ANÁLISES DE CONJUNTURAÁSIA

Shinzo Abe é reconduzido ao comando do Japão

Shinzo Abe - Primeiro Ministro do JapãoAos 58 anos de idade, Shinzo Abe, reassume como “Primeiro Ministro” no Japão. Nos últimos anos, o Cargo tem deixado seus ocupantes muito preocupados devido a grande tensão causada pelas graves questões que ainda não foram resolvidas, algo que tem gerado renúncias constantes. Neste momento, todos aguardam a postura desta nova frente de comando, gerando expectativa sobre se sua condução e posicionamento serão suficientes para a recuperação econômica japonesa e um melhor relacionamento diplomático com as demais nações asiáticas.

Abe tem uma longa carreira na política japonesa. Em 1993, concorreu a um cargo na “Câmara Baixa” para assumir um distrito eleitoral da província de Yamaguchi, permanecendo no cargo por 7 anos. Sempre foi bem indicado por outras autoridades políticas, como Junichiro Koizumi (o 87º Primeiro-Ministro do Japão), que o havia indicado para o cargo de Vice-Secretário-Chefe de seu gabinete.

No ano de 2006, tornou-se a Presidente do seu Partido, o “Partido Liberal Democrático” (PLD), o que lhe garantiu a indicação pela primeira vez para o cargo de Primeiro-Ministro. Na época, aos 52 anos, ele se tornou o mais jovem a assumir o Cargo no período pósSegunda Guerra Mundial”. Em seu mandato, foi o responsável por um bom relacionamento com a “Coreia do Sul” (relação que sempre foi instável até seu comando) e também trabalhou em prol das boas relações do Japão com seus vizinhos no leste e sudeste asiático. Não diferente dos dias atuais, durante este período, muitos Ministros renunciavam aos cargos, o que sempre foi um fator negativo para a condução da política japonesa.

Por sua experiência e por ter uma carreira política bem conhecida em todo o território japonês, os analistas indicam que o segundo mandato poderá ser conduzido de forma mais fácil, porém, o momento pelo qual o país passa é um dos mais sensíveis da história. O Japão vive um momento delicado em sua política externa com os demais países da região, sua economia está instável e ainda sofre os reflexos da crise financeira internacional, bem como do desastre do Tsunami que foi seguido do incidente na “Usina Nuclear de Fukushima”.

Para o início de 2013, a prioridade será formar o Gabinete e objetiva nomear membros que foquem na estabilidade econômica. O comentarista Toshio Shimada, da NHK japonesa, afirmou sobre Abe: “Uma característica distinta do gabinete de Abe foi a decisão, tomada em primeiro lugar, sobre quem seriam os ministros relacionados à economia. Isso demonstra que a economia do Japão é uma prioridade para o novo premiê”*.

Shinzo Abe segue nomeando ex-ministros que têm experiência em economia e finanças para completar sua equipe, demonstrando claramente que a prioridade será a recuperação econômica do país, tanto internamente quanto para reocupar o espaço externo perdido.

Analistas acreditam que só após completar o quadro de funcionários o atual Primeiro-Ministro japonês demonstrará sua visão sobre os temas econômicos e de política externa. Embora não tenha ainda apresentado de forma definida a postura que adotará, durante a campanha seu discurso estava direcionado a tomar atitudes mais severas perante a China e a “Coreia do Sul” sobre as disputas territoriais, algo que não agradará os novos líderes desses países, respectivamente, Xi Jinping (o novo “Secretário-Geral do Comitê Central do Partido Comunista da China”) e Park Geun-Hye (atual “Presidente da Coreia do Sul”).

Shimada (da NHK) e outros especialistas japoneses têm dúvidas se ele conseguirá priorizar sua política de recuperação econômica e ao mesmo tempo atentar para os assuntos externos com Bejing e Seul com a postura que apresentou na campanha, pois, em ambos os países, os novos líderes também serão mais severos em relação aos temas territoriais e de segurança, um fato que pode ser negativo para as relações diplomáticas entre estes Estados e afetar qualquer projeto para recuperar a economia do Japão.

Ademais, a atual situação econômica global requer que Seul, Tokyo e Beijing trabalhem em harmonia para acelerar a estabilidade econômica na região, algo que reflete imediatamente no mundo, pois as pequenas nações asiáticas dependem destas três economias, juntamente com a da Índia.

Nesse sentido, os observadores apontam que eles não devem se ater apenas aos conflitos territoriais e de segurança, tendo em vista que a Europa e os Estados Unidos não têm a mesma força econômica do passado para impulsionar o desenvolvimento regional e global por via do comércio e de investimentos diretos.

Está claro que Abe tem tarefas complexas a realizar. Os analistas ressaltam: (1) assumir uma política de reestruturação dos órgãos políticos internos; (2) reconstruir a economia japonesa e (3) redesenhar as relações diplomáticas nipônicas em toda região. Neste momento, resta aguardar que seu Gabinete esteja estruturado para observar se suas ações serão a continuidade das adotadas até agora pelos “Primeiros-Ministros” que passaram neste recente período de crise, ou se o Governo buscará uma maior abertura para poder vencer seus desafios internos e externos.

————————————–

Fontes Consultadas:

* Ver:

http://www3.nhk.or.jp/nhkworld/portuguese/top/news04.html

————————————–

Ver Também:

http://www3.nhk.or.jp/nhkworld/portuguese/top/news05.html

Ver Também:

http://www.rtp.pt/noticias/index.php?article=614698&tm=7&layout=121&visual=49

Ver Também:

http://www.bbc.co.uk/news/world-asia-19725705

About author

Bacharel em Relações Internacionais (2009) e técnico em Negociações Internacionais (2007) pela Universidade Anhembi Morumbi (UAM). Atua na área de Política Econômica com foco nos países do sudeste e leste asiático, sendo referência em questões relacionadas a China. É membro da Júnior Chamber International Brasil-China, promovendo as relações sócio-culturais sino-brasileiras em São Paulo e Articulista da Revista da Câmara de Comércio BRICS. Também atuou como Consultor de Câmbio no Grupo Confidence. Atualmente trabalha como repórter fotográfico.
Related posts
ANÁLISES DE CONJUNTURASaúde

As Implicações Geopolíticas do Surto de Coronavírus

ANÁLISES DE CONJUNTURAEURÁSIA

Mudanças constitucionais na Rússia revelam o poder de agência de Putin

ANÁLISES DE CONJUNTURACooperação Internacional

Estruturas institucionais ainda são necessárias para o avanço do investimento de impacto

ÁFRICAANÁLISES DE CONJUNTURA

Clima, Refúgio e o Continente africano

Receba nossa Newsletter

 

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Open chat
Olá!
Powered by