cerca de quinze muçulmanos atirou pedras e gritou ameaças a judeus que visitavam o lugar. Hussein foi libertado cerca de seis horas após a detenção, sem acusações registradas. Cinco judeus também foram detidos próximos ao “Domo da Roca” por tentar rezar no local. 

O Presidente e o Primeiro-Ministro da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas e Salam Fayyad, respectivamente, condenaram a detenção doMufti de Jerusalém”, assim como o governo jordaniano. O Primeiro-Ministro da Jordânia, Abdullah Ensour, reportou sua preocupação com as violações por parte do governo israelense em relação à “Cúpula da Rocha e ressaltou a necessidade de organizações internacionais intervirem, como a “ONU” e a “Liga Árabe”.

Na última quarta-feira, ainda durante as comemorações do “Dia de Jerusalém”, o presidente de Israel, Shimon Peres, mandou uma mensagem acalmando as autoridades jordanianas. Peres assegurou que Israel irá honrar seus acordos com a Jordânia e se certificará de que todos os praticantes de todas as religiões possam rezar em seus locais sagrados. Em suas palavras: “Eu quero declarar o seguinte alto e de forma clara – nós respeitaremos todos os locais sagrados de cada religião e faremos de tudo para manter a segurança dos respectivos religiosos[1].

Mais de 50 mil judeus marcham no dia “28 de Yiar” de todos os locais de Israel para celebrar publicamente o dia da conquista de Jerusalém na cidade. Antes de 1967, os judeus não tinham acesso ao “Muro Ocidental” ou “Muro das Lamentações”, que restou do seu “Segundo Templo” (localizado provavelmente onde atualmente existe a “Mesquita de Omar”). Em diversos locais da cidade houve choques entre israelenses e palestinos e tentativas de manifestações violentas.

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* “Yom Yerushalayimé denominado pelos judeus como da desocupação, libertação e reunificação de Jerusalém, tendo acontecido em 5726 (1967) na “Guerra dos Seis Dias”.

** Mufti é uma autoridade acadêmica islâmica a quem é reconhecida a capacidade de interpretar a “Lei Islâmica” (Charia), bem como a capacidade de emitir Fatwas (pronunciamentos legais no Islã sobre um assunto específico, que são emitidos por um especialista em Lei religiosa).

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://en.ammonnews.net/article.aspx?articleno=20914#.UYsZs7WyBNM

About author

Mestranda em História Comparada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Bacharel em História pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e especializada em Relações Internacionais Contemporâneas (PUC-Rio). Com foco em política no Oriente Médio, participou da “The Israeli Presidential Conference – Facing Tomorrow” - sob os auspícios de Shimon Peres - nos anos de 2011 e 2012, tendo realizado outros cursos na área em Israel.
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