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Smartcities e a corrida pela liderança global

A expressão Cidade Inteligente, ou, em inglês, o termo SmartCity, surgiu no final do século XX, como forma de identificar determinados polos urbanos que reúnem uma série de características e fatores, tais como a utilização eficiente e eficaz dos recursos econômicos, tecnológicos, energéticos e humanos disponíveis em um espaço urbano e o funcionamento do mesmo.

Por se tratar de um processo em evolução, não existe um consenso que delimite o “termo” Cidade Inteligente em sua totalidade, embora, aos poucos, surjam teorias que ajudam a identificar as dimensões que o mesmo abrange. A Cidade Inteligente, ou SmartCity, não deve ser confundida com Cidade Global, ou Cidade Alpha, pois esta última refere-se à centros urbanos que obtém seu reconhecimento através de sua influência no setor financeiro e peso no cenário internacional. Já o termo SmartCity é muito mais abrangente e pode ser aplicado a cidades menores.

É mais fácil identificar uma Cidade Inteligente pelos fatores que compõe a realidade desses centros urbanos que pela sua definição. Cidades como Singapura, Barcelona, San Diego, Vancouver, Paris, Dubai, Seul, Tóquio etc. possuem características em comum que vão além de sua importância política e financeira. São espaços inteligentes por se caracterizarem pela otimização dos processos e pela eficiência na utilização dos recursos disponíveis, havendo 7 grandes áreas:

– Sociedade:  na SmartCity, o indivíduo é priorizado e deve centralizar todas as ações públicas com o fim de obter um espaço de convivência e de desenvolvimento sustentável. Formação, cultura, participação na vida pública e integração social são aspectos relevantes.

– Economia e Negócios: Espaços inteligentes devem promover a inovação e o empreendedorismo, gerando uma maior dinâmica social e econômica participativa da região. Com maior flexibilidade e facilidades das autoridades.

– Mobilidade: O espaço urbano deve se desenvolver de forma equânime de modo que é preciso investir em mobilidade urbana e em infraestrutura. Reduzindo os efeitos negativos das grandes cidades e da cultura do automóvel.

– Governo: A participação do cidadão deve ser estimulada e a utilização da internet deve ser uma prioridade para agilizar os processos e promover maior transparência e eficiência na prestação de serviços à comunidade.

– Moradia: A cidade deve integrar todas suas regiões, utilizando fatores anteriores (economia, mobilidade e governo), promovendo um aumento na qualidade de vida de uma forma inteligente e equilibrada, e também promover a correta ocupação do espaço urbano. Promovendo coesão, segurança e melhora nas condições de vida.

– Meio Ambiente: Com o aumento da população urbana mundial é preciso integrar o meio ambiente aos centros urbanos. Ou seja, realizar a utilização de redes de energia mais eficientes e de fontes alternativas; efetivar a integração de espaços verdes nas cidades, e de políticas ambientais e de conscientização, capazes de promover a correta ocupação de todo o espaço urbano.

– Tecnologia: Implementar a tecnologia a serviço da sociedade. Promover a universalização da tecnologia e a criação de espaços tecnológicos capazes de atrair empresas de alta tecnologia. Integrar mediante a internet todas os fatores anteriores e promover uma maior eficiência geral e eficácia na utilização de recursos e na disponibilização dos mesmos.

Embora os conceitos pareçam ser universais e lógicos, são poucas as cidades que conseguem estabelecer e seguir uma agenda ou projeto de SmartCity. Ainda assim, existem exemplos bastantes adiantados, tais como:

– Barcelona:  Cidade que, desde as Olimpíadas de 92, seguiu uma agenda de transformação, sendo considerada uma das Smartcities globais de referência e é sede do Congresso Anual de Cidades Inteligentes.

– Singapura: A pequena Cidade Estado fomentou a ocupação inteligente do território e a otimização dos processos internos, transformando-se em um dos territórios mais eficientes e prósperos do planeta.

– Seul: Cidade que, até os anos 80, estava entre as mais pobres do 3º Mundo, mas que sofreu grandes transformações, até se transformar em um exemplo de desenvolvimento para o Sul Global e um dos centros urbanos mais desenvolvidos do planeta.

– Estocolmo: Cidade reconhecida por projetos pioneiros de transformação social e ambiental.

– Vancouver: Durante 4 anos consecutivos, foi considerada a cidade mais desenvolvida do planeta, ao implementar uma agenda composta e integradora: mais de 48% da população de Vancouver é estrangeira.

Não é preciso ser uma grande metrópole para seguir uma agenda inteligente e promover a ocupação eficiente do espaço urbano.  A utilização de ferramentas diplomáticas, nesse caso paradiplomáticas – pois se tratam de negociações a nível subnacional – são fundamentais para o desenvolvimento desse tipo de projeto, pois os centros urbanos com características similares podem aprender da experiência de outras regiões no mundo e, dessa forma, corrigir desvios e avançar mais rapidamente na adesão de uma agenda inteligente. Um exemplo de pequeno município com uma agenda inteligente é a cidade de São José, em Santa Catarina, que possui um projeto de SmartCity reconhecido internacionalmente.

Países como Colômbia, México, Índia, China e Chile já possuem projetos que avançam nesse sentido. Na Europa, Estados Unidos e Oceania as cidades inteligentes já são uma realidade. No caso do Brasil, há alguns exemplos e projetos, tais como as cidades do Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, São José, Recife e Fortaleza, embora sejam recentes e ainda existam muitos desafios para essas cidades, causados pela centralização política e econômica brasileira, bem como pela falta de um marco legal que atribua maiores competências aos municípios. Como se pode ver, a corrida global pelas cidades inteligentes já começou e o Brasil está atrasado.

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Imagem (Fonte):

http://www.yelads.com/images/solutions/PS_City.jpg

 

About author

Atuou como consultor internacional na área de Paradiplomacia para o Escritório Exterior de Comércio e Investimentos do Governo da Catalunha. Formado em Negociações e Marketing Internacional pelo Centro de Promoção Econômica de Barcelona, Bacharel em Administração pela Universidade Católica de Brasília, especialista pós-graduado em Ciências Políticas e Relações Internacionais pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo – FESPSP, MBA em Novas Parcerias Globais pelo Instituto Latinoamericano para o Desenvolvimento da Educação, Ciência e Cultura e mestrando em Polítcias Sociais em Migrações na Universidad de La Coruña (España). Fundador do thinktank NEMRI – Núcleo de Estudos Multidisciplinar das Relações Internacionais. Especialista em paradiplomacia, acordos de cooperação e transferência acadêmica e tecnológica, smartcities e desenvolvimento econômico e social. Morou na Espanha, Itália, França e Suíça.
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